quinta-feira, 29 de maio de 2008

Bombas, flores e política

Antônio Almeida

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) praticam crimes, seqüestram pessoas, matam e traficam drogas. É necessário que o exército Colombiano atue firmemente no combate a esta guerrilha e que estes criminosos sejam punidos nos rigores da lei.

Porém em tal situação, o que você faria se o seu filho estivesse sob o poder de seqüestradores e o Estado resolvesse jogar uma bomba para intimidá-los? Quando a Venezuela e o Equador negociavam a libertação da fraco-colombiana Ingrind Betancourt o governo da Colômbia fez exatamente isso ao matar um dos líderes das Farc Raul Reyes

Atualmente, o estado de saúde da refém Ingrid Betacourt é grave. Ela está com malária e hepatitbe, do tipo b e corre risco de morte. Ao invés de facilitar as negociações, o presidente Álvaro Uribe cortou o presidente da venezuela Hugo Chavez das negociações. Hugo Chavez já havia conseguido libertar as reféns Clara Rojas e Consuelo González.

Com a morte de Raul Reyes, o governo da Colômbia não só destruiu possibilidades de libertação de Ingrid Betancourt e dos outros reféns como acabou com qualquer chance de uma possível trégua das Farc.

Com sua ação, ele pode até mesmo ter desencorajado os membros de facções pequenas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) até a rede terrorista Al-Quaeda a acreditar na trégua, na esperança, na libertação e na paz.

A CPI DOS CARTÕES CORPORATIVOS NA TV SENADO

Antônio Almeida

Os brasileiros que possuem antena UHF e conseguem sintonizar na TV Senado podem acompanhar diariamente o show de líderes partidários, eleitos legalmente com grande margem de voto. Atualmente, o assunto é a CPI dos cartões corporativos. Um tal de um dossiê que uns dizem 'que foi criado' para prejudicar o governo de Fernando Henrique. Outros políticos da oposição afirmam que pretendem investigar o se o documento vazou ou não.

Na emissora, não faltam troca de acusações, xingamentos e ameaças. É comum ver um dos líderes da oposição, Arthur Virgílio ameaçar a base aliada do PT de trancar a pauta. Na semana passada, foi a vez da senadora Ideli Salvatti protagonizar um bate-boca intenso com o senador Alvaro Dias, sobre o suposto dossiê contra o ex-presidente FHC. Ambos chegaram a discutir se os papéis do dossiê entraram no senado voando. Enquanto os políticos passam horas duelando ao invés de votarem os projetos importantes, não há derrotados e nem vitoriosos nesse jogo. Talvez o único derrotado seja o povo brasileiro, que há cada ano que passa, desacreditam mais nos políticos que elegeu.

BOAS MANEIRAS

BOAS MANEIRAS: COLUNA

Para que evitemos cometer gafes nos locais sociais por onde circulamos, é necessário que criemos hábitos, mesmo estando em nossa casa.Pois, a repetição continua de certa manias dentro de casa pode ocasionar uma tremenda sai justa no âmbito social.

Sendo assim, é necessário que os costumes de boas maneiras sejam notados e ajustados em casa. É no ambiente familiar que os pais devem passar as noções de boas maneiras e convívio social aos filhos.

É na hora das alimentações que corrigimos pequenos erros de como utilizar os talheres, onde colocar o guardanapo, a não mastigar de boca aberta e como comer determinados alimentos, levantar da mesa antes do anfitrião, utilizar palitos de dente.

E é nessa hora também, que os pais devem ensinar aos filhos que à mesa alguns assuntos desagradáveis: morte, doença, devem ser evitados. E comentados em outro momento oportuno.

É importante que os filhos participem da vida e dos problemas familiares. Expressões como “não se intrometa” ou “não dê sua opinião” na conversas dos adultos, é um erro gravíssimo dos pais. Fundamental é desenvolver um raciocínio, entendimento e criação do pensamento critico do jovem.



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VIOLÊNCIA EM SALVADOR

FSBA
DATA:19/03/08
NOME: ROBERTA SANCHES
MATÉRIA: REDAÇÃO IV
PROFESSORA: BÁRBARA SOUZA
RECORREÇÃO DO EDITORIAL: VIOLÊNCIA



Violência em Salvador

A sociedade soteropolitana parece mais atenta aos debates sobre a violência. Tal discussão tem progredido em objetividade graças a estudos estatísticos – do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi informado que, desde 1980, as mortes eram associadas à violência e que, particularmente, 80% dos homicídios eram voltados para adultos jovens do sexo masculino. E que até hoje, essa estatística vêm se mantendo.

A polícia trabalha com a perspectiva, de que as maiorias desses crimes estejam ligados ao tráfico de drogas. Pois, ultimamente a mídia tem focalizado muito esse tema. Já que houve aumento de 38%, na taxa de mortalidade entre jovens.


De acordo com o jornal A Tarde, em 18 horas deste fim de semana foram executadas a tiros oito pessoas em Salvador e na Região Metropolitana. Neste mesmo período houve também assaltos, seqüestros e furtos de veículos.

As localidades mais atingidas com a violência são os bairros periféricos, como: Pero Vaz, Liberdade, Iapi, São Cristovão, Bairro da Paz e Baixa da Égua. Foram constatados pela Secretária de Segurança Pública- todos esses locais possuem ligação com tráfico de drogas.

O governador Jacques Wagner, falou que, o motivo do crescente índice de violência, em Salvador, está ligado a aposentadoria dos policiais e a falta de concursos públicos. Sem os concursos não tem como haver substituição dos cargos. Sendo assim, a demanda de policiais aposentados e maior que a de policiais efetivados.

E para insegurança da população e para os policiais civis e militares, de 150 postos de polícia 12 foram desativados. Com isso, há uma resistência dos policiais em trabalhar em determinados bairros considerados perigosos, de Salvador. E as unidades que ainda funcionam sofrem com a precariedade das estruturas: falta gasolina nas viaturas, instalações antigas, celas super lotadas.

Pior, com os postos policiais presentes, os meliantes estão matando. Sem eles a população fica refém dos bandidos. A ineficiência dos órgãos públicos de segurança está causando revolta na comunidade Bahiana.

Este quadro doloroso, vexatório, parece fadado a complicar-se. A desorientação de todos os órgãos públicos de segurança deixa transparecer, que a cidade esta entregue a marginalidade.

COLUNA

Nem sempre é uma questão de comportamento


Carlos José e Gabriela


No cinema pode-se notar os mais diversificados tipos de comportamento. Dos teens à velha-guarda, todos adoram freqüentá-lo. Mas, existiria um comportamento ideal para o público pagante? De pipocas à big sanduíches, com direitos a idas e voltas no banheiro, seria possível estabelecer um comportamento específico para essas salas? Dependeria do público ou do gênero do filme? Quem é que deve ditar como se comportar?

É comum e até comprovado pelos movimentos em shoppings que a faixa etária que ocupa a maior parte das cadeiras de um UCI, por exemplo, são os jovens de 13 a 21 anos. A fase turbulenta que caracteriza a maioria dos jovens dessas idades, traduz a falta de compostura que acaba irritando muitas pessoas de idades diferentes que também vão ao cinema.

Por ser um espaço “socializado”, as pessoas deveriam absorver a idéia de que existem normas que exigem uma adequação ao local. Afinal, o que leva as pessoas a irem ao cinema dentre muitas razões é o fato de assistir o filme em um telão, para muitos a sensação do glamour de ver tal filme no dia do lançamento, ou seja, lá os efeitos farão sentir sensações que em casa certamente não sentiria.

O gênero do filme é o fator principal que vai definir o(s) estímulo(s) do público espectador. Já pensou uma comédia onde os espectadores estivessem mudos? Muitas vezes as pessoas riem sem nem saber do que se trata, somente porque ouviu a outra. E um terror ou suspense sem aqueles gritinhos e sustos?

Porém atender o celular, ou simplesmente deixá-lo tocar, sujar o local, falar alto, são gestos inadmissíveis em lugares públicos quando exigem acima de tudo o silêncio. As pessoas devem se adequar às normas ditas éticas de uma sociedade porque senão viraria uma eterna baderna. Agora se você sentar em uma poltrona e à sua frente tiver um cara com as costas bem largas e aquele cabeção, não vai reclamar do comportamento não!

Será que vai dá praia?

Roberta Sanches

O relógio despertou 8h, em pleno domingo.Acordei, tenho que levantar e estou decidida: vou a praia. Olhei da janela do meu quarto e vi o sol brilhando, céu de brigadeiro. Coloquei meu biquíni, liguei para Rogério meu namorado, marcamos então para ir à praia de Stella Maris. Ficamos na barraca do Gaúcho .Queria aproveitar aquele dia, tomar um banho, relaxar, beber uma água de coco, uma cerveja bem gelada e comer um peixe assado, como de costume.

Cheguei por volta das12h20, mas tal foi minha surpresa. Andava e corria na areia quente, olhava para um lado e para outro, o sol escaldante e a praia lotada. Entretanto, em seu lugar, deparei com uma visão desoladora. Parecia que tinha passado um furacão por ali, ou coisa parecida. Havia pedaços de madeiras, tijolos, entulhos por toda parte, não sei se foi devido á forte chuva da sexta-feira ou se realmente a maré trazia todo aquele lixo.

Gritei “Rogério, cuidado para não pisar no xixi do cachorro”. Rogério, um rapaz de estatura mediana, cabelos castanhos, barba por fazer, olhos cor de mel. Ele se aproximou de mim e ficou horrorizado, pois muitas pessoas levam cães para a praia- justamente no fim de semana que crianças costumam brincar na areia.

Meu irmão Roberto,que chegava naquele momento de dentro da água, também ficou preocupado com aquela cena e a situação. Sentamos na areia e começamos a conversar. Eu falei: “ se não bastasse o problema de algumas barracas estarem á espera da prefeitura, os animais ainda contribuem para o caos - comentou Rogério: - E um projeto novo da prefeitura e do Ibama querem acabar com as antigas barracas de praia, feitas de madeira e palha. Eles pretendem tirar 50% das barracas que estão instaladas entre as praias de Amaralina e Ipitanga.Só podia ser no governo de João Henrique, ele não está fazendo nada de bom, aliás ele troca o banho de mar por banho de asfalto, e a luz solar por luz de poste.

Ouvindo as lamentações de Rogério fiquei pensando: quantas pessoas trabalham nessas barracas e têm como única fonte de renda para sustentar toda família. As manobras políticas, ao que parece não levaram em conta, essas pessoas que esperam o ano todo pelo Verão para ganhar uma renda maior segurar a onda na baixa estação.Além disso, as barracas são um atrativo turístico e local a mais nas praias de

Salvador.Principalmente, aquele hotel enorme de frente para praia em Stella Maris.Será que o prefeito é tão burro que não vê que trata-se de um hotel cinco estrelas, e que a nossa cidade é um estado turístico?É , vamos esperar para as próximas eleições.

MAM apresenta

Alice Coelho

Karina Oliveira

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), que de moderno só parece ter o nome, em função da semana dos museus, apresentará sua nova/velha programação, de 12 a 18 de maio.

