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quinta-feira, 29 de maio de 2008

O mistério que envolve um corpo

Karina Oliveira da Silva

Em decorrência da fatídica morte de Isabela Oliveira Nardoni, cinco anos, no último dia 29 de março, em São Paulo, uma força tarefa da perícia foi designada para encontrar provas que levem ao criminoso. Mais uma vez o Brasil está diante de uma barbárie.

A versão apresentada pelos únicos suspeitos, o pai da criança, Alexandre Nardoni e a madrasta Ana Jatobá é questionada pela polícia e contradizem provas coletadas no apartamento de onde a menina foi jogada.

No depoimento, Alexandre Nardoni contou à polícia que chegou com sua esposa ao Edifício London, onde mora, entre 23h10 e 23h20. Como as crianças dormiam, ele subiu primeiro com Isabella e depois desceu para buscar o resto da família. Ao chegar novamente ao apartamento viu que sua filha não estava na cama, onde a deixou, e a tela de um dos quartos tinha sido cortada. Logo depois percebeu que a menina havia sido jogada. Nardoni afirma que o apartamento foi invadido.

Segundo a perícia, é impossível a presença de uma terceira pessoa no apartamento, tendo em vista que, conforme testemunho dos suspeitos, tal pessoa teria apenas quatro minutos para bater na menina, esganá-la, cortar a tela, jogar a vítima pela janela, limpar o sangue, guardar o material usado para cortar a tela e sair trancando a porta. Também segundo a perícia, há indícios na blusa de Alexandre e no sapato de Ana Jatobá que ligam o casal ao crime.

Situações como esta se tornam uma infeliz realidade, não só do país, mas do mundo. Um crime que mexe na célula da sociedade: a família. No dia 29 de março, apenas Deus pode contar o que aconteceu no apartamento do sexto andar do Edifício London. Ou a perícia.

LABORATÓRIOS DE BOA VONTADE

Alice Coelho
Com a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu prestar atenção na publicidade dos analgésicos. “Doeu a cabeça, a febre chegou, tome remédio x”. É assim que são as propagandas dos medicamentos que podem estar agravando casos de pacientes com dengue. Foi nesse contexto que a Anvisa pediu, na última sexta-feira, 4, para que os laboratórios deixassem de veicular propagandas dos analgésicos, não se restringindo aos que contenham ácido acetilsalisílico, comprovadamente prejudiciais nesses casos. Isso inclui o paracetamol, suspeito de causar insuficiência hepática.

Para início de conversa, deveríamos discutir se a publicidade de remédios não teria que ser definitivamente proibida, o que hoje, pela lei, não é possível. Há uma relação de medicamentos que são isentos de prescrição médica, e dentro dela estão os analgésicos. Por isso, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, espera, diante do pedido, que os laboratórios deixem de veicular as propagandas e aproveitem voluntariamente esse espaço na TV, no rádio ou mesmo nos impressos, para conscientizar a população a respeito do risco do uso de analgésicos sem prescrição médica.

Um dos princípios básicos que nos faz pensar que a lei precisa ser revista é a velha história de quem sabe que remédio devemos tomar é o médico. Ele estuda para saber diagnosticar nossos males, avaliar o caso e prescrever os remédios adequados. Mas a maioria da população, insiste na auto-medicação, principalmente quando se depara com dificuldades de atendimento médico.

Diante desse quadro, em uma situação grave como a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a situação fica ainda mais crítica. Os casos aumentam e mesmo com o reforço dos hospitais militares, ainda há casos de pessoas que não conseguem atendimento. É nessa hora que a auto-medicação, como medida de emergência, pode ser prejudicial e às vezes, fatal.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Direto para o céu

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

Mil balões coloridos, uma roupa feita de material térmico capaz de suportar até dez graus negativos, cadeirinha que flutua na água e um desejo incontido: bater o recorde ficando dezenove horas no ar. O padre Aderli de Cali, 41 anos, queria chegar mais perto de Deus levemente, alcançando o céu, pendurado em bolas de soprar. Que idéia louca!

