Karina Oliveira da Silva
Na brecha deixada pelos poderes públicos, os mosquitos da dengue fizeram sua moradia e ressaltaram a falta de estrutura nos hospitais públicos do estado. Agora o governo une forças contra a disseminação da doença que já vitimou 64 pessoas apenas no município do Rio de Janeiro.
Todos conhecem ou já ouviram falar dos cuidados para evitar a doença, porém, os índices confirmam o que era sabido; o aumento de pessoas picadas pelo Aedes Aegypti. Medidas preventivas são constantemente divulgadas em todos os verões, mas um país tropical como o Brasil favorece o surgimento e a proliferação dessa praga.
Para conter o alastramento da doença e acalmar a situação de medo que se instaurou no município, o governo convocou médicos de outros estados e montou tendas de hidratação em todo o Rio de Janeiro. Até o exército foi necessário para evitar que mais pessoas venham a óbito.
O quadro poderia ser evitado se o governo do Rio de Janeiro e a população se conscientizassem de seus papéis. O primeiro deveria investir devidamente os recursos destinados á saúde para o combate a doença. Já as pessoas têm por obrigação cuidar de suas residências, para que essas não virem hospedeiro da praga.
Destarte é possível perceber que se faz necessária uma ação mais firme do governo brasileiro, para evitar que um mosquito dissemine um clima de terror na população
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Quem é Horton, aqui?
Andréa Silva
A resposta para a segunda pergunta que faço nessas linhas, até poderia ser: em lugar nenhum. Afinal, essa espécie de gente, gente boa, está extinta, acreditam muitos de vocês. Mas eu prefiro apostar que Horton não é só um personagem das telas de cinema. Tudo bem que, do reino animal herdamos apenas semelhanças com o macaco, mas acredito que foi inspirado no "bicho homem" que os americanos criaram um elefante que, na telona, mais parece um bom menino.
A produção infanto-juvenil, que estreou no Brasil há uma semana, usa as cores, as animações em computação gráfica e a graça do desenho animado, para contar a saga de um elefante que tenta proteger o pólen de uma flor. É lá que está guardada a cidade dos QUEM. Os outros animais da floresta pensam que Horton ficou louco, virou um péssimo exemplo para as novas gerações de bichos. Triste constatação, até no cinema, ou melhor, até a sétima arte, classifica os seres como bons e ruins. É a pura imitação da vida. O filme, com pouco mais de uma hora de duração, traz entre os seus personagens principais a mãe canguru. Ela tem aparência e comportamento de animal e um jeitinho, infame, de julgar os outros habitantes da floresta e planejar maldades. É ela quem decide aprisionar o elefante quando descobre que ele carrega na tromba uma flor, que guarda dentro de suas pétalas, milhares de outras vidas. Mamães cangurus assim encontramos aos montes nas nossas andanças pela vida. São aquelas pessoas que têm o dom de julgar alguém ou alguma coisa sem conhecimento necessário para legitimar as suas conclusões. Enquanto fazem apenas julgamento, tudo bem, ou menos mal. Pior, é quando as mamães-canguru, da não ficção, não aprendem a aceitar as diferenças, desconhecem importantes valores da vida. Simplicidade, igualdade e bom senso. Qualidades que só com sabedoria se adquire. E não importa o quanto pequenos e diferentes somos. Esse saber, todos podem conquistar.
Ainda bem que o garotinho, descrito nas primeiras linhas, já provou de uma gota dessa sabedoria. Percebi isso quando, saindo do cinema, meu filho Ricardo falou: "Mamãe, Horton é um elefante muito legal, vou contar para meus coleginhas da escola".
andreastv@gmail.com
Não sei, diz um garotinho de três anos, com olhos arregalados e uma sinceridade desconcertante. Ouvindo a resposta dele me pergunto: se uma criança não enxerga em ninguém o personagem que acaba de sair das produções de Waldisney, para contar a história de um simpático e bondoso elefantinho, onde vamos achar pessoas como o encantador Horton? No filme "Horton e o Mundo dos Quem", uma daquelas belas produções onde animais falam como gente e conquistam adultos além de crianças, é ele que salva uma cidade, invisível, da maldade e do egoísmo de outros animais.
Não sei, diz um garotinho de três anos, com olhos arregalados e uma sinceridade desconcertante. Ouvindo a resposta dele me pergunto: se uma criança não enxerga em ninguém o personagem que acaba de sair das produções de Waldisney, para contar a história de um simpático e bondoso elefantinho, onde vamos achar pessoas como o encantador Horton? No filme "Horton e o Mundo dos Quem", uma daquelas belas produções onde animais falam como gente e conquistam adultos além de crianças, é ele que salva uma cidade, invisível, da maldade e do egoísmo de outros animais.
A resposta para a segunda pergunta que faço nessas linhas, até poderia ser: em lugar nenhum. Afinal, essa espécie de gente, gente boa, está extinta, acreditam muitos de vocês. Mas eu prefiro apostar que Horton não é só um personagem das telas de cinema. Tudo bem que, do reino animal herdamos apenas semelhanças com o macaco, mas acredito que foi inspirado no "bicho homem" que os americanos criaram um elefante que, na telona, mais parece um bom menino.
A produção infanto-juvenil, que estreou no Brasil há uma semana, usa as cores, as animações em computação gráfica e a graça do desenho animado, para contar a saga de um elefante que tenta proteger o pólen de uma flor. É lá que está guardada a cidade dos QUEM. Os outros animais da floresta pensam que Horton ficou louco, virou um péssimo exemplo para as novas gerações de bichos. Triste constatação, até no cinema, ou melhor, até a sétima arte, classifica os seres como bons e ruins. É a pura imitação da vida. O filme, com pouco mais de uma hora de duração, traz entre os seus personagens principais a mãe canguru. Ela tem aparência e comportamento de animal e um jeitinho, infame, de julgar os outros habitantes da floresta e planejar maldades. É ela quem decide aprisionar o elefante quando descobre que ele carrega na tromba uma flor, que guarda dentro de suas pétalas, milhares de outras vidas. Mamães cangurus assim encontramos aos montes nas nossas andanças pela vida. São aquelas pessoas que têm o dom de julgar alguém ou alguma coisa sem conhecimento necessário para legitimar as suas conclusões. Enquanto fazem apenas julgamento, tudo bem, ou menos mal. Pior, é quando as mamães-canguru, da não ficção, não aprendem a aceitar as diferenças, desconhecem importantes valores da vida. Simplicidade, igualdade e bom senso. Qualidades que só com sabedoria se adquire. E não importa o quanto pequenos e diferentes somos. Esse saber, todos podem conquistar.