Todavia essas mudanças tornam-se pouco expressivas, pois o que ocorrerá na realidade é a apresentação de um pequeno diferencial nos eventos permanentes e duas novas exposições.

Prova disso é o Jam no MAM, que costuma ocorrer aos sábados e devido a essa tão entusiasmante programação, contará com a participação do Grupo de Interferência Ambiental (Gia). E o pinte no MAM, evento de pintura livre, que acontecia todos os domingos. Mas com a programação especial será realizado todos os dias, das 15 as 18h. Sendo que todos os trabalhos produzidos pelas crianças ficarão expostos no pátio externo do museu até o dia 18 de maio.

Com essa programação a instituição demonstra não ter interesse em atrair o público para prestigiar seu acervo.

Entretanto o evento poderá ser salvo, em uma atitude quase que desesperada, um último suspiro com as apresentações da fotógrafa italiana Patrízia Giacontt "A alma da Bahia", no dia 12, as 19h, que contará com a exposição de elementos, sons, imagens, folhas e literatura (homenagem ao escritor Jorge Amado) para expressar a alma da Bahia.

Outro meio para conseguir proporcionar algo atrativo será a apresentação do renomado (Gia) dia 14 de maio,as 19h.

A tentativa de fomentar alternativas, na Bahia, em prol da cultura, promovido pela instituição, esbarra na falta de divulgação de qualidade, porque poucas pessoas têm acesso ao que é promovido no local, perdendo desse modo o sentido de existir.

Afinal, para que serve a cultura propiciada pelos museus, se não for apreciada pelo público

O mistério que envolve um corpo

Karina Oliveira da Silva

Em decorrência da fatídica morte de Isabela Oliveira Nardoni, cinco anos, no último dia 29 de março, em São Paulo, uma força tarefa da perícia foi designada para encontrar provas que levem ao criminoso. Mais uma vez o Brasil está diante de uma barbárie.

A versão apresentada pelos únicos suspeitos, o pai da criança, Alexandre Nardoni e a madrasta Ana Jatobá é questionada pela polícia e contradizem provas coletadas no apartamento de onde a menina foi jogada.

No depoimento, Alexandre Nardoni contou à polícia que chegou com sua esposa ao Edifício London, onde mora, entre 23h10 e 23h20. Como as crianças dormiam, ele subiu primeiro com Isabella e depois desceu para buscar o resto da família. Ao chegar novamente ao apartamento viu que sua filha não estava na cama, onde a deixou, e a tela de um dos quartos tinha sido cortada. Logo depois percebeu que a menina havia sido jogada. Nardoni afirma que o apartamento foi invadido.

Segundo a perícia, é impossível a presença de uma terceira pessoa no apartamento, tendo em vista que, conforme testemunho dos suspeitos, tal pessoa teria apenas quatro minutos para bater na menina, esganá-la, cortar a tela, jogar a vítima pela janela, limpar o sangue, guardar o material usado para cortar a tela e sair trancando a porta. Também segundo a perícia, há indícios na blusa de Alexandre e no sapato de Ana Jatobá que ligam o casal ao crime.

Situações como esta se tornam uma infeliz realidade, não só do país, mas do mundo. Um crime que mexe na célula da sociedade: a família. No dia 29 de março, apenas Deus pode contar o que aconteceu no apartamento do sexto andar do Edifício London. Ou a perícia.

Prevenção é a palavra chave

Karina Oliveira da Silva

Na brecha deixada pelos poderes públicos, os mosquitos da dengue fizeram sua moradia e ressaltaram a falta de estrutura nos hospitais públicos do estado. Agora o governo une forças contra a disseminação da doença que já vitimou 64 pessoas apenas no município do Rio de Janeiro.

Todos conhecem ou já ouviram falar dos cuidados para evitar a doença, porém, os índices confirmam o que era sabido; o aumento de pessoas picadas pelo Aedes Aegypti. Medidas preventivas são constantemente divulgadas em todos os verões, mas um país tropical como o Brasil favorece o surgimento e a proliferação dessa praga.

Para conter o alastramento da doença e acalmar a situação de medo que se instaurou no município, o governo convocou médicos de outros estados e montou tendas de hidratação em todo o Rio de Janeiro. Até o exército foi necessário para evitar que mais pessoas venham a óbito.

O quadro poderia ser evitado se o governo do Rio de Janeiro e a população se conscientizassem de seus papéis. O primeiro deveria investir devidamente os recursos destinados á saúde para o combate a doença. Já as pessoas têm por obrigação cuidar de suas residências, para que essas não virem hospedeiro da praga.

Destarte é possível perceber que se faz necessária uma ação mais firme do governo brasileiro, para evitar que um mosquito dissemine um clima de terror na população

CRIMINALIDADE TOMA CONTA DA CIDADE

A atual conjuntura sócio-econômica de Salvador culminou com a explosão da violência na capital baiana, constantemente divulgada pelos veículos de comunicação. Essa realidade não pertence a este governo ou ao passado. É apenas reflexo do que a falta de medidas eficazes pode causar a uma cidade.

As estatísticas comprovam o que era sabido pelos cidadãos: o aumento da violência nos grandes centros. Entre esses se encontra Salvador, que é considerada a quarta capital, entre 200 municípios pesquisados, com maior número de homicídios. Em 2006 foram registrados 678 assassinatos, enquanto 2007 registrou 975. O aumento de quase 40% é bastante significativo e desperta nas pessoas sentimentos díspares.

A sensação de insegurança é agravada pela excessiva vinculação, de informações sobre a violência, pelos veículos de comunicação. Tornando-se uma rotina, desagradável, fazer as refeições e acompanhar as estatísticas das mortes do final de semana. A impressão é de estar vivendo em uma guerra civil.

Em relatório divulgado em 2008 pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana.(Ritla), o crescimento da violência ocorre em todo o Brasil. Entre 1996 e 2006 o número de assassinatos no país foi maior do que o crescimento da população. Ao passo que a criminalidade aumentou 20%, a população brasileira cresceu apenas 16,3%.

Quem pode pagar, protege-se com o que há disponível no mercado de segurança particular; vidros blindados, cerca elétrica, alarmes, entre outros. Para quem não tem condições da arcar com a conta, resta resguardar-se em suas casas cercadas por muros e grades e, torcer para não virar mais um número. Esta sensação de insegurança é agravada pela excessiva vinculação dos veículos de comunicação.

Por ora o misto de impotência e revolta toma posse da população baiana, que assiste perplexa, nos telejornais, a linchamentos cometidos por populares revoltados, violência contra idosos (caso do diácono José Sérgio Barbosa Fontes agredido por um perito da Polícia Civil), grupos de extermínio encabeçados por militares- responsáveis por zelar pela ordem e segurança entre outras barbáries.

A incerteza do amanhã torna-se uma constante entre os soteropolitanos, que não sabem se irão retornar para seus lares após a jornada de trabalho ou até ir a esquina comprar pão. Contudo a temática parece não despertar tanta atenção dos "responsáveis" por governar a cidade, pois até o momento nenhuma atitude coerente foi tomada.

Percebe-se que não adianta promover pequenas ações isoladas como algumas câmeras em ônibus espalhados pela cidade, banho de luz e guarda municipal. É preciso despertar e investir em projetos eficientes, a curto prazo, que visem proporcionar aos cidadãos baianos uma condição digna para viver, pois os altos impostos pagos deveriam servir para algo.

*Karina Oliveira da Silva
Programas Sociais
Por Márcia Barreto

A televisão brasileira desde a década de 50 tornou-se uma sensação. Com a Internet muito acreditavam que haveria crise no setor. Mas ela continua sendo um dos principais meios de informação, entretenimento e “prestadora de serviços sociais”.
Programas como “Se Liga Bocão”, que “Venha o Povo”, “Balanço Geral” disputam cada telespectador e os “tais” pontos de audiência. Diariamente lares são invadidos por esses apresentadores que disparam notícias envolvendo o sofrimento humano, em níveis variados. As produções dos programas aproveitam o momento de fragilidade dessas pessoas para fazer o “show”. Imagens de corpos estendido no chão, pessoas com ferimentos, moradores de rua, entrevistas com presos que cometerem atos ilícitos são alguns dos quadros exibidos por esses espetaculosos jornalistas, que se apropria do sofrimento alheio em beneficio próprio.
Isso é conseqüência da ausência do poder público. Se o governo trabalhasse de forma organizada buscando atender os seres das classes menos favorecidas, não daria espaço para que tais “prugramas jornalísticos” fossem procurados e tivesse credibilidade. A sociedade baiana com o sentimento de abandono aguçado, dar força para o assistencialismo televisivo ganhar espaço, e mostrar os apresentadores como “salvadores da pátria amada”. Como é o caso de Zé Eduardo do programa “Se Liga Bocão” que tem um jingle próprio e diariamente são exibidas imagens de um homem sorridente no meio do povo como um verdadeiro “ídolo”. Raimundo Varela, conhecido como a metralhadora social, é idolatrado e venerado como um DEUS e faz parte do grupo de Zé.
O assistencialismo é claro, as críticas feitas a esses apresentadores são intensas e agressivas. No jornal Atarde chegaram a publicar que Varela havia morrido, enquanto fazia tratamento de saúde em São Paulo. Mas apesar das críticas alguém precisa exercer o papel de “salvador”, dando esperanças a essas pessoas, fazendo algo para tentar abrandar o sofrimento e a impunidade e claro tirar proveito disso também. Afinal em uma sociedade capitalista que para “ser” tem que “ter”, resta ao povo pobre pagar os favores expondo suas histórias, com esperança naqueles apresentadores de ter suas histórias exibidas e quem sabem, resolvidas.
Ressurgindo das cinzas
Por Márcia Barreto

Parece comentário de filme. Mas não é. O que está voltando com força total é o movimento estudantil. Em São Paulo, eles fizeram o reitor da Unifesp Ulysses Fagundes devolver o dinheiro, que ele usou no pagamento de despesas pessoais, com o cartão coorporativo. Em Brasília promoveram a derrocada do reitor Timothy Mulholland por ele ter usado o dinheiro público, na compra de lixeiras automáticas, para colocar em seu apartamento. O movimento estudantil brasileiro começou na década de sessenta com os jovens lutando contra a ditadura. Muitos estudantes eram envolvidos com partidos e hoje participam ativamente no cenário político. Mas atualmente o alvo é outro. A briga é pela melhoria das universidades públicas, e para baixar os preços das mensalidades nas particulares. Sem preocupação política e partidária eles querem apenas justiça e que o uso das verbas públicas seja para melhoria do Estado. A quem, conteste a nova postura dos jovens, de não ter envolvimento político, e digam, que o problema vai ser resolvido, mas as causas permanecerão. O futuro desses jovens é incerto, mas que eles estão conseguindo o que querem, isto é inquestionável.


Esperança para terceira idade
Por Márcia Barreto

Quem disse que lugar de velho é dentro de casa, está enganado. As pessoas da terceira idade voltam às salas de aula e estão concluíndo o ensino superior. Alguns fazem questão do diploma, outros estão interessados apenas em aprender o que não tiveram oportunidade, ou já esqueceram. Com isso eles melhoram a auto-estima e diminuem as entradas nos hospitais. Atualmente são 20 mil idosos matriculados, em universidades abertas para terceira idade, que oferecem várias opções de cursos e eles ainda podem escolher as matérias que desejam estudar. Sem falar da oportunidade de conhecer novas pessoas e assim renovar as amizades e os pensamentos.