Apaixonado por esportes radicais, o padre já tinha voado de asa delta. E não foi de carona em vou duplo não! Ele aprendeu a pilotar o equipamento entre um e outro intervalo dos compromissos religiosos. Mas esse ano anunciou a mais audaciosa aventura já feita por um homem religioso: Voar de balões de soprar! Quem acreditaria?

Talvez, apenas com idéias sobre as teorias que viu na escola do Cristianismo. Foi lá que ele aprendeu que tem como missão, ensinar os católicos a conquistar a vida eterna com orações, disciplina religiosa e nada de excessos. Radicalismo então, nem pensar!

"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", esse é o ditado que combina com o padre esportista que na segunda-feira, 21/04, com tempo chuvoso e frio, contou com uma platéia formada por admiradores que vibravam com a idéia: velhinhas beatas apavoradas com o que viam e uma legião de jornalistas e fotógrafos. Uma repórter ainda tentou alertá-lo: "Padre o senhor não acha arriscado voar com essa chuva?". "Que nada! Quando eu subir, logo vou estar acima da chuva", respondeu o sacerdote.

Hoje, se vê que os planos de padre Aderli não deram certo. O vento o levou para longe dos destinos traçados, e mais: o esportista experiente não sabe usar o GPS. Os balões foram encontrados boiando no mar do litoral catarinense, ufa! Fico pensando na maldita pergunta da nossa querida jornalista. Praga de repórter pega, viu!? O padre está desaparecido, as buscas não param. E agora, mais do que nunca, precisamos de toda a devoção das beatas da paróquia de São Cristóvão, na cidade de Paranaguá, no Paraná, onde ele congregava, para rezar. Que elas peçam pela vida do padre. De volta à igreja ele podrá traçar outros planos para chegar mais perto de Deus. E sem correr riscos...

Dia Mundial da Saúde, sem saúde

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

O mundo comemora hoje o dia da saúde. A data foi criada pela ONU Organização das Nações Unidas, para discutir ações de combate a epidemias e endemias que ameaçam a humanidade. Cólera, Leptospirose, Leishimaniose, Esquistossomose, Tuberculose e muitos outros males, quase sempre devastadores.

Em Salvador, as doenças infecto-contagiosas e parasitárias atingem principalmente moradores de bairros da periferia. No último levantamento feito pelo Centro de Controle de Zoonozes, de cada cem pessoas que foram submetidas a exames, quase vinte por cento tiveram o diagnostico de uma ou mais doenças infecto-contagiosas.

Não faz muito tempo que nós leigos e até os especialistas chamávamos de doenças de pobre. Não por preconceito, e sim, uma constatação baseada nas características dos doentes. As crianças são as principais vítimas. Meninos de favelas, pés descalços, com pouca comida na mesa e moradia sem esgoto sanitário. Desde os tempos dos nossos avós esse é o perfil das crianças que mais desenvolvem as enfermidades, chamadas de problema de saúde pública, “doença pública” seria mais compreensível. A exposição a doenças que podem até matar é fruto de uma vida sem estrutura. Falta apoio das autoridades responsáveis por políticas públicas que possam garantir o mínimo de dignidade.

É exatamente essa lacuna, deixada pelos políticos brasileiros, que ofusca a data instituída no mundo inteiro para se comemorar a nossa SAÙDE, um bem precioso hoje desprezado por nossos governantes.

Em Salvador assim como em muitas outras capitais brasileiras não temos motivos para comemorar o dia mundial da saúde. Aliás, muitos sequer têm saúde para festejar a data. Os números provam essa fragilidade.

Atualmente estamos ameaçados por um mosquito que tem nome e sobre nome de peso, maior ainda é a sua capacidade de nos derrubar. O Aedes Aegypti - um bichinho feio de longas pernas manchadas de branco - é o transmissor da dengue. De janeiro a março deste ano já são mais de oito mil casos da doença na Bahia, quase duzentos em Salvador.

Será culpa do famigerado mosquito que gosta de água limpa, se alimenta se sangue e ainda é feminista? Só as fêmeas transmitem a dengue. È claro que não. Ele é um vilão, mas o mais ameaçador de todos os bichos, nesse momento, é o “bicho homem” sobretudo os que estão no poder e se mostram incapazes de preservar as nossas e as suas próprias vidas.