Ainda bem que o garotinho, descrito nas primeiras linhas, já provou de uma gota dessa sabedoria. Percebi isso quando, saindo do cinema, meu filho Ricardo falou: "Mamãe, Horton é um elefante muito legal, vou contar para meus coleginhas da escola".
DENGUE. DE QUEM É A CULPA?
Silmara Miranda
Febre, dores no corpo, principalmente nas articulações, e dor de cabeça. Também pode aparecer manchas vermelhas pelo corpo e, em alguns casos, sangramento. Esta é a cena mais comum, hoje, nos hospitais do Rio de Janeiro, devido ao alastramento da dengue. Qual o motivo, afinal de contas, do surto da doença na cidade?
Febre, dores no corpo, principalmente nas articulações, e dor de cabeça. Também pode aparecer manchas vermelhas pelo corpo e, em alguns casos, sangramento. Esta é a cena mais comum, hoje, nos hospitais do Rio de Janeiro, devido ao alastramento da dengue. Qual o motivo, afinal de contas, do surto da doença na cidade?
Em março de 2002, o Brasil foi atingido por uma das piores epidemias de dengue na sua história. Seis anos depois, o mosquito volta a atacar. Segundo dados do Ministério da Saúde, já foram registrados quase 50 mil casos da doença no Estado do Rio de Janeiro, que resultaram em 70 mortes, sendo 45 somente na cidade carioca. A doença é transmitida apenas através da picada de uma fêmea contaminada do Aedes aegypti, pois o macho se alimenta de seiva de plantas.
As linhagens dos mosquitos, surgiram antes de aglomerações e movimentações nas cidades, assim, tinham poucas chances de causar grandes epidemias e terminavam por falta de hospedeiros susceptíveis. Contudo, com o crescimento populacional urbano, houve uma maior disponibilidade de hospedeiros humanos, propiciando um crescimento substancial da população viral.
Aliado ao aumento da população urbana, existem centenas de favelas nas quais a coleta do lixo ocorre com pouca freqüência e o sistema de esgoto é precário. Dessa forma, torna-se difícil a tarefa de eliminar poços de água, oferecendo conseqüentemente, abrigos para o mosquito pôr seus ovos. Em 90% dos casos, o foco da dengue está nas residências.
Uma característica comum do mosquito é ele picar principalmente ao amanhecer e no final da tarde. Na época do calor - primavera e verão - o seu ciclo reprodutivo fica mais rápido e ele se multiplica com maior velocidade. A temperatura ambiente entre 26 e 28 graus é a que mais favorece o mosquito. Qualquer temperatura inferior a 18 graus o torna inoperante, e com 42 graus, ele morre. Portanto, a incidência de casos da doença é especialmente nos países tropicais como o nosso.
Dessa forma, já que existem condições naturais no Brasil que favorecem a proliferação do mosquito, há de se cuidar do sistema de saúde pública que há muito é precário e insuficiente. A soma da conscientização da população no combate ao transmissor e um sistema de saúde mais eficiente, pode ajudar a erradicar o surto e evitar mais mortes.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Epidemia de desespero
Com o crescente surto de dengue em todo o país, as famílias se desesperam em vista de tantas vitimas da doença. Os focos aumentam a cada dia, para não dizer, a cada minuto. Isso, pela falta de medidas preventivas e pela falta de consciência das pessoas. Em vez de adotarem medidas prévias, antes de acontecer um caos, como está ocorrendo agora, simplesmente se acomodam e não se habilitam a fazerem as partes que lhes cabem como cidadãos. Se cada um fizesse realmente seu papel, o surto de dengue não teria ganhado tal proporção.
As pessoas só descruzam os braços quando a situação se agrava e torna-se quase que incontrolável. Quando não tem mais jeito e a coisa ficou mais feia, é que começam a enxergar e ver a real situação em que estão subordinados. Combater a dengue é dever de todos e a atitude começa dentro da própria casa. A prevenção é um método essencial, senão, o mais importante. Mas todo mundo se previne? Não. A verdade é que o brasileiro deixa tudo para a última hora, e essa última hora, pode ser a única de uma pessoa infectada.
Enquanto a doença não atingir alguém mais próximo, ou seja, um filho ou algum parente, as pessoas não se importam. Mas quando o problema chega dentro de casa, a situação muda. E muda radicalmente. O desespero vem à tona, sincronizado com a sensação de impotência diante de uma situação que poderia ser evitada através da prevenção. Prevenção não só dentro de casa, mas também em todo e qualquer lugar possível.
O mesmo acontece com outras doenças como a febre amarela, transmitida pelo mesmo mosquito transmissor do vírus da dengue, o Aedes aegypti. Em janeiro e fevereiro deste ano, uma epidemia causou pânico em todo o país. E mais uma vez, as pessoas não estavam preparadas para o que estava por vir. Por não se prevenir, a epidemia se alastrou deixando várias vítimas. Os indivíduos já estão condicionados ao desespero e quando uma nova epidemia surgir, reagirão da mesma forma. Uma verdadeira epidemia de desespero.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
É tudo culpa da camisinha!
Helane Carine Aragão
“A camisinha estourou”! Não é difícil escutar esta declaração quando o assunto é gravidez inesperada, sobretudo entre as adolescentes. Uma pesquisa publicada pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-família, demonstra que os índices causam distorções quando o assunto é utilização de preservativos.
“A camisinha estourou”! Não é difícil escutar esta declaração quando o assunto é gravidez inesperada, sobretudo entre as adolescentes. Uma pesquisa publicada pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-família, demonstra que os índices causam distorções quando o assunto é utilização de preservativos.
Segundo a pesquisa, um dos grandes vilões da pratica do sexo desvairado é a propaganda sobre a proteção e uso da camisinha que acaba estimulando a iniciação prematura da atividade sexual. Na pesquisa, 80% dos adolescentes sexualmente ativos afirmam que foram “iniciados” muito cedo, 84% das meninas, até 16 anos para baixo, querem que as escolas lhes ensinem a dizer “não” à relação sexual, sem ferir os sentimentos da outra pessoa”. O fato é que quanto mais adolescentes praticam sexo, maior é quantidade daquelas que correm o risco de engravidar.