De novo! Caso Isabella Nardoni
Por Márcia Barreto

A imprensa brasileira não fala de outra coisa, só do assassinato da criança paulista desde o dia 29 de março. Também o caso é responsável por um aumento de 46% nas audiências dos telejornais. Algumas emissoras deixam nas entre linhas que os assassinos são: pai e a madrasta, antes mesmo do resultado das investigações policiais. A indignação é saber que os protagonistas desta história fazem parte da dita classe média/alta de São Paulo, enquanto a garota de Goiás que foi espancada, teve a língua cortada com um alicate, os dedos machucados com um martelo, não teve o mesmo espaço na grande mídia. Será que é por ela pertencer a uma gama da sociedade que não merece respeito? Ou por seu pai estar desempregado e morar em uma comunidade pobre. E a mãe ter abandonado os filhos? Não desmerecendo do caso Nardoni que é uma brutalidade contra a vida, mas os espaços deveriam ser divididos. São tantas crianças espancadas e mortas em todo o Brasil. Por que só um tem destaque e merece atenção?
Os profissionais de mercado
Por Márcia Barreto


Parece brincadeira de criança, mas não é. No último domingo foi veiculada em uma emissora de TV, uma matéria na qual crianças de 10 anos foram aprovadas em um vestibular. Deixando os estudantes universitários revoltados e também a ministra da Educação, que na segunda-feira logo cedo tirou toda a sua equipe da cama, para uma reunião. O resultado foi a criação da nova norma que passa a vigorar em janeiro de 2009, onde os estudantes após a conclusão do curso, farão uma prova e um estágio durante seis meses, e serão observados durante todo o processo. Conseguindo um resultado acima da média terão o diploma, caso contrário, repetirão todo esse percurso.
Louvável! Por que será que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco? A ministra no discurso muito “revoltadinho” determina a forma de fiscalizar os alunos, mas quem vai fiscalizar os grandes empresários da educação? O ensino há muito tempo deixou de ser uma instituição que trabalha com objetivo de transmitir conhecimento, criação, inspiração, visão de mundo e aprimoramento pessoal. O que os grandes empresadores(empresários mais educadores) desejam é apenas o lucro.
Se os responsáveis não têm compromisso com a educação, por que será que o Ministério autoriza a abertura destes estabelecimentos de “ensino”? As ditas faculdades são verdadeiros shopping centeres, com praça de alimentação e passarela de moda, onde as patrícinhas e os playboyzinhos brasileiros desfilam os modelitos, das mais caras grifes do país. Como é que, em um cenário desses, a ministra busca por profissionais capacitados e comprometidos? A futilidade, falta de compromisso não é privilégio apenas dos alunos, existem professores que fazem de conta que ensinam e os estudantes fazem de conta que aprendem.
De nada adianta repreender um lado. Todos os envolvidos deveriam dar a sua contribuição para mudar o rumo desta história. Mas se Bárbara Souza for mexer com os protagonistas principais da história, corre o risco de ter a cabeça cortada do espetáculo. Já que a maior parte destes “empresadores” são os grandes patrocinadores do show. Viva os “empresadores” que mandam no país! O presidente é apenas mais um figurante.
Lei e educação
Por Márcia Barreto


Segundo determinação da ministra da Educação Bárbara Souza, a partir de janeiro de 2009, todos os formandos, provenientes das faculdades particulares, após concluírem o curso, serão obrigados a responder uma prova e passar por um estágio probatório, só depois de conseguirem uma pontuação satisfatória nas duas avaliações é que receberão o diploma. Isso no período de 6 meses. Esta medida foi tomada após divulgação de uma matéria, na qual crianças de apenas 10 anos foram aprovadas nas provas de vestibular de uma faculdade particular do Rio de Janeiro.
Bárbara disse em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, na capital baiana onde esteve para inaugurar uma escola do ensino fundamental, que esta medida visa aprimorar o nível dos profissionais, que estão sendo colocados no mercado de trabalho. “Após a exibição da matéria, convoquei uma reunião de emergência na segunda-feira pela manhã. E me vi na obrigação de adotar uma medida para resgatar a credibilidade do ensino superior no país” esclarece a ministra.
Essa nova lei só é válida para as faculdades privadas. Souza explicou ainda que o objetivo desta nova norma é avaliar o profissional e a instituição de ensino. “Os estudantes que chegam ao mercado egressos das faculdades privadas merecem credibilidade e respeito. Uma pessoa que passa em média cinco anos em uma faculdade, pagando mensalidades altas, deixando de fazer outras coisas e levando os estudos a sério, deve ser respeitado. E as instituições de ensino, também, merecem cuidados. Vou lutar até o fim! para que isto realmente aconteça”, desabafa a ministra.
Imprensa e violência
Por Márcia Barreto


Vivendo sob pressão. Medo, pânico é comum entre os soteropolitanos. Nos últimos dois anos os meios de comunicação vêm abordando a violência como uma coisa nova, mas estudos de 1991 e 2001 demonstram que o problema não é recente e já comemorou aniversário. No ano de 1991, por exemplo, as taxas de mortalidade por homicídios foram de 32,2 por 100 000 habitantes. (Fonte: Rev Panam Salud Publica, 1999). Os dados são de mais de uma década atrás, mas confirmam que a sensação de temor não é privilégio da década atual e que a violência está fora de controle, o tráfico de drogas vem tomando conta das comunidades. Esse crescimento não ocorreu em um único momento, vem sendo em doses homeopáticas, sem que os poderes públicos tomem paternidade. Durante esse crescimento, os noticiários baianos raramente mostravam a violência. Mas agora parecem tratar de outra cidade, onde a violência toma conta da capital baiana e de seus habitantes.
Quem vive em Salvador sabe que sempre ocorreram mortes por agressão e nos finais de semana o Hospital Geral do Estado - HGE a super lotação é um problema antigo. Em 2006, mais precisamente no dia 07/10, domingo, no HGE as cenas eram de um filme de terror. Não parava de chegar pacientes, na maioria vítimas de armas de fogo. Um caso que chamou a atenção foi um fusca andando na contramão, buzinando e as pessoas que estavam dentro do carro gritando desesperadamente. Ao pararem o veículo na portaria do hospital tiraram um embrulho de plástico, que parecia um animal enrolado após o abate, mas para surpresa de todos era um homem de aproximadamente 40 anos, que estava com o corpo crivado de balas, e sem sinais vitais. Após atendimento médico, no período de cinco minutos chegou a notícia de que o rapaz não resistira aos ferimentos e morrera.
Isso não foi divulgado na ocasião em nenhum veículo de comunicação da cidade, somente os que estavam no local souberam do fato. Mas atualmente os meios de comunicação noticiam finais de semana violentíssimos, fazem a contabilidade dos mortos, como a duas semanas atrás noticiaram 24 assassinatos na capital baiana. E nos dias seguintes a contagem continuou. Mas não é esclarecido para a população que isto é um fato antigo que vem ganhado cada vez mais proporção e que o governo atual não sabe o que fazer para conter a violência. Providências estão sendo tomadas para impedir o alastramento da violência, mas para infelicidade do governo e da sociedade não surtiram o efeito desejado. Com isso, a banalização da vida continua e as pessoas acreditam que podem resolver tudo na base da violência. As emissoras de TV e os jornais impressos chegam a mostrar os corpos estendidos no chão cheios de bala, deixando a população cada vez mais apavorada, trancafiada em seus lares. Sem o direito que é garantido pela constituição: o de ir e vir.
O assunto é complexo demais e não pode ser resolvido apenas com medidas de repressão. Se faz necessária a intervenção do governo com medidas de política pública, igualdade social, reestruturação das polícias Civil e Militar. E informar aos meios de comunicação que a obrigação que eles têm é informar, alertar, orientar e não causar pânico na sociedade ou julgar este ou aquele governo.
Violência alta, solução baixa
Por Márcia Barreto

Os altos índices de assassinatos em Salvador marcam a vida dos baianos. Nos finais de semana a média é de 28 mortos, na maioria vitimas de arma de fogo e envolvidas com o tráfico de drogas. No passado diziam que tudo era resolvido com uma boa conversa, atualmente a frase é: “vou cortar no aço”, o que significa matar com tiro ou vários tiros e a promessa é cumprida.
Algumas medidas com a finalidade de conter a violência vem sendo adotadas pelo Governo do Estado, que recentemente substituiu o secretário de Segurança Pública da Capital, na esperança de conter a brutalidade urbana, mas o resultado ainda não foi alcançado. Enquanto isso a população indefesa aguarda desesperada sem saber quantos ainda morrerão para que a situação seja controlada.
No último final de semana foram 30 mortos e com um agravante a polícia civil estava em greve e a militar ameaçando parar as atividades. E mais uma vez os soteropolitanos pagaram o preço. Os boatos de arrastões em diferentes pontos da cidade, assaltos a ônibus iam tomando conta da cidade, e o pânico ia se alastrando como uma “peste”. Ninguém sabia o certo o que estava acontecendo.
Por volta das 22 horas, do dia 31 de março, no percurso entre Pituba e Ondina nenhuma viatura da Polícia Militar foi vista, e no sentido inverso também, o que foi causando mais insegurança nas pessoas, que fechavam os vidros dos carros, andavam em alta velocidade, rezando para chegar logo em casa e em paz. A cidade começou a ficar deserta, o comércio fechando as portas, alunos abandonando as salas de aula na tentativa de chegar em casa com segurança. As informações eram desencontradas, a cada momento surgia um fato novo, e diante de tanta violência em Salvador as pessoas não duvidavam que tudo aquilo fosse realmente verdade.
Nesse momento o direito garantido pela Constituição Federal, de ir e vir foi arrancado da população de forma agressiva e dolorosa, a lei maior não foi respeitada. E após o drama vivido, não houve nenhuma explicação por parte das autoridades. Enquanto isso a sociedade permanece entregue à marginalidade que invade as casas, domina os bairros, deixando marcas de sangue por onde passa, causando muito desespero e dor. Ficam algumas perguntas aos detentores do poder: Até quando vamos conviver com essa insegurança? Impunidade? Falta de respeito às leis? Omissão das autoridades? É preciso ter pressa, enquanto ainda há tempo para mudar o rumo da sociedade baiana, caso contrário Salvador será mais uma capital assustada e subordinada ao tráfico de drogas.
A força da TV
Por Márcia Barreto