Por enquanto só nos resta esperar, para festejar, quem sabe nos próximos anos, o Dia Mundial da Saúde, com saúde.

A INDÚSTRIA DA NOTÍCIA

Silmara Miranda

Há muito tempo já se sabe que a finalidade do jornalismo deixou de ser apenas informativa e passou também a visar lucros. Essa corrida do jornalista por novas “mercadorias” – matérias sensacionalistas que ganham espaço cada vez maior nos meios de comunicação – faz com que se apontem vilões antes mesmo do julgamento legal e de provas condenatórias. A exemplo do que presenciamos agora com o caso Isabela Nardoni.

A função nobre do jornalismo é informar, trazer conhecimento útil ao cidadão, prezando-se a ética, a moral e a imparcialidade. Contudo, o que vemos hoje, é uma busca desenfreada pelo sensacionalismo: conduta jornalística que visa audiência e a venda de jornais e revistas.

O caso mais atual é o de Isabela Nardoni, cinco anos, que morreu ao ser jogada do sexto andar de um prédio, em São Paulo, e cujo pai já foi pintado pela imprensa como o culpado. O jornalismo busca diariamente um “bode expiatório” para alavancar sua audiência e prender a atenção de expectadores ávidos por informações. A mídia dá sua versão do caso e constrói uma realidade.
Reportagens diárias, desde o dia da morte da menina, buscam sugar o máximo possível de informações, inclusive as de caráter especulativo. O problema é a forma inescrupulosa como essas notícias são veiculadas, desrespeitando o direito do cidadão à ampla defesa.
É como se a mídia precisasse de mocinhos e bandidos para tornar a história mais emocionante.
Tem-se a vítima, uma criança indefesa, brutalmente assassinada; o bandido precisa ser encontrado e a imprensa já fez o papel da justiça, atribuindo de forma velada a autoria do crime ao principal suspeito: o pai. Assim, tem-se um roteiro de grande audiência, pois se mexe na célula sagrada de toda sociedade: a família. As pessoas esperam ansiosas o desfecho do caso.

O pai de Isabela se tornou um monstro para o Brasil. Sua prisão temporária – feita para dar uma justificativa a população sedenta por justiça – aconteceu sob um clima hostil, um verdadeiro linchamento moral, no qual não faltaram xingamentos do tipo “assassino, criminoso”, sem ao menos haver uma prova concreta sobre o crime. Ora, será que ninguém se lembra mais do caso Escola Base? Acusaram pessoas inocentes, que tiveram sua imagem denegrida até se provar sua inocência. O brasileiro tem memória curta e age por impulso.

Dessa forma, ao apresentar a sua versão sobre o caso, a mídia deve tão somente se ater aos fatos concretos preservando o máximo possível a integridade moral das pessoas envolvidas e respeitando a dor dos que perderam um ente querido.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mais do que explícito



Há quem diga que o melhor lugar para se fazer sexo é na cama. Outros, mais ariscos, preferem lugares mais inusitados como elevador, carro, avião, ou até mesmo, ao ar livre. Isso mesmo, e não é em propriedade particular não, é em plena praça pública, exposto para qualquer pessoa ver. E ficar constrangida, claro. Isso é o que acontece na Holanda, um país que possui como cartão postal moinhos de vento e é famoso por suas polêmicas.


Como se não bastasse a legalização da maconha, o Museu do Sexo e as vitrines sexuais, em que mulheres exibem seus corpos como mercadorias, o país resolveu liberar o sexo em praça pública, a partir do segundo semestre deste ano. Mais precisamente em Amsterdã, na maior praça da cidade, Voldelpark. O sexo em locais públicos sempre ocorreu, e esse foi o real motivo da liberação. Na verdade, atentado ao pudor é o que não falta neste país. As únicas recomendações são: transar somente à noite, não fazer escândalos e deixar o local limpo. Fora isso, o sexo pode ‘rolar solto’ até o amanhecer.

