quarta-feira, 28 de maio de 2008

Dia Mundial da Saúde, sem saúde

Andréa Silva
andreastv@gmail.com

O mundo comemora hoje o dia da saúde. A data foi criada pela ONU Organização das Nações Unidas, para discutir ações de combate a epidemias e endemias que ameaçam a humanidade. Cólera, Leptospirose, Leishimaniose, Esquistossomose, Tuberculose e muitos outros males, quase sempre devastadores.

Em Salvador, as doenças infecto-contagiosas e parasitárias atingem principalmente moradores de bairros da periferia. No último levantamento feito pelo Centro de Controle de Zoonozes, de cada cem pessoas que foram submetidas a exames, quase vinte por cento tiveram o diagnostico de uma ou mais doenças infecto-contagiosas.

Não faz muito tempo que nós leigos e até os especialistas chamávamos de doenças de pobre. Não por preconceito, e sim, uma constatação baseada nas características dos doentes. As crianças são as principais vítimas. Meninos de favelas, pés descalços, com pouca comida na mesa e moradia sem esgoto sanitário. Desde os tempos dos nossos avós esse é o perfil das crianças que mais desenvolvem as enfermidades, chamadas de problema de saúde pública, “doença pública” seria mais compreensível. A exposição a doenças que podem até matar é fruto de uma vida sem estrutura. Falta apoio das autoridades responsáveis por políticas públicas que possam garantir o mínimo de dignidade.

É exatamente essa lacuna, deixada pelos políticos brasileiros, que ofusca a data instituída no mundo inteiro para se comemorar a nossa SAÙDE, um bem precioso hoje desprezado por nossos governantes.

Em Salvador assim como em muitas outras capitais brasileiras não temos motivos para comemorar o dia mundial da saúde. Aliás, muitos sequer têm saúde para festejar a data. Os números provam essa fragilidade.

Atualmente estamos ameaçados por um mosquito que tem nome e sobre nome de peso, maior ainda é a sua capacidade de nos derrubar. O Aedes Aegypti - um bichinho feio de longas pernas manchadas de branco - é o transmissor da dengue. De janeiro a março deste ano já são mais de oito mil casos da doença na Bahia, quase duzentos em Salvador.

Será culpa do famigerado mosquito que gosta de água limpa, se alimenta se sangue e ainda é feminista? Só as fêmeas transmitem a dengue. È claro que não. Ele é um vilão, mas o mais ameaçador de todos os bichos, nesse momento, é o “bicho homem” sobretudo os que estão no poder e se mostram incapazes de preservar as nossas e as suas próprias vidas.

Por enquanto só nos resta esperar, para festejar, quem sabe nos próximos anos, o Dia Mundial da Saúde, com saúde.

Nenhum comentário: