quarta-feira, 28 de maio de 2008

BAIXO QI?

Silmara Miranda

A declaração do coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Antônio Natalino, em que ele atribui a nota abaixo da média dos alunos na prova do Enade ao “baixo QI dos alunos” e ainda afirma que “o baiano só toca berimbau porque tem uma corda só. Se tivesse mais, não conseguiria”, me reportou a alguns baianos que conheci ao longo da minha vida de estudante e apreciadora da arte. Analisei-os segundo a ótica de Natalino.

A primeira pessoa que me veio à cabeça foi Ruy Barbosa. Diplomata e advogado, a quem em 1890, D. Pedro II se referiu ao afirmar: “Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia, no fundo da nave, é o talento de Ruy Barbosa”. Talvez D. Pedro não estivesse tão certo assim, pois um membro fundador da Academia Brasileira de letras não deve merecer tal apreço.
Quanto ao escritos Jorge Amado, parece-me uma simples coincidência ser um dos escritores com mais livros traduzido no mundo. Castro Alves? Bem, ele foi o autor do poema “O navio negreiro”. Nada demais. E Gregório de Matos foi apenas o maior poeta Barroco do Brasil.

Talvez o cantor e compositor Dorival Caymmi nem soubesse tocar berimbau. João Gilberto criou uma tal de “Bossa Nova”. Certamente não é apreciada pelo coordenador da faculdade de Medicina da Ufba.

Raul Seixas – pai do rock and roll brasileiro –, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa também devem ser personalidades desconhecidas do repertório de Natalino.
No esporte o pugilista Popó (mundial em duas categorias de boxe), no teatro, Lázaro Ramos, Wagner Moura,... etc, etc, etc...

Ao generalizar e desprestigiar ícones que representam uma riqueza do Brasil, só há duas alternativas para a infeliz declaração de Antônio Natalino. Um surtado preconceituoso ou um alienado que vive em outro mundo. Mundo da lua talvez. Vai saber...

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