quarta-feira, 28 de maio de 2008

CORRIDA À PREFEITURA DE SALVADOR

Em 5 de outubro os eleitores baianos vão escolher seus novos prefeitos e vereadores. Ao contrário do que acontecia em pleitos anteriores, quando a campanha se dividia entre carlistas e não-carlistas, este ano pelo menos quatro forças políticas disputam a administração de Salvador. Os candidatos já começaram a articular suas campanhas. Alguns são figuras conhecidas no cenário político, mas a grande surpresa é o radialista e apresentador Raimundo Varela (PRB). Figura carismática entre os pobres e mais necessitados, este candidato poderá ganhar muitos votos nessa faixa de eleitores e surpreender nas eleições.

ACM Neto (DEM), 27 anos, deputado federal em seu segundo mandato, participa todas as semanas de festas populares e realiza encontros com líderes comunitários. Desde fevereiro de 1967, quando o senador Antônio Carlos Magalhães tomou posse em seu primeiro cargo no executivo como prefeito nomeado da capital baiana, nenhum parente participa diretamente da disputa. O deputado é um articulador nato, porém com interesses escusos. Representa um modelo de governo e conduta política completamente fracassados, basedo na postura populista e demagógica do seu avô, que sempre defendeu na realidade os interesses da classe dominante.

Já o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), cria do carlismo, aposta na experiência para derrotar os seus adversários. Mas será que traz novidade na sua forma de gestão pública só porque mudou de partido ou estará fazendo apenas uma maquiagem do político arcaico parasita? Seria um lobo em pele de cordeiro? Prefeito de Salvador por oito anos, o tucano pretende realizar uma campanha ousada. Manteve contatos com o publicitário Duda Mendonça, um dos mais conhecidos marqueteiros do Brasil, (responsável pela primeira campanha vitoriosa do presidente Lula ao Palácio do Planalto) envolvido no escândalo do mensalão.

No ano da disputa, o prefeito João Henrique (PMDB) investe em obras de grande visibilidade eleitoral (recapeamento asfáltico nas principais ruas e avenidas da cidade, instalação de iluminação mais moderna e uma mania quase que psicótica de pintar meio fios). E os outros anos de governo, o que ele realmente fez para a cidade? Os índices de violência aumentaram, a saúde publica está entregue as moscas, e o custo de vida e desemprego elevaram signicativamente. Para seu azar, o diretório estadual do PT sinalizou que quer disputar a eleição com candidato próprio, e o nome mais provável é o do deputado federal Nelson Pellegrino (derrotado em três vezes como candidato à prefeitura de Salvador). Nelson confia no seu histórico de atuação parlamentar, mas é apenas mais um elo em instância municipal da forma de administrar já presente nos governos estadual e federal.

Para os descrentes nos candidatos que representam o continuísmo, a idéia de um salvador, personalizada pela figura de Raimundo Varela, poderá ser uma válvula de escape da velha forma de conduta política representada pelos outros candidatos. Isso se deve ao fato de Varela não ter experiência em cargo eletivo e, portanto, perante os eleitores, não possui desgaste em sua imagem. Mas o principal fator é a questão do radialista ser muito popular principalmente entre os moradores da periferia, sua candidatura ganha pontos com atuação extra política nos últimos 30 anos de ajuda aos pobres e desasistidos através dos seus programas de rádio e televisão. Quem sabe agora, essa seja uma boa opção de caminho a ser escolhido, se aproximando da antiga aspiração do povo brasileiro de ter um líder generoso e com sensibilidade suficiente para atacar os problemas mais básicos enfrentados pelos menos favorecidos.

Silmara Miranda

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