Segundo a mesma pesquisa, 83% dos adolescentes tiveram a primeira experiência sexual de maneira inesperada, logo sem uso de preservativo. Outros tantos afirmam que não usaram porque não quiseram. O velho discurso que só engravida quem quer é certo. Falta de informação, instrução e liberdade para se tratar o assunto nunca foram tão permitidas e acessíveis.
Se a publicidade incita a atividade sexual, por outro lado conscientiza a população dos perigos que se corre em não praticar sexo seguro. Ana Carolina Cunha de Oliveira pariu aos 17 anos. Ela é mãe da menina Isabella Nardoni, criança encontrada no jardim do edifício onde, ao que parece, foi arremessada pela janela do apartamento do sexto andar, onde mora o pai, Alexandre Nardoni, caso fortemente discutido nos últimos dias na impressa.
Durante entrevista ao Fantástico, a mãe conta o quão amiga e companheira de uma criança de cinco anos ela era. Na ocasião, como a própria Ana Carolina relata, ao dar a luz já estava solteira. Caso típico de gravidez na adolescência.
Uma mãe solteira aos 17 anos perde fases essenciais no amadurecimento e aprendizado necessários para a formação do estágio adulto. Nestes casos o processo é interrompido para cuidar-se de outra criança. Tudo indica que Ana Carolina é uma pessoa equilibrada, que contou com o apoio da família e talvez a imaturidade a tenha ajudado a superar de maneira tão fria a perda da filha.
Enquanto os holofotes estão virados para o pai Alexandre Nardoni e a esposa Anna Carolina Trota Jatobá, madrasta de Isabella, e mãe de dois filhos com Alexandre, o que não faz pensar e ponderar que a própria mãe da pequena falecida quisesse a própria vida de volta?
Uma gravidez prematura movimenta aspectos físicos e psicológicos que uma menina de 17 anos não tem estrutura psicoemocional de gerir. Casos e mais casos de abandono e maus-tratos são constantemente noticiados. Diante de tantos acontecimentos, quem pode ser responsabilizado por uma camisinha furada?
quarta-feira, 7 de maio de 2008
A FORÇA DA TV
A televisão vem sendo objeto de pesquisa de vários estudiosos. Inúmeras questões já foram abordadas, mas não se tem conclusão nenhuma acerca do que é esse aparelhinho aparentemente inofensivo capaz de fazer maravilhas e barbárie. Essa coisa chamada TV chegou no Brasil na década de 50, sem nenhuma cerimônia, foi fincando raízes, entrando sem pedir licença nos lares e conseguindo transformar as pessoas e toda a sociedade. O poder é tão grande que induz o país de norte a sul.
Tem uma produção eclética. Qualquer um consegue identificar-se com os programas de auditório, novelas, esportes, notícias, enfim, o cardápio é variado. Basta colocar o dedo no controle e está ali o desejado, é a gosto do cliente. Com características próprias, a TV possui grande poder junto à sociedade. Tudo que é mostrado provoca discussões, debates, indignação e revolta na população. Por isso é preciso cautela na hora de noticiar um fato.
Nas últimas semanas a televisão tem dado espaço diário a um crime que aconteceu em São Paulo, onde a vítima foi uma garota de cinco anos morta misteriosamente. As autoridades não conseguiram ainda saber quem são os verdadeiros culpados. Mas, noticiaram a prisão de dois suspeitos, deixando a entender nos comentários que os acusados são os verdadeiros assassinos, antes mesmo de sair o resultado do inquérito policial. A notícia da morte da criança causou indignação entre os brasileiros, mas isso não dá o direito à TV de colocar a opinião pública contra os dois principais suspeitos. Já que a lei é clara: todos são inocentes aos olhos da lei até que se prove o contrário.
A relação entre televisão e sociedade é complexa e se faz necessária muita precaução na hora de usar a autoridade desse pequeno aparelho que tem o poder, para não prejudicar pessoas inocentes como já foi feito no passado. O caso da Escola Base é um deles e tornou-se um assunto muito discutido pelos estudantes de comunicação, que aprendem desde o início que uma informação dada como verdade, sem que tenha ocorrido o esclarecimento dos fatos, pode comprometer eternamente a vida de pessoas inocentes.
Mas, esquecimento ou não, muitos ex-alunos estão atuando no mercado de trabalho e parecem esquecer tudo o que viram na academia. As imposições dos proprietários dos grandes veículos, que é a audiência a qualquer custo, são absorvidas abruptamente, e chega a ser louvável a tamanha dedicação desses profissionais, pena que por motivos obscuros. A fama e o dinheiro são grandes vilões dessa história de sofrimento e dores incuráveis de pessoas inocentes. A forma de fazer telejornalismo deve ser reavaliada, antes que seja tarde demais. Devemos todos nos preocupar, e muito, com isso. Hoje são eles, amanhã poderá ser você.
* Por Márcia Barreto
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Os mortos vivos
Pedro Levindo
Há alguns anos não passa mês sem que se encontre, em algum veículo de comunicação americano, um artigo ou matéria que, entre outras coisas, decreta a morte dos jornais impressos. Jornalistas, especialistas (em quê, mesmo?), analistas e investidores resolveram voltar suas baterias com força total contra diários e agora também contra as revistas semanais. E tome-lhe bombardeio. Ninguém estipulou uma data exata ainda, mas há quem diga que de 2050 não passa. Passa. Assim como em 2050 não viveremos em estruturas de vidro e metal que ficam acima das nuvens, nem andaremos em carros voadores, nem usaremos ridículas roupas prateadas, os jornais e revistas ainda existirão.
É óbvio que a situação dos meios de comunicação impressos, como jornais e revistas, não é das mais confortáveis. Ambos estão perdendo receita publicitária para a Internet, e os jornais têm perdido leitores, em alguns casos, num ritmo acelerado. Como toda teoria, novo formato e novidade, os números e previsões catastróficas vêm dos Estados Unidos. Alguns dados para o leitor se assustar: desde 1990, 25% das vagas na imprensa americana foram extintas; nos últimos três anos as redes de jornais americanas com ações na bolsa perderam 42% de seu valor de mercado; apenas 20% dos jovens americanos (18-34 anos) lêem jornal, entre outras considerações. Isso se alia aos fatos de que os jovens têm preferido buscar na Internet suas fontes de informação, o leitor médio de jornal (que tem 55 anos) está envelhecendo e lendo cada vez menos (30 minutos por dia) e o público confia cada vez menos na imprensa (cerca de 20%). O cenário ruim acaba de piorar.