A televisão vem sendo objeto de pesquisa de vários estudiosos. Inúmeras questões já foram abordadas, mas não se tem conclusão nenhuma acerca do que é esse aparelhinho aparentemente inofensivo capaz de fazer maravilhas e barbárie. Essa coisa chamada TV chegou no Brasil na década de 50, sem nenhuma cerimônia, foi fincando raízes, entrando sem pedir licença nos lares e conseguindo transformar as pessoas e toda a sociedade. O poder é tão grande que induz o país de norte a sul.
Tem uma produção eclética. Qualquer um consegue identificar-se com os programas de auditório, novelas, esportes, notícias, enfim o cardápio é variado. Basta colocar o dedo no controle e está ali o desejado, é a gosto do cliente. Com características próprias, a TV possui grande poder junto à sociedade. Tudo que é mostrado provoca discussões, debates, indignação e revolta na população. Por isso é preciso cautela na hora de noticiar um fato.
Nas últimas semanas a televisão tem dado espaço diário a um crime que aconteceu em São Paulo, onde a vítima foi uma garota de cinco anos morta misteriosamente. As autoridades não conseguiram ainda saber quem são os verdadeiros culpados. Mas noticiam a prisão de dois suspeitos, deixando a entender nos comentários que os acusados são os verdadeiros assassinos, antes mesmo de sair o resultado do inquérito policial. A notícia da morte da criança causou indignação entre os brasileiros, mas isso não dá o direito à TV de colocar a opinião pública contra os dois principais suspeitos. Já que a lei é clara: todos são inocentes aos olhos da lei até que se prove o contrário.
A relação entre televisão e sociedade é complexa. E se faz necessária muita precaução na hora de usar a autoridade desse pequeno aparelho que tem o poder, para não prejudicar pessoas inocentes como já foi feito no passado. O caso da Escola Base é um deles e tornou-se um assunto muito discutido pelos estudantes de comunicação, que aprendem desde o início que uma informação dada como verdade, sem que tenha ocorrido o esclarecimento dos fatos, pode comprometer eternamente a vida de pessoas inocentes.
Mas esquecimento ou não, muitos ex-alunos estão atuando no mercado de trabalho e esquecerem tudo o que viram na academia. As imposições dos proprietários dos grandes veículos, que é a audiência a qualquer custo, são absorvidas abruptamente, e chega a ser louvável a tamanha dedicação desses profissionais, pena que por motivos obscuros. A fama e o dinheiro são grandes vilões dessa história de sofrimento e dores incuráveis de pessoas inocentes. A forma de fazer telejornalismo deve ser reavaliada, antes que seja tarde de mais. Devemos todos nos preocupar, e muito, com isso. Hoje são eles, amanhã poderá ser você.

LABORATÓRIOS DE BOA VONTADE

Alice Coelho
Com a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu prestar atenção na publicidade dos analgésicos. “Doeu a cabeça, a febre chegou, tome remédio x”. É assim que são as propagandas dos medicamentos que podem estar agravando casos de pacientes com dengue. Foi nesse contexto que a Anvisa pediu, na última sexta-feira, 4, para que os laboratórios deixassem de veicular propagandas dos analgésicos, não se restringindo aos que contenham ácido acetilsalisílico, comprovadamente prejudiciais nesses casos. Isso inclui o paracetamol, suspeito de causar insuficiência hepática.

Para início de conversa, deveríamos discutir se a publicidade de remédios não teria que ser definitivamente proibida, o que hoje, pela lei, não é possível. Há uma relação de medicamentos que são isentos de prescrição médica, e dentro dela estão os analgésicos. Por isso, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, espera, diante do pedido, que os laboratórios deixem de veicular as propagandas e aproveitem voluntariamente esse espaço na TV, no rádio ou mesmo nos impressos, para conscientizar a população a respeito do risco do uso de analgésicos sem prescrição médica.

Um dos princípios básicos que nos faz pensar que a lei precisa ser revista é a velha história de quem sabe que remédio devemos tomar é o médico. Ele estuda para saber diagnosticar nossos males, avaliar o caso e prescrever os remédios adequados. Mas a maioria da população, insiste na auto-medicação, principalmente quando se depara com dificuldades de atendimento médico.

Diante desse quadro, em uma situação grave como a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a situação fica ainda mais crítica. Os casos aumentam e mesmo com o reforço dos hospitais militares, ainda há casos de pessoas que não conseguem atendimento. É nessa hora que a auto-medicação, como medida de emergência, pode ser prejudicial e às vezes, fatal.

ÍNDICES DA VIOLÊNCIA

A capital baiana tem assistido, nos últimos dias, seja pela televisão ou pelos jornais, aos capítulos de uma novela que aflige a população: o aumento da violência. Quando a manchete dos jornais não estampa os abalos provocados pela natureza, nela aparecem mortes de policiais, assaltos a ônibus, homicídios, tráfico e outros. As ocorrências têm tido aumento significativo principalmente nos fins de semana. Em decorrência disso, tem sido freqüente assistir a este tipo de notícia nas segundas-feiras nos principais veículos de comunicação. A violência aumenta e conseqüentemente, as notícias sobre ela.

O cenário é preocupante. A Bahia, em particular, assistiu no último mês, à exoneração do secretário de Segurança Pública do Estado. O próprio, antes de renunciar, admitiu estar diante de um quadro no qual a violência aumentava, enquanto o setor carecia de estrutura.

Há uma especulação de que, no caso baiano, o quadro agravou-se a partir do governo de Jacques Wagner (PT). Números da Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicam que em 2007 houve 1.337 assassinatos contra 967 em 2006, quando o estado era governado por Paulo Souto (DEM). Dados da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Rifla) contradizem os dados de 2006 informados pela SSP. A Rifla aponta para 2006, 1.176 assassinatos. Parece que o governo anterior tentou varrer a sujeira para baixo do tapete do vizinho.

Um estudo feito pela entidade revela que no país, entre 1996 e 2006, o índice de homicídios subiu em 20%. Dentro deste contexto, Salvador está na 342ª posição no ranking dos 556 municípios mais violentos e que concentram 44% da população do país. Isso significa dizer que 73% dos homicídios ocorreram nessas 556 cidades.

A segurança pública não é um problema isolado da Bahia e muito menos de Salvador. É necessário desconsiderar as rixas e heranças políticas, arregaçando as mangas para o trabalho. Não bastaram os R$ 890 milhões aplicados com o lançamento, em 2007, do PAC de Segurança - o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o qual duplicou os investimentos no setor. Pelo jeito, não é suficiente aumentar as cifras, mas aplicar estratégias eficientes no combate a violência no país.
*Alice Coelho

RECÍPROCAS REPATRIAÇÕES

A relação entre Brasil e Espanha anda um pouco abalada. O motivo: brasileiros não aceitos na Espanha e espanhóis são repatriados do Brasil. O clima é de preocupação para aqueles que desejam transitar entre os dois países, mas muito mais pelos brasileiros, que têm tido o visto negado injustamente. Nosso país é conhecido pela diplomacia e pela política de boa vizinhança, mas precisa acordar para o desrespeito com os seus cidadãos que tentam entrar em outros países. E não precisamos ser tratados como exceção: é necessário apenas que se cumpram as leis de imigração.

A verdade é que o responsável pela boa relação entre os dois países é muito mais do Brasil do que da Espanha, por ser um país pacífico e que por vezes beira à passividade excessiva. Nos últimos tempos, enfrentamos uma série de restrições à entrada de brasileiros em território espanhol. Só em 2007, segundo informações do consulado geral brasileiro, mais de 3 mil pessoas foram barradas na Espanha e até o último dia 13, mais de mil tiveram sua entrada negada. Em contrapartida, entre 2005 e 2007, conforme dados indicados pela Polícia Federal, apenas quatro espanhóis foram deportados ao país de origem.

Mas esse número subiu. Desde janeiro desse ano até a segunda quinzena de março, mais de 20 turistas de origem espânica tiveram negada sua permanência em solo brasileiro. A Polícia Federal justifica que os deportados não tinham os documentos exigidos pela lei de imigração. Coincidência ou não, o número de turistas espanhóis repatriados cresce a partir do fato dos relatos de maus tratos e discriminação de brasileiros na Espanha. Os depoimentos são os mais diversos: eles não podem fazer ligações, ficam presos em aeroportos, sem alimentar-se e expostos a constrangimentos.

O clima de tensão aumenta quando o Ministério das Relações Exteriores no Brasil sugere “lei de reciprocidade” após 30 estudantes brasileiros serem impedidos de entrar em território espanhol no início desse mês. A lei de reciprocidade, que nada mais é do que usar do mesmo rigor que os espanhóis utilizam para aceitação de estrangeiros, está bem longe de corresponder aos abusos cometidos com os brasileiros. Não que não valha e também não significa o “pagar com a mesma moeda”, mas está mais do que na hora de o brasileiro resgatar o orgulho próprio e tomar ações mais incisivas. E a única coisa de que precisamos é respeito para com nossos cidadãos.
*Alice Coelho

ESTRELAS SÃO UM ESCÂNDALO!

Alice Coelho
Elas estão no alto, fora do alcance de nossas mãos. São as estrelas, que brilham no céu, imperando com a sua grandeza. Elas são astros por natureza, que encantam pela luz que emanam, essa que, quando em vez, é ofuscada pelas nuvens que as encobrem.

Elas passam algum tempo sem brilhar, escondidas, no ostracismo provocado pelas névoas que as cercam. Nesse período, as estrelas esperam a ausência da massa de vapor que se eleva no ar. Um dia elas vão embora e a estrelas voltam a brilhar. Mas nem sempre é só luz que emana das estrelas. Elas são tão irrequietas que nem sempre se contentam em propagar luz. Há mais coisa entre céu e terra... Acreditaremos sempre que estrelas são astros inabaláveis?

Pode causar estranheza, mas há muitas estrelas que brilham sem sequer, sair do chão. São nossos astros terrenos, seres humanos de carne e osso. O brilho está na capacidade de parecerem perfeitos, de não saírem da linha e viverem no mundo ideal – o desejado por todos os humanos, quando não, na capacidade de produzir escândalos.

Além de nascer com o traseiro virado para lua, normalmente disparam sua fama da noite para o dia. As luzes emanam, agora, dos flashs usados nas câmeras dos paparazzi. Quanto mais flash, mais fama e mais brilho, porém mais perfeição é exigida das estrelas. Elas não podem mais entrar no mundo comum dos humanos e administrar isso não é para qualquer um. A vida pessoal não mais existe – ela se torna agora vida pública.

Em torno das estrelas se cria a imagem do ídolo, baseada em estratégias que permitam o seu brilho contínuo. Essa imagem é frágil, pois não corresponde ao real e não considerada que eles são, antes de tudo, humanos. É evidente que são considerados bons no que fazem, mas não há de se fazer manchete de seus hábitos da vida privada.

Um gol. Dois gols. Uma Copa. Uma carreira astronômica e internacional, com muita fama e dinheiro. Mas e a vida pessoal? Não vai bem, obrigado. Manchetes estampam casamentos, affairs, bebedeiras, farras, excesso de peso, sexo e drogas. A atenção agora é desviada para um cenário em que não há nada de tão admirável.

As névoas ofuscam o brilho da estrela. Será? Mas ele não é o homem da bola no pé? Não é o que parece. Agora o astro do futebol se torna o rei do escândalo sexual. O olhar da câmera se volta para a conduta moral do jogador, cobrando dele a imagem ideal personificada através da criação do ídolo. A luzinha vai se apagando... Não! Contraditoriamente ela se acende, por conta de um lado mais obscuro da vida pessoal do astro.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Composição

Alice Coelho /Karina Oliveira

As portas estão fechadas
O Edital Portas Abertas da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) está com as inscrições abertas. Tal edital visa seleção de exposições artísticas, mas oferece valor tão irrisório, que dá até vontade de rir. Um pouco mais de mil reais. No ano anterior a Fundação foi mais coerente com o valor lançado através do edital Matilde Mattos. Eram R$6 mil. Assim se podia pensar numa exposição decente. E a notícia pior é que o edital Matilde Mattos não deve se repetir em 2008. Então, quem não foi contemplado em 2007, vai ter que se contentar em concorrer aos mil reais das Portas Fechadas. Digo, Abertas.

