Por Márcia Barreto
Vivendo sob pressão. Medo, pânico é comum entre os soteropolitanos. Nos últimos dois anos os meios de comunicação vêm abordando a violência como uma coisa nova, mas estudos de 1991 e 2001 demonstram que o problema não é recente e já comemorou aniversário. No ano de 1991, por exemplo, as taxas de mortalidade por homicídios foram de 32,2 por 100 000 habitantes. (Fonte: Rev Panam Salud Publica, 1999). Os dados são de mais de uma década atrás, mas confirmam que a sensação de temor não é privilégio da década atual e que a violência está fora de controle, o tráfico de drogas vem tomando conta das comunidades. Esse crescimento não ocorreu em um único momento, vem sendo em doses homeopáticas, sem que os poderes públicos tomem paternidade. Durante esse crescimento, os noticiários baianos raramente mostravam a violência. Mas agora parecem tratar de outra cidade, onde a violência toma conta da capital baiana e de seus habitantes.
Quem vive em Salvador sabe que sempre ocorreram mortes por agressão e nos finais de semana o Hospital Geral do Estado - HGE a super lotação é um problema antigo. Em 2006, mais precisamente no dia 07/10, domingo, no HGE as cenas eram de um filme de terror. Não parava de chegar pacientes, na maioria vítimas de armas de fogo. Um caso que chamou a atenção foi um fusca andando na contramão, buzinando e as pessoas que estavam dentro do carro gritando desesperadamente. Ao pararem o veículo na portaria do hospital tiraram um embrulho de plástico, que parecia um animal enrolado após o abate, mas para surpresa de todos era um homem de aproximadamente 40 anos, que estava com o corpo crivado de balas, e sem sinais vitais. Após atendimento médico, no período de cinco minutos chegou a notícia de que o rapaz não resistira aos ferimentos e morrera.
Isso não foi divulgado na ocasião em nenhum veículo de comunicação da cidade, somente os que estavam no local souberam do fato. Mas atualmente os meios de comunicação noticiam finais de semana violentíssimos, fazem a contabilidade dos mortos, como a duas semanas atrás noticiaram 24 assassinatos na capital baiana. E nos dias seguintes a contagem continuou. Mas não é esclarecido para a população que isto é um fato antigo que vem ganhado cada vez mais proporção e que o governo atual não sabe o que fazer para conter a violência. Providências estão sendo tomadas para impedir o alastramento da violência, mas para infelicidade do governo e da sociedade não surtiram o efeito desejado. Com isso, a banalização da vida continua e as pessoas acreditam que podem resolver tudo na base da violência. As emissoras de TV e os jornais impressos chegam a mostrar os corpos estendidos no chão cheios de bala, deixando a população cada vez mais apavorada, trancafiada em seus lares. Sem o direito que é garantido pela constituição: o de ir e vir.
O assunto é complexo demais e não pode ser resolvido apenas com medidas de repressão. Se faz necessária a intervenção do governo com medidas de política pública, igualdade social, reestruturação das polícias Civil e Militar. E informar aos meios de comunicação que a obrigação que eles têm é informar, alertar, orientar e não causar pânico na sociedade ou julgar este ou aquele governo.
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