Alguns desses dados estão presentes em artigo do repórter Eric Alterman, da prestigiada revista americana The New Yorker. Outros são de conhecimento público. O que importa realmente, no entanto, é que o fim não está próximo para os jornais, até porque não haverá fim. As razões para isso são inúmeras. Algumas delas foram expostas pelo próprio Alterman em seu artigo (ele não fez qualquer previsão ali).
Aos que acham que a Internet é grande produtora de conteúdo informativo, é bom que pensem de novo. As maiorias dos blogs, considerados revolucionários por muitos, simplesmente ecoam o que a chamada grande imprensa diz. Como muitos editores e jornalistas apontam, garimpar informações e redigi-las de modo adequado, ouvindo diferentes fontes, é caro. Juntar um monte de conteúdo que alguns veículos já produziram e jogar tudo isso na Internet, opinando em cima, é bem barato. Ou seja, fica difícil imaginar um mundo com blogs quando o maior facilitador de sua existência, os jornais impressos, não existem mais.
Alguns jornais investem pesadamente na Internet. O projeto considerado mais avançado, por enquanto, é o do New York Times. Prestigiado diário americano, o jornal nova-iorquino é considerado pro muitos o melhor do planeta. Ainda vende bastante e tem atraído leitores para seu site. Nada disso, contudo, impediu que perdesse metade de seu valor de bolsa no ano passado. Se o New York Times está desse jeito, calcule o resto.
Mas o NYT não vai sumir. Apesar de alguns erros recentes, ainda é um grande jornal. E todos os países precisam de jornais, principalmente grandes jornais. Por menos que as pessoas se informem, ao menos uma parcela delas precisa se informar. E são os jornais os responsáveis por levar, diariamente, as notícias mais importantes ao público. São eles também, ainda, os veículos a agendar a pauta de outros meios. E, principalmente, são eles que trazem a maior quantidade de informação ao leitor. É claro que você acha arquivos enormes e quantidades também gigantescas de informação na Internet. Acha, em geral, nos sites dos jornais impressos.
Além da quantidade de informações, há ainda a qualidade dos textos. Quem lê algo na Internet não lê, passa o olho. Poucos têm paciência para ficar horas à frente de um computador lendo o que quer que seja. E quem é um pouco mais exigente tem menos paciência ainda para ler textos telegráficos e pouco contextualizados.
Há, contudo, a questão da rapidez. O jornal realmente é mais lento. Leva 24 horas para se atualizar ou corrigir erros. Os sites levam segundos. Entretanto, é fato que a probabilidade de se cometer erros quando se faz algo com pressa também é maior.
Quanto ao público, ele de fato está mudando. Muitos não se interessam mais por notícias. Muitos, inclusive jornalistas, não têm a menor idéia do que se passa a seu redor. Neste caso, quem está perdido não são os jornais. É o público. Para alento da indústria de jornais e revistas, no entanto, quem lê em geral é fiel. E caso receba informação, análise, opinião, e vá lá, entretenimento de qualidade, o leitor se mantém fiel.
Outro ponto para os jornais é que quem gosta de ler gosta mesmo é de papel. O leitor pode ir aonde bem entender com seu jornal, revista ou livro. A maneira menos incômoda de ler num computador é no notebook. No entanto, apesar de pesarem cada vez menos, pesam bem mais que papel. Além do mais, custam muito mais caro. O notebook também não lhe dá o prazer de virar a página, voltar à página anterior, sentir o papel, leva-lo a inúmeros lugares, marcar o lugar onde parou a leitura, etc. Esse prazer só o papel, no jornal, na revista e no livro, proporciona.
Além do mais, quem estiver interessado em algo específico muitas vezes tem de buscar o que quer na Internet. No jornal o assunto se apresenta a você, de forma fácil, acessível e palatável. Você não que ir à cozinha de um restaurante para ver o que vai comer, você pede o cardápio, certo?
É óbvio que a situação dos meios de comunicação impressos, como jornais e revistas, não é das mais confortáveis. Ambos estão perdendo receita publicitária para a Internet, e os jornais têm perdido leitores, em alguns casos, num ritmo acelerado. Como toda teoria, novo formato e novidade, os números e previsões catastróficas vêm dos Estados Unidos. Alguns dados para o leitor se assustar: desde 1990, 25% das vagas na imprensa americana foram extintas; nos últimos três anos as redes de jornais americanas com ações na bolsa perderam 42% de seu valor de mercado; apenas 20% dos jovens americanos (18-34 anos) lêem jornal, entre outras considerações. Isso se alia aos fatos de que os jovens têm preferido buscar na Internet suas fontes de informação, o leitor médio de jornal (que tem 55 anos) está envelhecendo e lendo cada vez menos (30 minutos por dia) e o público confia cada vez menos na imprensa (cerca de 20%). O cenário ruim acaba de piorar.
Alguns desses dados estão presentes em artigo do repórter Eric Alterman, da prestigiada revista americana The New Yorker. Outros são de conhecimento público. O que importa realmente, no entanto, é que o fim não está próximo para os jornais, até porque não haverá fim. As razões para isso são inúmeras. Algumas delas foram expostas pelo próprio Alterman em seu artigo (ele não fez qualquer previsão ali).
Aos que acham que a Internet é grande produtora de conteúdo informativo, é bom que pensem de novo. As maiorias dos blogs, considerados revolucionários por muitos, simplesmente ecoam o que a chamada grande imprensa diz. Como muitos editores e jornalistas apontam, garimpar informações e redigi-las de modo adequado, ouvindo diferentes fontes, é caro. Juntar um monte de conteúdo que alguns veículos já produziram e jogar tudo isso na Internet, opinando em cima, é bem barato. Ou seja, fica difícil imaginar um mundo com blogs quando o maior facilitador de sua existência, os jornais impressos, não existem mais.
Alguns jornais investem pesadamente na Internet. O projeto considerado mais avançado, por enquanto, é o do New York Times. Prestigiado diário americano, o jornal nova-iorquino é considerado pro muitos o melhor do planeta. Ainda vende bastante e tem atraído leitores para seu site. Nada disso, contudo, impediu que perdesse metade de seu valor de bolsa no ano passado. Se o New York Times está desse jeito, calcule o resto.