MAM e planos para apoio ao artista
Quem disse que imitar é ruim? Prova de que pode ser bom é a iniciativa do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), que pretende lançar projeto aos moldes do Instituto Sacatar, na Ilha de Itaparica. O Instituto é residência artística e recebe pessoas dos mais diversos locais, com o objetivo de incentivar a produção de arte. O MAM, que ainda está em reformas, já contactou com uma artista portuguesa que virá para o Brasil. Ela terá o apoio financeiro do museu e, inicialmente, até as reformas se concluírem, ficará hospedada nas proximidades do local. Mas os planos são de que os artistas apoiados fiquem no próprio museu. A idéia inicial é reconhecidamente digna de aplausos. A única preocupação é que os artistas contemplados não sejam somente aqueles que seguem esta ou tendência, e muito menos, que se siga uma estratégia bairrista.

A consciência ambiental no Cinema da Praça
Parabéns para a parceria da Fundação Gregório de Matos e a Empresa Bahiana de Águas e Saneamento (Embasa). Levar o cinema para praças de Salvador, aliando a cultura à educação ambiental, é um benefício duplo. Amanhã, quinta-feira, 24, será a vez do Candeal de assistir “Saneamento Básico, o Filme”. A próxima edição será no bairro Lobato, ainda sem data definida. Este já é o terceiro ano do Programa Cinema na Praça, promovido pela Fundação. Desta vez, a parceria com a Embasa veio a calhar.

Neojibá em turnê pelo interior
O grupo da Orquestra Juvenil Dois de Julho formado pelo Neojibá, uma parceria da Orquesta Sinfônica da Bahia, Teatro Castro Alves (TCA), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), pretende iniciar no mês de julho uma turnê pelo interior do estado. O gosto pela música reúne mais de 100 jovens e os espetáculos são a preço simbólico. Além desse grupo, um outro está se preparando para apresentações. É a Orquestra Mirim, até então monitorada pela primeira. A idéia desse projeto, lançada em setembro do ano passado, é de formar núcleos regionais em Salvador.
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O plano cheio de boas intenções
Mais uma boa ação dos governos estadual e federal pode dar o ar de sua graça; O plano de desenvolvimento territorial , que conta ainda com o apoio da Secretaria de Cultura (Secult). A ação será coordenada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia denomina-se Palno de Desenvolvimento Territorial. O projeto ainda não saiu do papel, mas visa prestar uma assessoria junto a cinco territórios: Bacia do Jacuípe, Baixo Sul, Sisal, Velho Chico e Vitória da Conquista. Para tanto, recorrerá a assessoria técnica de pesquidadores do curso de administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba).A intenção ao se pensar este plano é descentralizar o foco da capital, Salvador, e transferir recursos para outros municípios, realizando ações que visem satisfazer às necessidades de cada lugar, a exemplo da recuperação de sua identidade. Mas como de boas intenções o inferno está cheio, espera-se que esse plano passe de apenas intenção para a realidade e seja concretizado

LARES DA VIOLÊNCIA

Alice Coelho

Isabella Nardoni tinha apenas cinco anos. Perdeu sua vida de forma brutal, em meio a explicações confusas e contraditórias feitas pelo pai e madrasta. A menina é a única que não pode esclarecer a sua morte. Se pudesse, tiraria o peso da responsabilidade que está sob a polícia que investiga o caso.

De forma preventiva, a polícia solicita a prisão do pai, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. Não há provas que os condenem, apesar das evidências, mas há falta de argumentos que possam inocentá-los. Até agora, somente cartas e fotos do casal com explicações pouco convincentes foram divulgadas à imprensa.

A dificuldade da polícia em conseguir provas e evidências mais concretas tem sido o principal entrave do caso. Diante disso, assistimos ávidos a cada capítulo, na esperança de que se descubra o responsável pelo crime.

A situação nos remete ao caso da menina Madeleine McCann, desaparecida em 3 de maio de 2007. Em circunstâncias suspeitas, a menina desaparece do quarto onde os pais a haviam deixado, sem aparente explicação. Os pais foram também considerados suspeitos, mas até então as investigações caminham sem muito sucesso.

É perceptível a complexidade dos dois casos. Ambos aconteceram em famílias bem estruturadas, pelo menos economicamente. O que nos leva a pensar que um crime desse tipo possa ter sido cometido pelos próprios pais? Nossa sociedade tem assistido cada vez mais a cenas de violência dentro dos próprios lares, como o caso de Suzane Richthonfen, que matou os pais com o auxílio do namorado, em 31 de outubro de 2002. Episódios como esse são cada vez mais comuns e assustam a população.

Há os que discordem da prisão do casal Nardoni, dizendo que essa é atitude de uma polícia perdida nas investigações. Ponderemos que, diante de uma situação em que não há provas tangíveis, é necessário que se aja preventivamente com os suspeitos. E o que agrava essa condição de Alexandre e Anna Carolina são as declarações contraditórias e pouco convincentes. O que há para se entender é que não é intenção da polícia prender ninguém injustamente, mas até então, os principais suspeitos devem ficar sob vigilância da justiça.

Tudo pela beleza


A indústria dos cosméticos arrecada milhões com a venda intensa de seus produtos. Produtos estes, fabricados em larga escala visando atender a demanda que, por sinal, é muito grande. São muitas mulheres, e homens também, porque não, querendo ficar mais jovens e com o “corpinho em dia”.
Essa indústria, cada vez mais em ascensão, molda-se no desejo que as mulheres têm, em ter um corpo “perfeito”, e se for possível, parecido ou até igual ao de uma atriz de Hollywood. Os cosméticos servem apenas como complemento no tratamento. No entanto, várias campanhas de cremes rejuvenescedores prometem resultados fantásticos, e algumas, chegam a afirmar que os resultados são percebidos em pouco tempo de uso, o que de fato não é verdade.
As novidades do mundo dos cosméticos são “um prato cheio” para a mulherada que busca a fórmula da eterna juventude. E essa tal fórmula, que não existe, está inserida em todos os lançamentos dos produtos. Pelo menos é o que fica claro nos comerciais de TV e anúncios de revistas. Basta ver uma nova propaganda de um determinado produto, que promete corrigir várias imperfeições na pele, que as mulheres ficam loucas para comprar. Acabam gastando o que tem e o que não tem, tudo em nome da beleza.
Mais fica aqui registrada uma pergunta, neste caso, um velho clichê, ou seja, a pergunta que não quer calar: esses cremes e loções milagrosas realmente funcionam? Se de fato funcionam, eu não sei, mas que vendem, vendem, e muito. O mercado é sustentado pelas consumidoras que se alimentam de ilusão, acreditam que os produtos estão fazendo efeito. Seriam estes efeitos psicológicos ou ilusórios? Vai saber.
O que de fato funcionam são as cirurgias plásticas. Toda mulher quer corrigir alguma imperfeição no corpo, pois, nunca estão satisfeitas. Coloca-se Botox aqui, estica-se ali, aumenta, diminui, etc; assim o bisturi vai fazendo o seu trajeto pelo espaço delimitado e marcado com uma espécie de caneta. A cantora Elza Soares é uma personificação da plástica. Uma mulher transformada, para não dizer, uma mutante da novela da Rede Record. Elza é metade afro-descendente e metade oriental, isso, graças ao seus notáveis olhos esticados. A apresentadora Hebe Camargo nem se fala, pois, não envelhece nunca. Já Ana Maria Braga, é outro caso. Mexe tanto, que a cada plástica, sua aparência fica cada vez pior. Mas Ana Maria tem muito dinheiro para investir na sua estética. Se não fica satisfeita, faz quantas vezes for preciso, tudo pelo bem-estar, ou melhor, pela beleza.

Bairro essencialmente cultural


Uma mistura de ritmos, raças e cores. Assim, o Pelourinho se define entre suas ruas de pedras, casas coloridas, bares, artesanatos, arquitetura, culinária, igrejas e terreiros. A diversidade é sua riqueza que encanta aos que conhecem e desperta curiosidade dos que desconhecem.
Bairro tradicional de Salvador e Centro Histórico da cidade, ele já foi palco para a escravidão e seu nome, significa “lugar de chicoteamento de escravos”. Além disso, o bairro ficou por um bom tempo jogado às traças e caracterizado como um local para boêmios e prostitutas. Porém, entre seus altos e baixos, o Pelourinho nunca deixou de atrair artistas de todos os seus gêneros como músicos, pintores, poetas e pesquisadores de toda parte do mundo.
O histórico do bairro não é composto apenas por tristeza, ou seja, existem histórias significantes como a batalha dos moradores por uma reforma na estrutura do bairro. O Pelourinho possui uma grande importância para a Bahia, por ser um patrimônio cultural.
Outro grande feito na história do bairro foi a revitalização que “levantou a moral”, passando assim a atrair turistas de toda parte do mundo e fazendo com que ele ocupasse um lugar no Registro Histórico Nacional, sendo chamado como Centro Cultural do Mundo pela UNESCO.
Para você leitor que tem vontade de conferir todo esse caldeirão cultural, temos algumas dicas como a “Cantina da Lua”, um bar e restaurante que conseguiu sobreviver aos altos e baixos do pelourinho. Seu dono se chama Clarindo Silva, um dos moradores que lutou pelo devido reconhecimento do bairro. Clarindo sempre esta disposto a contar sobre as suas andanças e experiências. Não deixe de conhecer também uma das igrejas mais famosas pela sua beleza e história, a igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos. Qualquer dúvida pode ser tirada pelo sacristão, que sempre apoio os moradores.
Para conhecer um pouco sobre musicalidade e dança passe na sede oficial do Grupo Ollodum, local onde irá encontrar rapazes que encantam com suas percussões e formas diversas de tocar seus instrumentos. Tem também a Bahia Online Music, onde, além de apreciar os ritmos, você irá se deparar com a diversidade das danças afros, incluindo claro, a famosa capoeira.
Além das dicas de vários outros locais maravilhosos a serem desfrutados por você, o bom mesmo, é percorrer as ruas do Pelourinho e aproveitar cada pedacinho do bairro rico em história e diversão.