Aqui no Brasil, por enquanto, uma legalização desse tipo não será possível, talvez, devido à imagem de turismo sexual do país e a repercussão dela no mundo. Seria uma hipocrisia dizer que nenhum brasileiro faz sexo em locais pouco estratégicos e inadequados. Ainda bem que a Holanda não chegou a colonizar o Brasil. Tentou, mais não conseguiu. Se tivesse conseguido... Nem sei o que seria da imagem do nosso país e a tamanha proporção do turismo sexual.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Quando faltam as palavras

Helane Carine Aragão

Que Fausto Silva, apresentador da Rede Globo, fala demais, é fato. Chega a ser irritante a maneira com que o senhor dos domingos globais monopoliza o microfone – e o assunto. Contudo, vê-lo em uma saia justa perante seus convidados é deveras gratificante.

O ocorrido aconteceu este domingo, 6 de abril, no quadro Dança dos Famosos. Ao conversar com um dos jurados, Faustão esqueceu o nome de uma delas, Adriane Grott, apresentadora do evento de moda Dream Fashion Tour, que acontece no dia 16 de abril em Salvador.

O mais patético foi o apresentador enrolar cerca de 30 segundos, ao vivo, ao microfone, enquanto procurava o nome da convidada nos papéis que tinha na mão. Os câmeras não contribuíram para amenizar o “mico” e mantiveram o foco no apresentador, intercalando com a imagem de desconcerto da modelo.

Encontrado o nome de Adriane - que mais parece a Jaqueline, participante do Big Brother Brasil 8 - o apresentador passou a palavra para Arnaldo Cesar Coelho, participante do programa esportivo Bem Amigos do apresentador Galvão Bueno, transmitido pela SportTv.

Desta vez foi o ex-arbitro que esqueceu o nome do técnico do grêmio, Celso Roth, que seria entrevistado logo mais a noite. Talvez o esquecimento e a falta de atenção, e cuidado, com os entrevistados possam ser explicados pelo estrelismo. O mais importante é falar o que se pensa - ou o que se acha - que com quem se fala, nem o que este teria a dizer.

Parece sina de apresentador. Muitos comentários a respeito de Jô Soares e a mesma patologia, a do monopólio do microfone e do assunto tratado, já eram discutidos entre quem assistia ao programa. O fenômeno parece ser global, pelo menos na rede Globo – trocadilhos em merecidas proporções. Há quem desligue o áudio da TV quando o jogo é irradiado por Galvão Bueno.

O que se vê é uma inversão de papéis. Os apresentadores, ao que parece, gostariam de ser as únicas atrações e as únicas especiais. O estrelismo talvez suba à cabeça. Talvez o uso de um ponto auditivo ajudasse Faustão, pois alguém sopraria o nome da modelo no ouvido e o salvaria do constrangimento. Talvez, a intenção seja mostrar que sabe-se sobre o assunto que está sendo abordado. Quem sabe até, saber mais que os próprios entrevistados.
Mas que ficou feio a embromação ao vivo, isso ficou! Ah, se ficou...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CPI dos Cartões Corporativos na TV Senado




Os brasileiros que possuem antena UHF e conseguem sintonizar na TV Senado podem acompanhar diariamente o show de líderes partidários, eleitos legalmente com grande margem de voto. Atualmente, o assunto é a CPI dos cartões corporativos. É um tal de dossiê, que uns dizem que foi criado para prejudicar o governo de Fernando Henrique. Outros políticos afirmam que pretendem investigar se o documento vazou ou não.

Ao assistir a TV Senado, não faltam trocas de acusações, xingamentos e ameaças. É comum ver um dos líderes da oposição, como Arthur Virgílio, ameaçar a base aliada do PT de trancar a pauta, impedindo a votação. Semana passada foi a vez da senadora Ideli Salvatti protagonizar um bate-boca intenso com o senador Álvaro Dias. O assunto: um suposto dossiê contra o governo FHC.

Ambos discutiram se os papéis entraram no senado "voando"! Enquanto os políticos passam horas duelando sobre assuntos que pouco dizem respeito à vida da população brasileira, projetos importantes deixam de ser discutidos, votados e aprovados. Não há derrotado e nem vitoriosos nesse jogo. Talvez o único nocauteado seja o povo brasileiro, que a cada ano que passa, desacredita mais nos políticos que elegeu.