Mas o NYT não vai sumir. Apesar de alguns erros recentes, ainda é um grande jornal. E todos os países precisam de jornais, principalmente grandes jornais. Por menos que as pessoas se informem, ao menos uma parcela delas precisa se informar. E são os jornais os responsáveis por levar, diariamente, as notícias mais importantes ao público. São eles também, ainda, os veículos a agendar a pauta de outros meios. E, principalmente, são eles que trazem a maior quantidade de informação ao leitor. É claro que você acha arquivos enormes e quantidades também gigantescas de informação na Internet. Acha, em geral, nos sites dos jornais impressos.
Além da quantidade de informações, há ainda a qualidade dos textos. Quem lê algo na Internet não lê, passa o olho. Poucos têm paciência para ficar horas à frente de um computador lendo o que quer que seja. E quem é um pouco mais exigente tem menos paciência ainda para ler textos telegráficos e pouco contextualizados.
Há, contudo, a questão da rapidez. O jornal realmente é mais lento. Leva 24 horas para se atualizar ou corrigir erros. Os sites levam segundos. Entretanto, é fato que a probabilidade de se cometer erros quando se faz algo com pressa também é maior.
Quanto ao público, ele de fato está mudando. Muitos não se interessam mais por notícias. Muitos, inclusive jornalistas, não têm a menor idéia do que se passa a seu redor. Neste caso, quem está perdido não são os jornais. É o público. Para alento da indústria de jornais e revistas, no entanto, quem lê em geral é fiel. E caso receba informação, análise, opinião, e vá lá, entretenimento de qualidade, o leitor se mantém fiel.
Outro ponto para os jornais é que quem gosta de ler gosta mesmo é de papel. O leitor pode ir aonde bem entender com seu jornal, revista ou livro. A maneira menos incômoda de ler num computador é no notebook. No entanto, apesar de pesarem cada vez menos, pesam bem mais que papel. Além do mais, custam muito mais caro. O notebook também não lhe dá o prazer de virar a página, voltar à página anterior, sentir o papel, leva-lo a inúmeros lugares, marcar o lugar onde parou a leitura, etc. Esse prazer só o papel, no jornal, na revista e no livro, proporciona.
Além do mais, quem estiver interessado em algo específico muitas vezes tem de buscar o que quer na Internet. No jornal o assunto se apresenta a você, de forma fácil, acessível e palatável. Você não que ir à cozinha de um restaurante para ver o que vai comer, você pede o cardápio, certo?
Por essas e outras o jornal e a revista - nem eles nem seu formato de papel – vão morrer. Apesar do que dizem alguns “analistas”, “especialistas”, investidores e, claro, jornalistas. Estes devem ir bem antes do centenário jornal.
Os mortos vivos
Pedro Levindo
Há alguns anos não passa mês sem que se encontre, em algum veículo de comunicação americano, um artigo ou matéria que, entre outras coisas, decreta a morte dos jornais impressos. Jornalistas, especialistas (em quê, mesmo?), analistas e investidores resolveram voltar suas baterias com força total contra diários e agora também contra as revistas semanais. E tome-lhe bombardeio. Ninguém estipulou uma data exata ainda, mas há quem diga que de 2050 não passa. Passa. Assim como em 2050 não viveremos em estruturas de vidro e metal que ficam acima das nuvens, nem andaremos em carros voadores, nem usaremos ridículas roupas prateadas, os jornais e revistas ainda existirão.
É óbvio que a situação dos meios de comunicação impressos, como jornais e revistas, não é das mais confortáveis. Ambos estão perdendo receita publicitária para a Internet, e os jornais têm perdido leitores, em alguns casos, num ritmo acelerado. Como toda teoria, novo formato e novidade, os números e previsões catastróficas vêm dos Estados Unidos. Alguns dados para o leitor se assustar: desde 1990, 25% das vagas na imprensa americana foram extintas; nos últimos três anos as redes de jornais americanas com ações na bolsa perderam 42% de seu valor de mercado; apenas 20% dos jovens americanos (18-34 anos) lêem jornal, entre outras considerações. Isso se alia aos fatos de que os jovens têm preferido buscar na Internet suas fontes de informação, o leitor médio de jornal (que tem 55 anos) está envelhecendo e lendo cada vez menos (30 minutos por dia) e o público confia cada vez menos na imprensa (cerca de 20%). O cenário ruim acaba de piorar.
Alguns desses dados estão presentes em artigo do repórter Eric Alterman, da prestigiada revista americana The New Yorker. Outros são de conhecimento público. O que importa realmente, no entanto, é que o fim não está próximo para os jornais, até porque não haverá fim. As razões para isso são inúmeras. Algumas delas foram expostas pelo próprio Alterman em seu artigo (ele não fez qualquer previsão ali).
Aos que acham que a Internet é grande produtora de conteúdo informativo, é bom que pensem de novo. As maiorias dos blogs, considerados revolucionários por muitos, simplesmente ecoam o que a chamada grande imprensa diz. Como muitos editores e jornalistas apontam, garimpar informações e redigi-las de modo adequado, ouvindo diferentes fontes, é caro. Juntar um monte de conteúdo que alguns veículos já produziram e jogar tudo isso na Internet, opinando em cima, é bem barato. Ou seja, fica difícil imaginar um mundo com blogs quando o maior facilitador de sua existência, os jornais impressos, não existem mais.
Alguns jornais investem pesadamente na Internet. O projeto considerado mais avançado, por enquanto, é o do New York Times. Prestigiado diário americano, o jornal nova-iorquino é considerado pro muitos o melhor do planeta. Ainda vende bastante e tem atraído leitores para seu site. Nada disso, contudo, impediu que perdesse metade de seu valor de bolsa no ano passado. Se o New York Times está desse jeito, calcule o resto.
Mas o NYT não vai sumir. Apesar de alguns erros recentes, ainda é um grande jornal. E todos os países precisam de jornais, principalmente grandes jornais. Por menos que as pessoas se informem, ao menos uma parcela delas precisa se informar. E são os jornais os responsáveis por levar, diariamente, as notícias mais importantes ao público. São eles também, ainda, os veículos a agendar a pauta de outros meios. E, principalmente, são eles que trazem a maior quantidade de informação ao leitor. É claro que você acha arquivos enormes e quantidades também gigantescas de informação na Internet. Acha, em geral, nos sites dos jornais impressos.