Feira de sensações

Sendo um dos curiosos cartões de visita da capital baiana, a Feira de São Joaquim encanta conterrâneos e turistas. Um amplo espaço preenchido por mesas, depósitos, barracas e tendas abarrotadas de curiosas especiarias. Nesta sofisticada feira baiana, encontramos de tudo um pouco. Dando um tour pelas mediações da feira encontramos produtos como verduras, frutas, temperos, animais, como galinha e porco, cigarro de palha, bebidas, incenso, panelas, roupas, calçados e até receita de magia para o amor e mau olhado.
É um verdadeiro mercadão a céu aberto. Ao entrar e depois dar alguns passos, você tem a impressão de que está num labirinto. A feira possui estreitos becos, e alguns, estreitos até demais. É preciso ter muito cuidado para não se esbarrar em carregamentos amontoados pelos becos e que bloqueiam de certa forma a passagem.
O ambiente mistura sons, cores, cheiros e sensações. É gente passando de um lado para o outro, vendedores animadíssimos gritando para chamar a atenção dos consumidores, animais emitindo seus sons característicos e donas-de-casa pechinchando. Quando chove, aí é que fica uma beleza, o chão fica todo coberto de lama e sair de lá sem sujar as roupas e as pernas é quase impossível. Afinal, quem está na feira é pra pechinchar e se melar.
A feira de São Joaquim possui características de feiras de cidades do interior da Bahia. Basta entrar e perceber o seu ambiente, que lembra essas cidades calmas, pequenas e com alto “teor cultural”. A feira representa a cultura local da cidade de Salvador, e como esta coluna é destinada a assuntos sobre cultura, seria um deslize meu não falar sobre ela.
A maior feira ao ar livre da cidade tem 43 anos de idade e está localizada no bairro do Comércio. São 34 mil metros quadrados ocupados e que garante a instalação de várias barracas e tendas que fornecem produtos frescos e com preços mais baixos. Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação Social (SMCS), a feira está em processo de obtenção de título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Mesmo quando a chuva chega querendo impedir o movimento, ninguém desanima, até mesmo os fregueses. O que eles querem mesmo é ver as novidades e comprar mais barato. A cada barraca você sente um cheiro diferente. Desde o cheiro das frutas, das carnes em exposição e suor dos feirantes, aos odores de alimentos estragados, etc. Ao contrário de muitas feiras, esta tem até estacionamento exclusivo para os freqüentadores que, por sinal, não são poucos. Passam por lá, gente feia e bonita, educada e ignorante, pobre e rica. Na feira, tudo se mistura.

Quem é Horton, aqui?

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

Não sei, diz um garotinho de três anos, com olhos arregalados e uma sinceridade desconcertante. Ouvindo a resposta dele me pergunto: se uma criança não enxerga em ninguém o personagem que acaba de sair das produções de Waldisney, para contar a história de um simpático e bondoso elefantinho, onde vamos achar pessoas como o encantador Horton? No filme "Horton e o Mundo dos Quem", uma daquelas belas produções onde animais falam como gente e conquistam adultos além de crianças, é ele que salva uma cidade, invisível, da maldade e do egoísmo de outros animais.

A resposta para a segunda pergunta que faço nessas linhas, até poderia ser: em lugar nenhum. Afinal, essa espécie de gente, gente boa, está extinta, acreditam muitos de vocês. Mas eu prefiro apostar que Horton não é só um personagem das telas de cinema. Tudo bem que, do reino animal herdamos apenas semelhanças com o macaco, mas acredito que foi inspirado no "bicho homem" que os americanos criaram um elefante que, na telona, mais parece um bom menino.

A produção infanto-juvenil, que estreou no Brasil há uma semana, usa as cores, as animações em computação gráfica e a graça do desenho animado, para contar a saga de um elefante que tenta proteger o pólen de uma flor. É lá que está guardada a cidade dos QUEM. Os outros animais da floresta pensam que Horton ficou louco, virou um péssimo exemplo para as novas gerações de bichos. Triste constatação, até no cinema, ou melhor, até a sétima arte, classifica os seres como bons e ruins. É a pura imitação da vida. O filme, com pouco mais de uma hora de duração, traz entre os seus personagens principais a mãe canguru. Ela tem aparência e comportamento de animal e um jeitinho, infame, de julgar os outros habitantes da floresta e planejar maldades. É ela quem decide aprisionar o elefante quando descobre que ele carrega na tromba uma flor, que guarda dentro de suas pétalas, milhares de outras vidas. Mamães cangurus assim encontramos aos montes nas nossas andanças pela vida. São aquelas pessoas que têm o dom de julgar alguém ou alguma coisa sem conhecimento necessário para legitimar as suas conclusões. Enquanto fazem apenas julgamento, tudo bem, ou menos mal. Pior, é quando as mamães-canguru, da não ficção, não aprendem a aceitar as diferenças, desconhecem importantes valores da vida. Simplicidade, igualdade e bom senso. Qualidades que só com sabedoria se adquire. E não importa o quanto pequenos e diferentes somos. Esse saber, todos podem conquistar.

Ainda bem que o garotinho, descrito nas primeiras linhas, já provou de uma gota dessa sabedoria. Percebi isso quando, saindo do cinema, meu filho Ricardo falou: "Mamãe, Horton é um elefante muito legal, vou contar para meus coleginhas da escola".

Direto para o céu

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

Mil balões coloridos, uma roupa feita de material térmico capaz de suportar até dez graus negativos, cadeirinha que flutua na água e um desejo incontido: bater o recorde ficando dezenove horas no ar. O padre Aderli de Cali, 41 anos, queria chegar mais perto de Deus levemente, alcançando o céu, pendurado em bolas de soprar. Que idéia louca!

Apaixonado por esportes radicais, o padre já tinha voado de asa delta. E não foi de carona em vou duplo não! Ele aprendeu a pilotar o equipamento entre um e outro intervalo dos compromissos religiosos. Mas esse ano anunciou a mais audaciosa aventura já feita por um homem religioso: Voar de balões de soprar! Quem acreditaria?

Talvez, apenas com idéias sobre as teorias que viu na escola do Cristianismo. Foi lá que ele aprendeu que tem como missão, ensinar os católicos a conquistar a vida eterna com orações, disciplina religiosa e nada de excessos. Radicalismo então, nem pensar!

"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", esse é o ditado que combina com o padre esportista que na segunda-feira, 21/04, com tempo chuvoso e frio, contou com uma platéia formada por admiradores que vibravam com a idéia: velhinhas beatas apavoradas com o que viam e uma legião de jornalistas e fotógrafos. Uma repórter ainda tentou alertá-lo: "Padre o senhor não acha arriscado voar com essa chuva?". "Que nada! Quando eu subir, logo vou estar acima da chuva", respondeu o sacerdote.

Hoje, se vê que os planos de padre Aderli não deram certo. O vento o levou para longe dos destinos traçados, e mais: o esportista experiente não sabe usar o GPS. Os balões foram encontrados boiando no mar do litoral catarinense, ufa! Fico pensando na maldita pergunta da nossa querida jornalista. Praga de repórter pega, viu!? O padre está desaparecido, as buscas não param. E agora, mais do que nunca, precisamos de toda a devoção das beatas da paróquia de São Cristóvão, na cidade de Paranaguá, no Paraná, onde ele congregava, para rezar. Que elas peçam pela vida do padre. De volta à igreja ele podrá traçar outros planos para chegar mais perto de Deus. E sem correr riscos...

Dia Mundial da Saúde, sem saúde

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

O mundo comemora hoje o dia da saúde. A data foi criada pela ONU Organização das Nações Unidas, para discutir ações de combate a epidemias e endemias que ameaçam a humanidade. Cólera, Leptospirose, Leishimaniose, Esquistossomose, Tuberculose e muitos outros males, quase sempre devastadores.

Em Salvador, as doenças infecto-contagiosas e parasitárias atingem principalmente moradores de bairros da periferia. No último levantamento feito pelo Centro de Controle de Zoonozes, de cada cem pessoas que foram submetidas a exames, quase vinte por cento tiveram o diagnostico de uma ou mais doenças infecto-contagiosas.

Não faz muito tempo que nós leigos e até os especialistas chamávamos de doenças de pobre. Não por preconceito, e sim, uma constatação baseada nas características dos doentes. As crianças são as principais vítimas. Meninos de favelas, pés descalços, com pouca comida na mesa e moradia sem esgoto sanitário. Desde os tempos dos nossos avós esse é o perfil das crianças que mais desenvolvem as enfermidades, chamadas de problema de saúde pública, “doença pública” seria mais compreensível. A exposição a doenças que podem até matar é fruto de uma vida sem estrutura. Falta apoio das autoridades responsáveis por políticas públicas que possam garantir o mínimo de dignidade.

É exatamente essa lacuna, deixada pelos políticos brasileiros, que ofusca a data instituída no mundo inteiro para se comemorar a nossa SAÙDE, um bem precioso hoje desprezado por nossos governantes.

Em Salvador assim como em muitas outras capitais brasileiras não temos motivos para comemorar o dia mundial da saúde. Aliás, muitos sequer têm saúde para festejar a data. Os números provam essa fragilidade.

Atualmente estamos ameaçados por um mosquito que tem nome e sobre nome de peso, maior ainda é a sua capacidade de nos derrubar. O Aedes Aegypti - um bichinho feio de longas pernas manchadas de branco - é o transmissor da dengue. De janeiro a março deste ano já são mais de oito mil casos da doença na Bahia, quase duzentos em Salvador.

Será culpa do famigerado mosquito que gosta de água limpa, se alimenta se sangue e ainda é feminista? Só as fêmeas transmitem a dengue. È claro que não. Ele é um vilão, mas o mais ameaçador de todos os bichos, nesse momento, é o “bicho homem” sobretudo os que estão no poder e se mostram incapazes de preservar as nossas e as suas próprias vidas.

Por enquanto só nos resta esperar, para festejar, quem sabe nos próximos anos, o Dia Mundial da Saúde, com saúde.

Mãe do lar

Por: Ísis Santana e Thaís Bittencourt


Historicamente, o fruto da Guerra Fria resultou na atual economia mundial, baseada no capitalismo. E esse modo capitalista perdura e se renova cada vez mais. Antigamente, os bens de consumo tinham durabilidade, mas o “mercado” percebeu que não era lucrativo. Hoje, os produtos são mais frágeis, e o conserto é praticamente o valor de um produto novo.

Os eletrodomésticos são os bens de consumos mais cotados. Eles são “uma mão na roda” para as donas de casa. E diante da modernização em relação à igualdade dos sexos, as mulheres com a ajuda dos eletrodomésticos já não necessitaram mais ser escravas do lar.

Com os dias das mães se aproximando, os informes publicitários bombardeiam com promoções, voltados para as donas de casa, apresentando-lhes os mais novos produtos desde a geladeira ao fogão. Mas mesmo com a mudança social, em que as mulheres trabalham fora de casa, é visível que ainda resistem os conceitos retrógrados, de que a mulher tem a obrigação de se “enfiar” na cozinha.

E o que é um eletrodoméstico em relação ao amor que toda mãe tem pelo filho, em relação as suas travessuras e estripulias. Logo a mãe que depois de árduos noves meses, sofreu com as dores do parto, amamentou, perdeu noites de sono devido aos choros incansáveis, e recebe em um dia tão especial, uma máquina de lavar, em vez de um singelo cartão com um belo café da manhã e um perfume para adocicar o corpo!

