A idéia incutida a respeito da democratização do ensino superior não condiz com a realidade brasileira, pois apenas 10% da população entre 18 e 24 anos estão matriculados na graduação.A educação no Brasil transformou-se em um negócio rentável, que conta com a negligência dos governantes e a astúcia de empresários capitalistas, que investem altas cifras no lucrativo mercado da educação.
Ao matricular-se em estabelecimentos de ensino privado os alunos colocam-se, exclusivamente, como compradores de um serviço. E são vistos e tratados como meros consumidores. Paga-se por tudo: para entrar, sair e pedir documentos. As Instituições de Ensino Superior (IES) privilegiam o lucro em detrimento da responsabilidade social.
Apesar de apregoarem que seu objetivo ou missão, em alguns casos, é de formar profissionais capacitados para o desenvolvimento da sociedade. Mas isso só ocorre quando o aluno está com todos os pagamentos em dia, sem nenhuma pendência financeira, onde pulsa o coração dessas instituições.
O capitalismo selvagem aflora nas administrações desses tipos de empresas. Mas no Brasil esta prática ganha espaço na lacuna deixada pelos governantes, que não investem em um ensino público de qualidade.
Preocupados com a receita recebida em forma de mensalidades, qualquer um pode ser estudante de uma IES. O fato decorre da falta de um sério processo seletivo, que culmina com a aprovação de semi-analfabetos e, recentemente, de um garoto de oito anos, aprovado para o curso de Direto, em uma universidade goiana.
Segundo pesquisas, entre 1980 e 2003 o setor privado foi multiplicado por 2,5 vezes, passando de 682 para 1.752 instituições. No mesmo período, o número de instituições públicas praticamente ficou estacionado: 200 para 208. Esse quadro é decorrente da desregulamentação feita em 1995. De 1995 a 1998, a média era uma instituição privada aberta a cada 13,7 dias. Entre 1998 e 2001, este índice saltou para uma a cada 2,5 dias.
Entre 31 de outubro de 2001 até 30 de julho de 2003, o número de instituições privadas aumentou impressionantes 45% - 544 foram autorizadas a funcionar, um estabelecimento a cada 1,2 dia.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, esboça uma pálida reação ao criticar a mercantilização do ensino. Todavia, não apresenta projetos para mudar essa realidade. Torna-se notória e vergonhosa a falta de investimentos na área da educação brasileira.
*Karina Oliveira da Silva