Além da quantidade de informações, há ainda a qualidade dos textos. Quem lê algo na Internet não lê, passa o olho. Poucos têm paciência para ficar horas à frente de um computador lendo o que quer que seja. E quem é um pouco mais exigente tem menos paciência ainda para ler textos telegráficos e pouco contextualizados.
Há, contudo, a questão da rapidez. O jornal realmente é mais lento. Leva 24 horas para se atualizar ou corrigir erros. Os sites levam segundos. Entretanto, é fato que a probabilidade de se cometer erros quando se faz algo com pressa também é maior.
Quanto ao público, ele de fato está mudando. Muitos não se interessam mais por notícias. Muitos, inclusive jornalistas, não têm a menor idéia do que se passa a seu redor. Neste caso, quem está perdido não são os jornais. É o público. Para alento da indústria de jornais e revistas, no entanto, quem lê em geral é fiel. E caso receba informação, análise, opinião, e vá lá, entretenimento de qualidade, o leitor se mantém fiel.
Outro ponto para os jornais é que quem gosta de ler gosta mesmo é de papel. O leitor pode ir aonde bem entender com seu jornal, revista ou livro. A maneira menos incômoda de ler num computador é no notebook. No entanto, apesar de pesarem cada vez menos, pesam bem mais que papel. Além do mais, custam muito mais caro. O notebook também não lhe dá o prazer de virar a página, voltar à página anterior, sentir o papel, leva-lo a inúmeros lugares, marcar o lugar onde parou a leitura, etc. Esse prazer só o papel, no jornal, na revista e no livro, proporciona.
Além do mais, quem estiver interessado em algo específico muitas vezes tem de buscar o que quer na Internet. No jornal o assunto se apresenta a você, de forma fácil, acessível e palatável. Você não que ir à cozinha de um restaurante para ver o que vai comer, você pede o cardápio, certo?
É óbvio que a situação dos meios de comunicação impressos, como jornais e revistas, não é das mais confortáveis. Ambos estão perdendo receita publicitária para a Internet, e os jornais têm perdido leitores, em alguns casos, num ritmo acelerado. Como toda teoria, novo formato e novidade, os números e previsões catastróficas vêm dos Estados Unidos. Alguns dados para o leitor se assustar: desde 1990, 25% das vagas na imprensa americana foram extintas; nos últimos três anos as redes de jornais americanas com ações na bolsa perderam 42% de seu valor de mercado; apenas 20% dos jovens americanos (18-34 anos) lêem jornal, entre outras considerações. Isso se alia aos fatos de que os jovens têm preferido buscar na Internet suas fontes de informação, o leitor médio de jornal (que tem 55 anos) está envelhecendo e lendo cada vez menos (30 minutos por dia) e o público confia cada vez menos na imprensa (cerca de 20%). O cenário ruim acaba de piorar.
Alguns desses dados estão presentes em artigo do repórter Eric Alterman, da prestigiada revista americana The New Yorker. Outros são de conhecimento público. O que importa realmente, no entanto, é que o fim não está próximo para os jornais, até porque não haverá fim. As razões para isso são inúmeras. Algumas delas foram expostas pelo próprio Alterman em seu artigo (ele não fez qualquer previsão ali).
Aos que acham que a Internet é grande produtora de conteúdo informativo, é bom que pensem de novo. As maiorias dos blogs, considerados revolucionários por muitos, simplesmente ecoam o que a chamada grande imprensa diz. Como muitos editores e jornalistas apontam, garimpar informações e redigi-las de modo adequado, ouvindo diferentes fontes, é caro. Juntar um monte de conteúdo que alguns veículos já produziram e jogar tudo isso na Internet, opinando em cima, é bem barato. Ou seja, fica difícil imaginar um mundo com blogs quando o maior facilitador de sua existência, os jornais impressos, não existem mais.
Alguns jornais investem pesadamente na Internet. O projeto considerado mais avançado, por enquanto, é o do New York Times. Prestigiado diário americano, o jornal nova-iorquino é considerado pro muitos o melhor do planeta. Ainda vende bastante e tem atraído leitores para seu site. Nada disso, contudo, impediu que perdesse metade de seu valor de bolsa no ano passado. Se o New York Times está desse jeito, calcule o resto.
Mas o NYT não vai sumir. Apesar de alguns erros recentes, ainda é um grande jornal. E todos os países precisam de jornais, principalmente grandes jornais. Por menos que as pessoas se informem, ao menos uma parcela delas precisa se informar. E são os jornais os responsáveis por levar, diariamente, as notícias mais importantes ao público. São eles também, ainda, os veículos a agendar a pauta de outros meios. E, principalmente, são eles que trazem a maior quantidade de informação ao leitor. É claro que você acha arquivos enormes e quantidades também gigantescas de informação na Internet. Acha, em geral, nos sites dos jornais impressos.
Além da quantidade de informações, há ainda a qualidade dos textos. Quem lê algo na Internet não lê, passa o olho. Poucos têm paciência para ficar horas à frente de um computador lendo o que quer que seja. E quem é um pouco mais exigente tem menos paciência ainda para ler textos telegráficos e pouco contextualizados.
Há, contudo, a questão da rapidez. O jornal realmente é mais lento. Leva 24 horas para se atualizar ou corrigir erros. Os sites levam segundos. Entretanto, é fato que a probabilidade de se cometer erros quando se faz algo com pressa também é maior.
Quanto ao público, ele de fato está mudando. Muitos não se interessam mais por notícias. Muitos, inclusive jornalistas, não têm a menor idéia do que se passa a seu redor. Neste caso, quem está perdido não são os jornais. É o público. Para alento da indústria de jornais e revistas, no entanto, quem lê em geral é fiel. E caso receba informação, análise, opinião, e vá lá, entretenimento de qualidade, o leitor se mantém fiel.
Outro ponto para os jornais é que quem gosta de ler gosta mesmo é de papel. O leitor pode ir aonde bem entender com seu jornal, revista ou livro. A maneira menos incômoda de ler num computador é no notebook. No entanto, apesar de pesarem cada vez menos, pesam bem mais que papel. Além do mais, custam muito mais caro. O notebook também não lhe dá o prazer de virar a página, voltar à página anterior, sentir o papel, leva-lo a inúmeros lugares, marcar o lugar onde parou a leitura, etc. Esse prazer só o papel, no jornal, na revista e no livro, proporciona.