CORRIDA À PREFEITURA DE SALVADOR

Em 5 de outubro os eleitores baianos vão escolher seus novos prefeitos e vereadores. Ao contrário do que acontecia em pleitos anteriores, quando a campanha se dividia entre carlistas e não-carlistas, este ano pelo menos quatro forças políticas disputam a administração de Salvador. Os candidatos já começaram a articular suas campanhas. Alguns são figuras conhecidas no cenário político, mas a grande surpresa é o radialista e apresentador Raimundo Varela (PRB). Figura carismática entre os pobres e mais necessitados, este candidato poderá ganhar muitos votos nessa faixa de eleitores e surpreender nas eleições.

ACM Neto (DEM), 27 anos, deputado federal em seu segundo mandato, participa todas as semanas de festas populares e realiza encontros com líderes comunitários. Desde fevereiro de 1967, quando o senador Antônio Carlos Magalhães tomou posse em seu primeiro cargo no executivo como prefeito nomeado da capital baiana, nenhum parente participa diretamente da disputa. O deputado é um articulador nato, porém com interesses escusos. Representa um modelo de governo e conduta política completamente fracassados, basedo na postura populista e demagógica do seu avô, que sempre defendeu na realidade os interesses da classe dominante.

Já o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), cria do carlismo, aposta na experiência para derrotar os seus adversários. Mas será que traz novidade na sua forma de gestão pública só porque mudou de partido ou estará fazendo apenas uma maquiagem do político arcaico parasita? Seria um lobo em pele de cordeiro? Prefeito de Salvador por oito anos, o tucano pretende realizar uma campanha ousada. Manteve contatos com o publicitário Duda Mendonça, um dos mais conhecidos marqueteiros do Brasil, (responsável pela primeira campanha vitoriosa do presidente Lula ao Palácio do Planalto) envolvido no escândalo do mensalão.

No ano da disputa, o prefeito João Henrique (PMDB) investe em obras de grande visibilidade eleitoral (recapeamento asfáltico nas principais ruas e avenidas da cidade, instalação de iluminação mais moderna e uma mania quase que psicótica de pintar meio fios). E os outros anos de governo, o que ele realmente fez para a cidade? Os índices de violência aumentaram, a saúde publica está entregue as moscas, e o custo de vida e desemprego elevaram signicativamente. Para seu azar, o diretório estadual do PT sinalizou que quer disputar a eleição com candidato próprio, e o nome mais provável é o do deputado federal Nelson Pellegrino (derrotado em três vezes como candidato à prefeitura de Salvador). Nelson confia no seu histórico de atuação parlamentar, mas é apenas mais um elo em instância municipal da forma de administrar já presente nos governos estadual e federal.

Para os descrentes nos candidatos que representam o continuísmo, a idéia de um salvador, personalizada pela figura de Raimundo Varela, poderá ser uma válvula de escape da velha forma de conduta política representada pelos outros candidatos. Isso se deve ao fato de Varela não ter experiência em cargo eletivo e, portanto, perante os eleitores, não possui desgaste em sua imagem. Mas o principal fator é a questão do radialista ser muito popular principalmente entre os moradores da periferia, sua candidatura ganha pontos com atuação extra política nos últimos 30 anos de ajuda aos pobres e desasistidos através dos seus programas de rádio e televisão. Quem sabe agora, essa seja uma boa opção de caminho a ser escolhido, se aproximando da antiga aspiração do povo brasileiro de ter um líder generoso e com sensibilidade suficiente para atacar os problemas mais básicos enfrentados pelos menos favorecidos.

Silmara Miranda

DENGUE. DE QUEM É A CULPA?

Silmara Miranda

Febre, dores no corpo, principalmente nas articulações, e dor de cabeça. Também pode aparecer manchas vermelhas pelo corpo e, em alguns casos, sangramento. Esta é a cena mais comum, hoje, nos hospitais do Rio de Janeiro, devido ao alastramento da dengue. Qual o motivo, afinal de contas, do surto da doença na cidade?

Em março de 2002, o Brasil foi atingido por uma das piores epidemias de dengue na sua história. Seis anos depois, o mosquito volta a atacar. Segundo dados do Ministério da Saúde, já foram registrados quase 50 mil casos da doença no Estado do Rio de Janeiro, que resultaram em 70 mortes, sendo 45 somente na cidade carioca. A doença é transmitida apenas através da picada de uma fêmea contaminada do Aedes aegypti, pois o macho se alimenta de seiva de plantas.

As linhagens dos mosquitos, surgiram antes de aglomerações e movimentações nas cidades, assim, tinham poucas chances de causar grandes epidemias e terminavam por falta de hospedeiros susceptíveis. Contudo, com o crescimento populacional urbano, houve uma maior disponibilidade de hospedeiros humanos, propiciando um crescimento substancial da população viral.

Aliado ao aumento da população urbana, existem centenas de favelas nas quais a coleta do lixo ocorre com pouca freqüência e o sistema de esgoto é precário. Dessa forma, torna-se difícil a tarefa de eliminar poços de água, oferecendo conseqüentemente, abrigos para o mosquito pôr seus ovos. Em 90% dos casos, o foco da dengue está nas residências.

Uma característica comum do mosquito é ele picar principalmente ao amanhecer e no final da tarde. Na época do calor - primavera e verão - o seu ciclo reprodutivo fica mais rápido e ele se multiplica com maior velocidade. A temperatura ambiente entre 26 e 28 graus é a que mais favorece o mosquito. Qualquer temperatura inferior a 18 graus o torna inoperante, e com 42 graus, ele morre. Portanto, a incidência de casos da doença é especialmente nos países tropicais como o nosso.

Dessa forma, já que existem condições naturais no Brasil que favorecem a proliferação do mosquito, há de se cuidar do sistema de saúde pública que há muito é precário e insuficiente. A soma da conscientização da população no combate ao transmissor e um sistema de saúde mais eficiente, pode ajudar a erradicar o surto e evitar mais mortes.

A INDÚSTRIA DA NOTÍCIA

Silmara Miranda

Há muito tempo já se sabe que a finalidade do jornalismo deixou de ser apenas informativa e passou também a visar lucros. Essa corrida do jornalista por novas “mercadorias” – matérias sensacionalistas que ganham espaço cada vez maior nos meios de comunicação – faz com que se apontem vilões antes mesmo do julgamento legal e de provas condenatórias. A exemplo do que presenciamos agora com o caso Isabela Nardoni.

A função nobre do jornalismo é informar, trazer conhecimento útil ao cidadão, prezando-se a ética, a moral e a imparcialidade. Contudo, o que vemos hoje, é uma busca desenfreada pelo sensacionalismo: conduta jornalística que visa audiência e a venda de jornais e revistas.

O caso mais atual é o de Isabela Nardoni, cinco anos, que morreu ao ser jogada do sexto andar de um prédio, em São Paulo, e cujo pai já foi pintado pela imprensa como o culpado. O jornalismo busca diariamente um “bode expiatório” para alavancar sua audiência e prender a atenção de expectadores ávidos por informações. A mídia dá sua versão do caso e constrói uma realidade.
Reportagens diárias, desde o dia da morte da menina, buscam sugar o máximo possível de informações, inclusive as de caráter especulativo. O problema é a forma inescrupulosa como essas notícias são veiculadas, desrespeitando o direito do cidadão à ampla defesa.
É como se a mídia precisasse de mocinhos e bandidos para tornar a história mais emocionante.
Tem-se a vítima, uma criança indefesa, brutalmente assassinada; o bandido precisa ser encontrado e a imprensa já fez o papel da justiça, atribuindo de forma velada a autoria do crime ao principal suspeito: o pai. Assim, tem-se um roteiro de grande audiência, pois se mexe na célula sagrada de toda sociedade: a família. As pessoas esperam ansiosas o desfecho do caso.

O pai de Isabela se tornou um monstro para o Brasil. Sua prisão temporária – feita para dar uma justificativa a população sedenta por justiça – aconteceu sob um clima hostil, um verdadeiro linchamento moral, no qual não faltaram xingamentos do tipo “assassino, criminoso”, sem ao menos haver uma prova concreta sobre o crime. Ora, será que ninguém se lembra mais do caso Escola Base? Acusaram pessoas inocentes, que tiveram sua imagem denegrida até se provar sua inocência. O brasileiro tem memória curta e age por impulso.

Dessa forma, ao apresentar a sua versão sobre o caso, a mídia deve tão somente se ater aos fatos concretos preservando o máximo possível a integridade moral das pessoas envolvidas e respeitando a dor dos que perderam um ente querido.

BAIXO QI?

Silmara Miranda

A declaração do coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Antônio Natalino, em que ele atribui a nota abaixo da média dos alunos na prova do Enade ao “baixo QI dos alunos” e ainda afirma que “o baiano só toca berimbau porque tem uma corda só. Se tivesse mais, não conseguiria”, me reportou a alguns baianos que conheci ao longo da minha vida de estudante e apreciadora da arte. Analisei-os segundo a ótica de Natalino.

A primeira pessoa que me veio à cabeça foi Ruy Barbosa. Diplomata e advogado, a quem em 1890, D. Pedro II se referiu ao afirmar: “Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia, no fundo da nave, é o talento de Ruy Barbosa”. Talvez D. Pedro não estivesse tão certo assim, pois um membro fundador da Academia Brasileira de letras não deve merecer tal apreço.
Quanto ao escritos Jorge Amado, parece-me uma simples coincidência ser um dos escritores com mais livros traduzido no mundo. Castro Alves? Bem, ele foi o autor do poema “O navio negreiro”. Nada demais. E Gregório de Matos foi apenas o maior poeta Barroco do Brasil.

Talvez o cantor e compositor Dorival Caymmi nem soubesse tocar berimbau. João Gilberto criou uma tal de “Bossa Nova”. Certamente não é apreciada pelo coordenador da faculdade de Medicina da Ufba.

Raul Seixas – pai do rock and roll brasileiro –, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa também devem ser personalidades desconhecidas do repertório de Natalino.
No esporte o pugilista Popó (mundial em duas categorias de boxe), no teatro, Lázaro Ramos, Wagner Moura,... etc, etc, etc...

Ao generalizar e desprestigiar ícones que representam uma riqueza do Brasil, só há duas alternativas para a infeliz declaração de Antônio Natalino. Um surtado preconceituoso ou um alienado que vive em outro mundo. Mundo da lua talvez. Vai saber...

A FILA NÃO ANDOU

Há quatro anos quando vim morar em Salvador eu pensava: “Essa é a terra da tranqüilidade... mar, água de côco e só alegria”. Estava certa até ter de enfrentar o trânsito de Salvador. Os problemas envolvem a organização do tráfego, pistas esburacadas, má sinalização e ônibus sucateados. Sem contar a má formação dos condutores baianos.

Passar às seis horas da tarde em frente ao Shopping Iguatemi sempre foi um tormento. O Crea-BA diz que a frota de veículos particulares em Salvador tem crescido 5% nos últimos anos, aumentando assim, o volume de congestionamentos. Esse aumento se deve, entre outras coisas, à grande facilidade para se conseguir crédito para a compra de carros novos ou usados (chegam a ser parcelados em até 80 vezes) e a falta de transportes de massa de qualidade.

Salvador, coitada, foi uma terra preparada apenas para o sol forte. A culpa é de São Pedro por mandar torrentes de chuva que inundam a cidade, afundam carros e, quando vão embora, deixam suas marcas registradas: buracos no asfalto que parece feito de açúcar.