* Por Antônio Almeida

Violência alta, solução baixa


Os altos índices de assassinatos em Salvador marcam a vida dos baianos. Nos finais de semana a média é de 28 mortos, a maioria vitimas de arma de fogo e envolvidas com o tráfico de drogas. No passado diziam que tudo era resolvido com uma boa conversa, atualmente a frase é: “vou cortar no aço”, o que significa matar com tiro ou vários tiros e a promessa é cumprida.

Algumas medidas com a finalidade de conter a violência vêm sendo adotadas pelo Governo do Estado, que recentemente substituiu o secretário de Segurança Pública da Capital, na esperança de conter a brutalidade urbana, mas o resultado ainda não foi alcançado. Enquanto isso, a população indefesa aguarda desesperada sem saber quantos ainda morrerão para que a situação seja controlada.

No último final de semana foram 30 mortos e com um agravante: a polícia civil estava em greve e a militar ameaçando parar as atividades. E mais uma vez os soteropolitanos pagaram o preço. Os boatos de arrastões em diferentes pontos da cidade, assaltos a ônibus iam tomando conta da cidade e o pânico ia se alastrando como uma “peste”. Ninguém sabia o certo o que estava acontecendo.

Por volta das 22 horas, no dia 31 de março, no percurso entre Pituba e Ondina nenhuma viatura da Polícia Militar foi vista, e no sentido inverso também, o que foi causando mais insegurança nas pessoas, que fechavam os vidros dos carros, andavam em alta velocidade, rezando para chegar logo em casa e em paz. A cidade começou a ficar deserta, o comércio fechando as portas, alunos abandonando as salas de aula na tentativa de chegar em casa com segurança. As informações eram desencontradas, a cada momento surgia um fato novo, e diante de tanta violência em Salvador as pessoas não duvidavam que tudo aquilo fosse realmente verdade.

Nesse momento o direito garantido pela Constituição Federal, de ir e vir foi arrancado da população de forma agressiva e dolorosa, a lei maior não foi respeitada. E após o drama vivido, não houve nenhuma explicação por parte das autoridades. Enquanto isso a sociedade permanece entregue à marginalidade que invade as casas, domina os bairros, deixando marcas de sangue por onde passa, causando muito desespero e dor. Ficam algumas perguntas aos detentores do poder: Até quando vamos conviver com essa insegurança, impunidade, falta de respeito às leis e omissão das autoridades? É preciso ter pressa, enquanto ainda há tempo para mudar o rumo da sociedade baiana, caso contrário Salvador será mais uma capital assustada e subordinada ao tráfico de drogas.

* Por Márcia Barreto

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Céu e inferno num pedaço de plástico

Pedro Levindo

Quem tem cartão de crédito conhece o céu e o inferno. O céu, em geral é quando se ganha ou se adquire o cartão. Sair e fazer a primeira compra é uma delícia. Você vai feliz, à procura de qualquer coisa que possa comprar com seu novo brinquedinho. Compra algo. Depois compra outra coisa. É tão fácil! Olha, gosta, pega, leva ao vendedor, e sem nem precisar de dinheiro, entrega o cartão, assina, e vai embora, feliz, feliz. Depois da primeira compra seguem outras. Uma maravilha. Agora tem crédito, tem status, tem um pedaço de plástico com seu nome que faz coisas que você nunca sonhou. Você está nas nuvens. Ocorre que, ao final de um mês, a nuvem se dissipa e você cai. É hora de pagar a conta. Muitos, sem perceber que ao final da farra sempre chega a fatura com o total a pagar, não tem condições de arcar com os gastos. Daí vem os juros, as dívidas, os sacrifícios, etc. Este é o inferno.

O que ocorre, então, quando você não tem de pagar a conta? Paraíso o tempo todo! Quando alguém paga a conta por você, você não se preocupa com o quê e com quanto vai gastar. Você simplesmente gasta. Se o cartão foi dado por mamão e papai, de vez em quando o caldo entorna. Aí eles tiram o cartão por um tempo, você entra na linha, eles devolvem. E volta tudo ao normal.

