segunda-feira, 5 de maio de 2008

Os dois candidatos


As eleições municipais de 2008 se aproximam. Na capital baiana, o campo político, que já estava embaralhado desde o início, torna-se cada vez mais complexo. Aproveitando a fragilidade da atual administração do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB-BA), aparentemente todos com alguma chance de chegar ao palácio Tomé de Souza querem tomar o lugar dele. Desde o início fala-se nos nomes de Raimundo Varela (PRB/ Rede Record), ACM Neto (DEM) e do ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB). Do lado da esquerda, já deixou a barca furada do prefeito a deputada Lídice da Mata (PSB), dentre outros (o PDT, antigo partido do prefeito e que andou flertando com Imbassahy, foi obrigado a voltar pelo diretório nacional). Para completar o quadro, Nelson Pellegrino (PT), que como um bom brasileiro, não desiste nunca, também quer concorrer. Diante de tal confusão, sobressaem dois nomes que trazem algum alento: os antigos aliados Imbassahy e ACM Neto.

João Henrique não tem feito um bom trabalho. Por isso mesmo atinge apenas 16% das intenções de voto, segundo a última pesquisa séria, publicada pelo Datafolha em dezembro de 2007. É o segundo lugar, atrás apenas de Varela (19%). Para quem tenta se reeleger, ele deveria estar à frente, e bem à frente. O apresentador Varela, com seu populismo primário, seria uma reedição de Fernando José. A gestão de Lídice (9%) todos já conhecem. Pellegrino, com tantos possíveis aliados concorrendo, chega apenas a 3% das intenções, e não tem a menor chance.

O que nos deixa com os dois melhores candidatos, Imbassahy (12% nas pesquisas) e ACM Neto (15%). Os dois são muito bem preparados. ACM Neto, deputado federal baiano mais votado nas últimas eleições, vem de uma conhecida dinastia política. É considerado inteligente e arrogante. Seu trunfo é ter sido preparado pela família (e por si próprio) para chegar aonde o avô e o tio chegaram, e, quem sabe, além. Já Imbassahy foi prefeito durante oito anos. Conhece a cidade, e, apesar de algumas críticas aqui e ali, sua administração era eficiente. Bem avaliado pela população até o final do segundo mandato, foi eleito seguidas vezes melhor prefeito do país.

O que mais impulsiona os dois candidatos, porém, é a vontade. Para ambos é extremamente importante levar a prefeitura. ACM Neto, herdeiro de um grupo político em frangalhos, precisa fazer um bom trabalho à frente da prefeitura para reconstruir suas bases de poder. Só assim estaria mais qualificado para alçar vôos mais altos. Já para Imbassahy a prefeitura é uma questão de vida ou morte. Se ele se lançar candidato e perder, serão quatro anos sem mandato, sem uma base forte que o apoie. Além de serem duas eleições perdidas, sendo que numa delas ele se considerava o franco favorito. Se perder a prefeitura, sua carreira política pode estar seriamente ameaçada.


O melhor dos mundos seria uma chapa com os dois antigos aliados, provavelmente com ACM Neto encabeçando-a, tendo o ex-prefeito como vice. Não dividiram os votos, como tem feito, e naturalmente se beneficiariam da divisão de seus oponentes históricos. Após algum tempo, o deputado democrata estaria liberado para tentar cargo mais elevado na hierarquia política, e a cidade seria então administrada por Imbassahy. É uma hipótese improvável. Todavia, dado o fato de que estamos falando de política, tudo é possível.


*Pedro Levindo

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