Outro fator que contribui, e muito, para o caos no trânsito é a má formação dos motoristas. A faixa de pedestres e a de prioridade para ônibus são meramente simbólicas. O pedestre não sabe se espera até uma alma caridosa parar, ou se atravessa correndo – neste caso, em vários pontos da cidade, caminham entre os carros atrapalhando o trânsito. Já o motorista, não pára porque é perigoso algum carro vir com tudo na traseira do carro. E invade a faixa do ônibus porque não tem paciência de ficar no congestionamento, que aumenta a cada ano. É um ciclo vicioso.

Observar o trânsito em Salvador é uma comédia para quem está nos dias de bom humor. Os motoristas não ficam em suas faixas, furam tranquilamente sinais vermelhos ou então incorporam Felipe Massa.Certa vez, quando fui comparar meu carro, perguntei para o vendedor se os retrovisores eram opcionais. Ele sem entender nada falou que não e perguntou o porquê. Eu respondi: porque aqui na cidade ninguém usa mesmo...

Silmara Miranda

terça-feira, 27 de maio de 2008

Epidemia de desespero

Com o crescente surto de dengue em todo o país, as famílias se desesperam em vista de tantas vitimas da doença. Os focos aumentam a cada dia, para não dizer, a cada minuto. Isso, pela falta de medidas preventivas e pela falta de consciência das pessoas.

Em vez de adotarem medidas prévias, antes de acontecer um caos, como está ocorrendo agora, simplesmente se acomodam e não se habilitam a fazerem as partes que lhes cabem como cidadãos. Se cada um fizesse realmente seu papel, o surto de dengue não teria ganhado tal proporção.

As pessoas só descruzam os braços quando a situação se agrava e torna-se quase que incontrolável. Quando não tem mais jeito e a coisa ficou mais feia, é que começam a enxergar e ver a real situação em que estão subordinados. Combater a dengue é dever de todos e a atitude começa dentro da própria casa. A prevenção é um método essencial, senão, o mais importante. Mas todo mundo se previne? Não. A verdade é que o brasileiro deixa tudo para a última hora, e essa última hora, pode ser a única de uma pessoa infectada.

Enquanto a doença não atingir alguém mais próximo, ou seja, um filho ou algum parente, as pessoas não se importam. Mas quando o problema chega dentro de casa, a situação muda. E muda radicalmente. O desespero vem à tona, sincronizado com a sensação de impotência diante de uma situação que poderia ser evitada através da prevenção. Prevenção não só dentro de casa, mas também em todo e qualquer lugar possível.

O mesmo acontece com outras doenças como a febre amarela, transmitida pelo mesmo mosquito transmissor do vírus da dengue, o Aedes aegypti. Em janeiro e fevereiro deste ano, uma epidemia causou pânico em todo o país. E mais uma vez, as pessoas não estavam preparadas para o que estava por vir. Por não se prevenir, a epidemia se alastrou deixando várias vítimas. Os indivíduos já estão condicionados ao desespero e quando uma nova epidemia surgir, reagirão da mesma forma. Uma verdadeira epidemia de desespero.

Mais do que explícito



Há quem diga que o melhor lugar para se fazer sexo é na cama. Outros, mais ariscos, preferem lugares mais inusitados como elevador, carro, avião, ou até mesmo, ao ar livre. Isso mesmo, e não é em propriedade particular não, é em plena praça pública, exposto para qualquer pessoa ver. E ficar constrangida, claro. Isso é o que acontece na Holanda, um país que possui como cartão postal moinhos de vento e é famoso por suas polêmicas.


Como se não bastasse a legalização da maconha, o Museu do Sexo e as vitrines sexuais, em que mulheres exibem seus corpos como mercadorias, o país resolveu liberar o sexo em praça pública, a partir do segundo semestre deste ano. Mais precisamente em Amsterdã, na maior praça da cidade, Voldelpark. O sexo em locais públicos sempre ocorreu, e esse foi o real motivo da liberação. Na verdade, atentado ao pudor é o que não falta neste país. As únicas recomendações são: transar somente à noite, não fazer escândalos e deixar o local limpo. Fora isso, o sexo pode ‘rolar solto’ até o amanhecer.

Aqui no Brasil, por enquanto, uma legalização desse tipo não será possível, talvez, devido à imagem de turismo sexual do país e a repercussão dela no mundo. Seria uma hipocrisia dizer que nenhum brasileiro faz sexo em locais pouco estratégicos e inadequados. Ainda bem que a Holanda não chegou a colonizar o Brasil. Tentou, mais não conseguiu. Se tivesse conseguido... Nem sei o que seria da imagem do nosso país e a tamanha proporção do turismo sexual.

Sensacionalismo em pauta

A televisão brasileira, mais precisamente, a local vem descobrindo uma nova forma de entreter os telespectadores. Programas de cunho assistencialistas e de caráter sensacionalista invadem a programação das TVs baianas. Programas como “Se Liga Bocão” e “Balanço geral”, ambos transmitidos pela Tv Itapoan; e o campeão de audiência comandado por Casemiro Neto, “Que Venha o Povo”, (TV Aratu) são um “prato cheio” para quem curte esse tipo de jornalismo. Isso mesmo! Há quem diga que esses programas moldados com características de telejornais são de fato, jornalismo. O objetivo do jornalismo é reportar a realidade e mostrar a toda população, através dos meios de comunicação. Isso, até esses programas fazem, e demais. Colocam pessoas em situações de maus tratos e miséria e as usam para obter altos índices de audiência.

Em troca de todo um drama protagonizado por essas pessoas, muitas vezes, transmitidos ao vivo, são oferecidos ajudas e assistência. Esse é o cachê que essas pessoas recebem por “escancarar” suas vidas e situações em público. Ajudas como cestas básicas, muletas para deficientes físicos, pagamento de dívidas e outros. A relação é de interesses, ou seja, troca de favores. Através da participação ridicularizada das pessoas essas emissoras ganham audiência. Os telespectadores, constituídos basicamente por pessoas de baixa renda se reconhecem no próximo, se identificam por passarem por situações semelhantes. O povo quer ver seu povo sendo ajudado, já que as autoridades nada fazem por eles.

A pauta principal desses programas populares é sem dúvida, o sensacionalismo. Uma fórmula que deu certo e que gera consideráveis índices de audiência. Um meio de entreter a população local, buscando dramas em comum. Desta forma, a informação vem perdendo seu destaque principal nos programas. Os espaços destinados às notícias se tornam cada vez mais restritos, isso, quando ainda se tem espaço para tal. O entretenimento ganha força e a informação se perde em meio a tanta miséria em exposição.

Não bem-vindos

Vários brasileiros sonham em conhecer um outro país, adquirir mais cultura, conhecer lugares novos e aprender outras línguas. Passam meses planejando uma viagem, organizam tudo e quando chegam aos seus destinos, são deportados. Foi o que aconteceu com 30 brasileiros deportados da Espanha no último dia 5 de março.

Este país possui uma política extremamente rigorosa, lançada há pouco tempo, e que visa controlar o fluxo de imigrantes ilegais. Por conta disso, somente na hora do desembarque é que os turistas brasileiros ficam sabendo se podem ou não permanecer em solo espanhol. Se fosse uma simples deportação, seria menos mal. Entretanto, vários turistas são maltratados e passam por situações constrangedoras. Segundo uma reportagem da TV Record, cerca de 425 pessoas foram barradas, somente no mês de fevereiro.

Essas pessoas chegam a passar horas e horas detidas, esperando um vôo que as levem de volta à sua terra natal, ou seja, o Brasil. Ao contrário de muitos países, o Brasil é o único que acolhe vários estrangeiros de diversos países, de “braços abertos”. Não por muito tempo. Pois, o governo brasileiro deixou de ser totalmente liberal e pouco burocrático, resolvendo intensificar a fiscalização na entrada de estrangeiros. No dia 6 de março, 8 espanhóis foram deportados de Salvador direto pra Madri. Essa seria uma resposta ao governo espanhol por ter retido cerca de 30 brasileiros no aeroporto de Madri? Provavelmente sim. Mas, isso não é o que a Polícia Federal informa. Claro, não emitem nenhuma informação apenas para “abafar” o caso e deixar que o governo espanhol entenda como quiser. Os brasileiros podem até não ser bem-vindos à Espanha; entretanto, o Brasil pode muito bem, adotar as mesmas atitudes. Mostrar que aqui não é “terra de ninguém” e que os brasileiros merecem respeito.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Violência em alta

É constante a presença de matérias referentes à violência na cidade de Salvador na mídia local e, até mesmo, na nacional. Em época de festas, mais precisamente no período de pré e pós-carnaval, a cidade fica lotada de pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo. São os turistas, atraídos pela cultura baiana. Quem são atraídos por eles também, são os bandidos, que nessa época, resolvem aumentar o nível de atrocidades. “Trabalhando” dobrado, para assim, garantir grandes assaltos. Pois eles sabem que turistas têm dinheiro no bolso e muitos objetos de valor. E se for estrangeiro, melhor ainda. A mercadoria é mais valorizada.

Os veículos de comunicação exploram bem essa temática da violência. Seja qual for o tipo de crime ou ato violento, estará estampado nas capas dos jornais, com manchetes e chamadas alarmantes. A violência vende, e muito. Matérias com temáticas envolvendo bandido contra mocinho, bandido contra bandido e, até mesmo, mocinho contra bandido (quando este reage e raramente sai ileso). Assim a Imprensa vai “vendendo o seu peixe”. A violência se amplia em Salvador, e os jornais preparados para cobrir e lançar suas reportagens em primeira mão. Muitas, altamente sensacionalistas. É muito difícil abrir um jornal ou ligar a TV em um telejornal e não ver uma reportagem sobre o tema. Todo santo dia ela é mostrada, narrada e reportada.

O que não faltam são acontecimentos como assaltos, estupros, agressões, assassinatos, suicídios, seqüestros e outras barbaridades. O que de fato acontece é que a violência na capital baiana aumentou e, decorrente disso, cresceu também a divulgação sobre o assunto. Um dos motivos do aumento da violência na cidade é o descaso de órgãos públicos, por não desenvolverem medidas de segurança pertinentes. Segundo a 16ª D.P, mais de 2000 ocorrências foram registradas apenas em um bairro de Salvador, a Pituba. Isso é uma prova de que a Prefeitura não trabalha com políticas públicas. Apenas se preocupa em “maquiar” a cidade, para deixá-la esteticamente apresentável. Do que adianta ter uma cidade bonita e sem garantia de segurança? É comum ver praças bem iluminadas, com pouco ou nenhum visitante no período da noite. Um dos motivos do aumento da violência na cidade é o descaso dos órgãos públicos.

A violência sempre estará em alta na cobertura dos meios de comunicação. Vale ressaltar que notícia ruim vende. E vende mais ainda, quando a violência é praticada por “filhinhos de papai” ou quando estes são as vítimas. Neste caso, o destaque é bem maior, com direito a uma matéria central de capa. Os jornais estão errados por massificarem tanto essa temática diariamente? É evidente que não. Essa é uma de suas funções. De fato, a mais importante. Reportar o que acontece na cidade e no mundo. Mesmo que as notícias não sejam das melhores.