quarta-feira, 28 de maio de 2008

Quem é Horton, aqui?

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

Não sei, diz um garotinho de três anos, com olhos arregalados e uma sinceridade desconcertante. Ouvindo a resposta dele me pergunto: se uma criança não enxerga em ninguém o personagem que acaba de sair das produções de Waldisney, para contar a história de um simpático e bondoso elefantinho, onde vamos achar pessoas como o encantador Horton? No filme "Horton e o Mundo dos Quem", uma daquelas belas produções onde animais falam como gente e conquistam adultos além de crianças, é ele que salva uma cidade, invisível, da maldade e do egoísmo de outros animais.

A resposta para a segunda pergunta que faço nessas linhas, até poderia ser: em lugar nenhum. Afinal, essa espécie de gente, gente boa, está extinta, acreditam muitos de vocês. Mas eu prefiro apostar que Horton não é só um personagem das telas de cinema. Tudo bem que, do reino animal herdamos apenas semelhanças com o macaco, mas acredito que foi inspirado no "bicho homem" que os americanos criaram um elefante que, na telona, mais parece um bom menino.

A produção infanto-juvenil, que estreou no Brasil há uma semana, usa as cores, as animações em computação gráfica e a graça do desenho animado, para contar a saga de um elefante que tenta proteger o pólen de uma flor. É lá que está guardada a cidade dos QUEM. Os outros animais da floresta pensam que Horton ficou louco, virou um péssimo exemplo para as novas gerações de bichos. Triste constatação, até no cinema, ou melhor, até a sétima arte, classifica os seres como bons e ruins. É a pura imitação da vida. O filme, com pouco mais de uma hora de duração, traz entre os seus personagens principais a mãe canguru. Ela tem aparência e comportamento de animal e um jeitinho, infame, de julgar os outros habitantes da floresta e planejar maldades. É ela quem decide aprisionar o elefante quando descobre que ele carrega na tromba uma flor, que guarda dentro de suas pétalas, milhares de outras vidas. Mamães cangurus assim encontramos aos montes nas nossas andanças pela vida. São aquelas pessoas que têm o dom de julgar alguém ou alguma coisa sem conhecimento necessário para legitimar as suas conclusões. Enquanto fazem apenas julgamento, tudo bem, ou menos mal. Pior, é quando as mamães-canguru, da não ficção, não aprendem a aceitar as diferenças, desconhecem importantes valores da vida. Simplicidade, igualdade e bom senso. Qualidades que só com sabedoria se adquire. E não importa o quanto pequenos e diferentes somos. Esse saber, todos podem conquistar.

Ainda bem que o garotinho, descrito nas primeiras linhas, já provou de uma gota dessa sabedoria. Percebi isso quando, saindo do cinema, meu filho Ricardo falou: "Mamãe, Horton é um elefante muito legal, vou contar para meus coleginhas da escola".

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