Além do mais, quem estiver interessado em algo específico muitas vezes tem de buscar o que quer na Internet. No jornal o assunto se apresenta a você, de forma fácil, acessível e palatável. Você não que ir à cozinha de um restaurante para ver o que vai comer, você pede o cardápio, certo?
Por essas e outras o jornal e a revista - nem eles nem seu formato de papel – vão morrer. Apesar do que dizem alguns “analistas”, “especialistas”, investidores e, claro, jornalistas. Estes devem ir bem antes do centenário jornal.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Horror Show

Um tiro no pulmão dos brasileiros. Primeiro, a crônica de horrores da empresária goiana Sílvia Calabresi Lima, que torturava e mutilava cotidianamente, em sua área de serviço, uma menina de doze anos adotada ilegalmente. Agora, a morte de Isabella Nardoni, aparentemente arremessada, aos cinco anos de idade, por um buraco na tela de proteção instalada numa janela do apartamento do pai. Ambos, crimes brutais, casos chocantes envolvendo crianças. Perdemos o fôlego.
A curiosidade sobre a resolução dos casos, principalmente do último, ainda sem solução, é natural. Mas a pergunta imediata que me faço é: até onde pode ir uma especulação? E isto se refere, principalmente, ao trabalho da imprensa e das mídias televisiva e online, que aderiram a uma maratona insana para ver quem ocupa mais tempo da programação, ou vai mais longe, sugerindo desfechos possíveis para o episódio.
Quem assistiu a edição de sábado do Aqui Agora (só a volta desse programa já valeria o comentário) viu uma entrevista deprimente com uma psicanalista, a quem o repórter insistia em perguntar sobre o que levaria o pai a assassinar Isabella. Posta na parede, a entrevistada tentava medir as palavras, mas não deixou de afirmar que Alexandre Nardoni tem o biótipo de pessoas que são acometidas de surto psicótico. Um exemplar típico de dupla especulação, tendo em vista que nem mesmo a polícia definiu o assassino e quais as suas razões. As imagens da criança, exaustivamente expostas, são complementadas com tomadas aéreas da rua da mãe Ana Carolina, em plena noite.
Quem pensar que apenas palpiteiros de praxe, conhecidamente sensacionalistas, como Luís Datena, andam abusando da inteligência emocional do espectador, o G1 (site de notícias da Globo.com) prova o contrário. Uma matéria do último domingo traz o seguinte: “Prédio de onde Isabella caiu vira atração”. Este é o título da reportagem feita por Carolina Iskandarian (será que ela e seus editores já ouviram falar sobre direito ao contraditório e ampla defesa?), que chega a citar um “clima de hostilidade” por parte dos moradores do edifício London, de onde Isabella foi atirada. E teria mesmo coisa mais agressiva, invasiva e hostil que o assédio dos curiosos e da imprensa? “Não é justo o que vocês estão fazendo com a gente. Isso aqui não é ponto turístico. As crianças não podem mais descer para brincar. Quando é que vamos ter privacidade?”, respondeu uma moradora do segundo andar.
Outra façanha ocorreu na edição de O Globo, sábado passado. Além de resgatar Xuxa do ostracismo, o impresso cedeu espaço a uma rainha dos baixinhos cheia de razão sobre o caso Isabella. Sim, porque ela já afirma em sua carta aberta que o responsável pela menina jogou-a da janela na tentativa de educá-la. É isso mesmo ou eu entendi errado?
Para além dos veículos de comunicação que vendem capas e competem pelos shares de audiência, a polícia contribui sensivelmente para a crucificação do pai e da madrasta de Isabella e torna cada descoberta, uma cena do espetáculo. Mesmo com o inquérito sobre a morte da menina, correndo em segredo de Justiça, a relação promíscua entre jornalistas e policiais reproduzem atitudes intempestivas - como a de uma delegada que, no dia seguinte à tragédia, aos brados, anunciava quem era o assassino – ou, no mínimo, espalhafatosas. Vide o promotor de Justiça Francisco Cembranelli, perito em “exclusivas” e coletivas recheadas de comentários que insinuam suspeição do casal.
Este purgatório midiático produziu uma sensação de constante ansiedade no âmbito doméstico. O assunto virou tema de rodas de amigos e, em alguns casos, antes mesmo de qualquer outro assunto, comenta-se sobre a culpa da morte da pequena Nardoni, o conhecimento de provas e avanços da perícia técnica, a reação da mãe e dos avós paternos, o que ocorreu antes do crime; verdadeira corrente especulativa extra-mídia, que retroalimenta os noticiários.
Alguns homens de imprensa voltaram a 1994. O primeiro deles, o veterano Alexandre Garcia pedia cautela no Jornal da Manhã, três dias após o crime, ao lembrar o caso da Escola Base, quando duas mães de alunos denunciaram à polícia que seus filhos haviam sido molestados sexualmente pelos donos da escola – eles eram inocentes, mas foram publicamente linchados. Outros suscitaram a acusação de assassinato, sem provas, dos pais da inglesinha Madeleine McCann, desaparecida em Portugal e cujo corpo jamais foi encontrado.
Quem matou? A pergunta comum aos capítulos finais das telenovelas da Rede Globo talvez não deixe tão cedo o olhar da audiência. De fato, o acompanhamento da opinião pública perante questões judiciais é fundamental para exigir uma investigação isenta e eficiente. É bom lembrar, apenas, que a garotinha de cinco anos não é mais uma personagem de Gilberto Braga, assassinada ao final da trama: mais respeito a Isabella Nardoni e à teia de bestialidade que originou o seu trágico falecimento.
A curiosidade sobre a resolução dos casos, principalmente do último, ainda sem solução, é natural. Mas a pergunta imediata que me faço é: até onde pode ir uma especulação? E isto se refere, principalmente, ao trabalho da imprensa e das mídias televisiva e online, que aderiram a uma maratona insana para ver quem ocupa mais tempo da programação, ou vai mais longe, sugerindo desfechos possíveis para o episódio.
Quem assistiu a edição de sábado do Aqui Agora (só a volta desse programa já valeria o comentário) viu uma entrevista deprimente com uma psicanalista, a quem o repórter insistia em perguntar sobre o que levaria o pai a assassinar Isabella. Posta na parede, a entrevistada tentava medir as palavras, mas não deixou de afirmar que Alexandre Nardoni tem o biótipo de pessoas que são acometidas de surto psicótico. Um exemplar típico de dupla especulação, tendo em vista que nem mesmo a polícia definiu o assassino e quais as suas razões. As imagens da criança, exaustivamente expostas, são complementadas com tomadas aéreas da rua da mãe Ana Carolina, em plena noite.
