Há quatro anos quando vim morar em Salvador eu pensava: “Essa é a terra da tranqüilidade... mar, água de côco e só alegria”. Estava certa até ter de enfrentar o trânsito de Salvador. Os problemas envolvem a organização do tráfego, pistas esburacadas, má sinalização e ônibus sucateados. Sem contar a má formação dos condutores baianos.
Passar às seis horas da tarde em frente ao Shopping Iguatemi sempre foi um tormento. O Crea-BA diz que a frota de veículos particulares em Salvador tem crescido 5% nos últimos anos, aumentando assim, o volume de congestionamentos. Esse aumento se deve, entre outras coisas, à grande facilidade para se conseguir crédito para a compra de carros novos ou usados (chegam a ser parcelados em até 80 vezes) e a falta de transportes de massa de qualidade.
Salvador, coitada, foi uma terra preparada apenas para o sol forte. A culpa é de São Pedro por mandar torrentes de chuva que inundam a cidade, afundam carros e, quando vão embora, deixam suas marcas registradas: buracos no asfalto que parece feito de açúcar.
Outro fator que contribui, e muito, para o caos no trânsito é a má formação dos motoristas. A faixa de pedestres e a de prioridade para ônibus são meramente simbólicas. O pedestre não sabe se espera até uma alma caridosa parar, ou se atravessa correndo – neste caso, em vários pontos da cidade, caminham entre os carros atrapalhando o trânsito. Já o motorista, não pára porque é perigoso algum carro vir com tudo na traseira do carro. E invade a faixa do ônibus porque não tem paciência de ficar no congestionamento, que aumenta a cada ano. É um ciclo vicioso.
Observar o trânsito em Salvador é uma comédia para quem está nos dias de bom humor. Os motoristas não ficam em suas faixas, furam tranquilamente sinais vermelhos ou então incorporam Felipe Massa.Certa vez, quando fui comparar meu carro, perguntei para o vendedor se os retrovisores eram opcionais. Ele sem entender nada falou que não e perguntou o porquê. Eu respondi: porque aqui na cidade ninguém usa mesmo...
Silmara Miranda
Nenhum comentário:
Postar um comentário