Quando o cartão é dado pelo povo brasileiro, isso não acontece. Ninguém pede sua prestação de contas. Seus 180 milhões de papais e mamães tem coisas mais urgentes com que se preocupar, como botar comida na mesa, pagar o colégio dos filhos, arcar com a carga tributária, tentar não contrair dengue ou qualquer outra doença de país subdesenvolvido, enfim, sobreviver.

O recente escândalo dos gastos dos cartões de crédito corporativo da presidência e seu sigilo vem, mais uma vez, nos mostrar que há uma classe de privilegiados no país que está acima do bem e do mal. Enquanto o resto trabalha, esses poucos privilegiados, que ganham bem, e às suas custas, saem por aí fazendo compras pessoais com o seu dinheiro.

Você lembra quanto pagou de imposto de renda na última declaração (isso para quem tem renda, coisa rara no país, e para quem declara, mais raro ainda)? Pois bem, pegue esse dinheiro, some com os impostos que incidem sobre os produtos e serviços que você compra e utiliza, bem como outros tributos, como IPVA, IPTU, etc., e chegue a um número. Agora imagine alguma autoridade entrando num badalado restaurante do circuito Brasília - São Paulo – Rio de Janeiro, pedindo um prato elaborado e um bom vinho. Mas espere aí? O que eu tenho a ver com o jantar da autoridade? Tudo, pois quem pagou a conta ao final foi você!

O pior disso tudo não são as somas envolvidos nos gastos feitos com os já famosos cartões corporativos do governo. Pouco importa se foram 10, 20, 50 ou até 100 milhões de reais. Num orçamento de bilhões e bilhões, isso é uma gota, um nada. O que importa é que estão gastando o seu, o meu, o nosso dinheiro em coisas fúteis, em gastos pessoais. O mais impressionante ainda é que, ao contrário do filho do pai rico que ganhou cartão de crédito, a presidência da república não presta contas do que gasta. E é você que paga a fatura.

Dizem que é questão de segurança nacional, como se estivesse no interesse nacional proteger a informação de quanto algum parente do presidente gastou numa padaria chique ou coisa que o valha. No interesse nacional está ver a educação funcionando, o povo saindo da miséria, a saúde melhorando, todos vivendo em segurança. E, claro, por questão de decência, ética, moral e por que não dizer, bons costumes, saber como o governo está gastando o seu dinheiro.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O poder e a cor comandam até nesses casos

A mídia brasileira está acostumada a se valer de casos atípicos para construir seus discursos e assim lutar na guerra por pontos de audiência. A nova coqueluche é o caso de Isabella Nardoni, a garotinha de cinco anos, assassinada de forma cruel, supostamente pelo pai e pela madrasta (Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá).
A qualquer hora que se liga a TV você se depara com a imprensa explorando esse caso. As capas de revistas e jornais também pararam no tempo. Não se fala de outra coisa. Mas será que se aquela garota fosse pobre e negra, a população brasileira teria acesso ao ocorrido naquele dia? Com certeza ela faria parte apenas de mais um caso nas estatísticas.
De acordo com pesquisa desenvolvida pela Folha de São Paulo, há dois anos, 70% dos casos de assassinatos a crianças e adolescentes no Brasil foram contra negros. Mas o que se viu, até hoje, na telas e nas capas dos impressos passou longe dessa estatística. Os casos trazidos à tona remetem sempre a crianças e adolescentes de classe média-alta e de cor branca, a exemplo de Isabella (29/03/08) e João Hélio (07/02/07) - garoto arrastado quilômetros do lado de fora de um carro, no Rio de Janeiro.
A morte do negro é comum na nossa sociedade. O que está sendo tratado aqui não é o teor de importância do assassinato a uma criança de cinco anos e sim o porquê da mídia brasileira ser tão sensacionalista. Será que é porque a população já está acostumada à visão de que o preto e pobre não tem direitos? Que só o rico merece ter seus problemas esclarecidos? É o que fica subentendido. Já se passou um mês desde o ocorrido e até hoje o que se vê são inúmeros exageros da mídia brasileira envolvendo o caso Nardoni. O último foi sobre a reconstituição do crime realizada no domingo (27/04/08). A TV Record não sabia mais qual ângulo mostrar da sacada do prédio, já estava tudo tão “batido” e mesmo assim levaram mais de duas horas fazendo uma cobertura sustentada pelo nada. As chamadas eram sempre as mesmas “Voltamos agora, ao vivo, da frente do prédio dos Nardoni, onde foi feita, hoje, a reconstituição do crime”. Tanto exagero (horas transmitindo as mesmas imagens, os mesmos depoimentos) até que surja um novo caso digno de atenção, de acordo com os pré-requisitos (interesses mercadológicos) desta imprensa vigente.

