Mostrando postagens com marcador violência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador violência. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de maio de 2008

ÍNDICES DA VIOLÊNCIA

A capital baiana tem assistido, nos últimos dias, seja pela televisão ou pelos jornais, aos capítulos de uma novela que aflige a população: o aumento da violência. Quando a manchete dos jornais não estampa os abalos provocados pela natureza, nela aparecem mortes de policiais, assaltos a ônibus, homicídios, tráfico e outros. As ocorrências têm tido aumento significativo principalmente nos fins de semana. Em decorrência disso, tem sido freqüente assistir a este tipo de notícia nas segundas-feiras nos principais veículos de comunicação. A violência aumenta e conseqüentemente, as notícias sobre ela.

O cenário é preocupante. A Bahia, em particular, assistiu no último mês, à exoneração do secretário de Segurança Pública do Estado. O próprio, antes de renunciar, admitiu estar diante de um quadro no qual a violência aumentava, enquanto o setor carecia de estrutura.

Há uma especulação de que, no caso baiano, o quadro agravou-se a partir do governo de Jacques Wagner (PT). Números da Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicam que em 2007 houve 1.337 assassinatos contra 967 em 2006, quando o estado era governado por Paulo Souto (DEM). Dados da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Rifla) contradizem os dados de 2006 informados pela SSP. A Rifla aponta para 2006, 1.176 assassinatos. Parece que o governo anterior tentou varrer a sujeira para baixo do tapete do vizinho.

Um estudo feito pela entidade revela que no país, entre 1996 e 2006, o índice de homicídios subiu em 20%. Dentro deste contexto, Salvador está na 342ª posição no ranking dos 556 municípios mais violentos e que concentram 44% da população do país. Isso significa dizer que 73% dos homicídios ocorreram nessas 556 cidades.

A segurança pública não é um problema isolado da Bahia e muito menos de Salvador. É necessário desconsiderar as rixas e heranças políticas, arregaçando as mangas para o trabalho. Não bastaram os R$ 890 milhões aplicados com o lançamento, em 2007, do PAC de Segurança - o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o qual duplicou os investimentos no setor. Pelo jeito, não é suficiente aumentar as cifras, mas aplicar estratégias eficientes no combate a violência no país.
*Alice Coelho

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Violência alta, solução baixa


Os altos índices de assassinatos em Salvador marcam a vida dos baianos. Nos finais de semana a média é de 28 mortos, a maioria vitimas de arma de fogo e envolvidas com o tráfico de drogas. No passado diziam que tudo era resolvido com uma boa conversa, atualmente a frase é: “vou cortar no aço”, o que significa matar com tiro ou vários tiros e a promessa é cumprida.

Algumas medidas com a finalidade de conter a violência vêm sendo adotadas pelo Governo do Estado, que recentemente substituiu o secretário de Segurança Pública da Capital, na esperança de conter a brutalidade urbana, mas o resultado ainda não foi alcançado. Enquanto isso, a população indefesa aguarda desesperada sem saber quantos ainda morrerão para que a situação seja controlada.

No último final de semana foram 30 mortos e com um agravante: a polícia civil estava em greve e a militar ameaçando parar as atividades. E mais uma vez os soteropolitanos pagaram o preço. Os boatos de arrastões em diferentes pontos da cidade, assaltos a ônibus iam tomando conta da cidade e o pânico ia se alastrando como uma “peste”. Ninguém sabia o certo o que estava acontecendo.

Por volta das 22 horas, no dia 31 de março, no percurso entre Pituba e Ondina nenhuma viatura da Polícia Militar foi vista, e no sentido inverso também, o que foi causando mais insegurança nas pessoas, que fechavam os vidros dos carros, andavam em alta velocidade, rezando para chegar logo em casa e em paz. A cidade começou a ficar deserta, o comércio fechando as portas, alunos abandonando as salas de aula na tentativa de chegar em casa com segurança. As informações eram desencontradas, a cada momento surgia um fato novo, e diante de tanta violência em Salvador as pessoas não duvidavam que tudo aquilo fosse realmente verdade.

Nesse momento o direito garantido pela Constituição Federal, de ir e vir foi arrancado da população de forma agressiva e dolorosa, a lei maior não foi respeitada. E após o drama vivido, não houve nenhuma explicação por parte das autoridades. Enquanto isso a sociedade permanece entregue à marginalidade que invade as casas, domina os bairros, deixando marcas de sangue por onde passa, causando muito desespero e dor. Ficam algumas perguntas aos detentores do poder: Até quando vamos conviver com essa insegurança, impunidade, falta de respeito às leis e omissão das autoridades? É preciso ter pressa, enquanto ainda há tempo para mudar o rumo da sociedade baiana, caso contrário Salvador será mais uma capital assustada e subordinada ao tráfico de drogas.

* Por Márcia Barreto