Quem pensar que apenas palpiteiros de praxe, conhecidamente sensacionalistas, como Luís Datena, andam abusando da inteligência emocional do espectador, o G1 (site de notícias da Globo.com) prova o contrário. Uma matéria do último domingo traz o seguinte: “Prédio de onde Isabella caiu vira atração”. Este é o título da reportagem feita por Carolina Iskandarian (será que ela e seus editores já ouviram falar sobre direito ao contraditório e ampla defesa?), que chega a citar um “clima de hostilidade” por parte dos moradores do edifício London, de onde Isabella foi atirada. E teria mesmo coisa mais agressiva, invasiva e hostil que o assédio dos curiosos e da imprensa? “Não é justo o que vocês estão fazendo com a gente. Isso aqui não é ponto turístico. As crianças não podem mais descer para brincar. Quando é que vamos ter privacidade?”, respondeu uma moradora do segundo andar.
Outra façanha ocorreu na edição de O Globo, sábado passado. Além de resgatar Xuxa do ostracismo, o impresso cedeu espaço a uma rainha dos baixinhos cheia de razão sobre o caso Isabella. Sim, porque ela já afirma em sua carta aberta que o responsável pela menina jogou-a da janela na tentativa de educá-la. É isso mesmo ou eu entendi errado?
Para além dos veículos de comunicação que vendem capas e competem pelos shares de audiência, a polícia contribui sensivelmente para a crucificação do pai e da madrasta de Isabella e torna cada descoberta, uma cena do espetáculo. Mesmo com o inquérito sobre a morte da menina, correndo em segredo de Justiça, a relação promíscua entre jornalistas e policiais reproduzem atitudes intempestivas - como a de uma delegada que, no dia seguinte à tragédia, aos brados, anunciava quem era o assassino – ou, no mínimo, espalhafatosas. Vide o promotor de Justiça Francisco Cembranelli, perito em “exclusivas” e coletivas recheadas de comentários que insinuam suspeição do casal.
Este purgatório midiático produziu uma sensação de constante ansiedade no âmbito doméstico. O assunto virou tema de rodas de amigos e, em alguns casos, antes mesmo de qualquer outro assunto, comenta-se sobre a culpa da morte da pequena Nardoni, o conhecimento de provas e avanços da perícia técnica, a reação da mãe e dos avós paternos, o que ocorreu antes do crime; verdadeira corrente especulativa extra-mídia, que retroalimenta os noticiários.
Alguns homens de imprensa voltaram a 1994. O primeiro deles, o veterano Alexandre Garcia pedia cautela no Jornal da Manhã, três dias após o crime, ao lembrar o caso da Escola Base, quando duas mães de alunos denunciaram à polícia que seus filhos haviam sido molestados sexualmente pelos donos da escola – eles eram inocentes, mas foram publicamente linchados. Outros suscitaram a acusação de assassinato, sem provas, dos pais da inglesinha Madeleine McCann, desaparecida em Portugal e cujo corpo jamais foi encontrado.
Quem matou? A pergunta comum aos capítulos finais das telenovelas da Rede Globo talvez não deixe tão cedo o olhar da audiência. De fato, o acompanhamento da opinião pública perante questões judiciais é fundamental para exigir uma investigação isenta e eficiente. É bom lembrar, apenas, que a garotinha de cinco anos não é mais uma personagem de Gilberto Braga, assassinada ao final da trama: mais respeito a Isabella Nardoni e à teia de bestialidade que originou o seu trágico falecimento.
*Maria Isis
O verdadeiro rei

Na Itália, o fanatismo pelo futebol pode ser igualável ao nosso, pentacampeão e considerado por muitos, o melhor de todos. Lá, a adoração pelos jogadores canarinhos é enorme. Estes, presentes em todas as ligas, desde os clubes mais populares até os de menor expressão, são considerados ídolos e peças-chave para as esquadras.
Tamanha adoração atravessa os anos e nos remete a jogadores como Mazzola, que se naturalizou italiano, tornando-se um dos maiores ídolos do Milan, Careca e Ronaldo, só para citar alguns. Mas não pode deixar de se falar no mais lembrado da cidade eterna, o “Rei de Roma”, Falcão.
Jogador de muita classe, que costumeiramente marcava gols, que ajudavam o seu clube, mesmo sendo um volante de posição original, Falcão se destacou logo no início da sua carreira, no Internacional de Porto Alegre, e logo se transferiu para a Roma, clube de muita expressão na Itália, mas que não conquistava um título há 40 anos.
A fila que o clube se encontrava, logo foi extinta com o reforço de Falcão, e o clube, conquistou diversos títulos se consagrando entre os maiores da Europa. Jogadores como
Contudo, os anos se passaram, e um jovem jogador, vindo das divisões de base do clube se destacou e se tornou peça fundamental, tornando-se titular e também o líder e símbolo do time. Em um elenco que possuía jogadores mais velhos e de maior experiência, Totti logo se tornou capitão e referência para os torcedores fanáticos do clube.
Assim como Falcão, Francesco Totti comandou seu time para conquista de vários títulos no início dos anos 2000. Eleito várias vezes o melhor jogador do país, Totti obteve sua glória máxima com a conquista da Copa do Mundo de 2006, contribuindo com lindos passes e gols, mesmo sem estar na sua melhor forma física, pois voltava de uma grave contusão no tornozelo esquerdo.
Depois da Copa, e com a velha forma adquirida, Totti vem se exibindo numa forma extraordinária, marcando gols e trazendo a esperança para os torcedores da Roma de mais títulos nesta temporada, considerado, até agora, um dos melhores jogadores do campeonato. Com mais de 200 gols marcados em toda sua carreira, jogando unicamente no seu clube de coração, Francesco Totti é o maior artilheiro da esquadra romanista.
Falcão, com toda habilidade e importância no passado da Roma é merecedor de um lugar especial nas galerias e na vida deste grande clube. Mas, sem dúvida Totti, por ser um jogador com mais representatividade frente à torcida, de muitos títulos, que mais jogou e marcou pelo clube, ser “prata da casa”, e nascido na cidade eterna, além de ser declaradamente torcedor apaixonado da Roma, torna-se justo coroá-lo como o “rei” de Roma.
*Emerson Cunha
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