*Fernanda Borges

Um programa de auditório chamado “Jornalismo”

Algumas vezes me questiono sobre a profissão que escolhi. Não é uma dúvida de vestibulando às vésperas de fazer um processo seletivo para ingressar na faculdade, é uma dúvida que me ocorreu depois de ver o famoso caso Isabella. Desde o primeiro semestre aprendi que devo buscar a imparcialidade, ouvir os dois lados e colocá-los na notícia sem “puxar a sardinha” para nenhum dos dois. Aprendi que não se deve fazer sensacionalismo de um fato, e muito menos dos problemas alheios. Somos formadores de opinião, exercemos uma influência natural sobre aqueles que nos assistem e nos lêem. Quem nunca ouviu alguém usar como argumento “Eu vi no jornal!” e derrubar todos os outros?

Agora, quem somos nós? Quem são essas pessoas que estudam, passam quatro anos se preparando, pegam o diploma e ferem o Código de Ética do Jornalista Brasileiro? O artigo 6º afirma que é um dever do jornalista “respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão”. Qual foi o respeito dado à imagem do pai de Isabella, Alexandre Nardoni, antes mesmo da polícia decretar a prisão preventiva?A imprensa o acusou desde o princípio sem que a polícia assim o fizesse. O artigo 9º lembra que “a presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística”, ou seja, todos são inocentes até que se prove o contrário.

Não quero de maneira nenhuma defender o pai de Isabella, até porque sou estudante de jornalismo e não fui contratada como advogada de defesa, o que acho é que não estamos na posição de juízes de ninguém. Nossa função é a de informar e não induzir.

Como li em um artigo do Observatório da Imprensa, “se o pai for de fato culpado, será punido ao fim da investigação. Se for inocente, já está punido”. Daqui a pouco iremos nos formar para trabalhar no programa do João Kleber com direito a choros ao vivo e testes de fidelidade.

*Driely Lago

terça-feira, 29 de abril de 2008

O céu é(ra) o limite.

Paloma Batista

Preso a mil balões de festa, o padre Adelir de Carli, 41, partiu de Paranaguá (PR), na tarde de domingo dia 20 de abril, rumo a um recorde: permanecer por mais de 20 horas no ar. Menos de 10 horas após a decolagem, ele sumiu no litoral norte catarinense.

Nas reportagens sobre o tema, amigos do padre afirmaram que ele era um homem ligado a esportes radicais, praticava pára-quedismo, voava de parapente e também mergulhava. No entanto, especialistas afirmam que pode ter faltado planejamento – e até conhecimento – quando ele resolveu unir a paixão pelo esporte às causas sociais.

Conhecimento certamente faltou. É inadmissível que alguém louco por esportes radicais se lance numa aventura de tal envergadura como a que o padre se propôs, com um aparelho de GPS em mão, mas sem saber usa-lo. É também, para dizer o mínimo, curioso que uma pessoa que pretendia passar 20hs no ar levasse um celular via satélite cuja bateria tem duração máxima de 3h. Só sendo muito maluco ou realmente acreditando na benção divina.

Acima de tudo, o religioso contrariou os meteorologistas e ignorou os conselhos das beatas e dos amigos, resolvendo voar mesmo com chuva. As buscas pela Marinha, Aeronáutica, PM e Corpo de Bombeiros já se encerraram. A maior parte das pessoas acha que, apesar da vaidade, o padre já está ao lado de Deus. A família, no entanto, ainda paga um avião bimotor para patrulhar a área em busca do padre, com vida. Seguindo a tradição católica, eles parecem acreditar em milagres.