quinta-feira, 29 de maio de 2008

Programas Sociais
Por Márcia Barreto

A televisão brasileira desde a década de 50 tornou-se uma sensação. Com a Internet muito acreditavam que haveria crise no setor. Mas ela continua sendo um dos principais meios de informação, entretenimento e “prestadora de serviços sociais”.
Programas como “Se Liga Bocão”, que “Venha o Povo”, “Balanço Geral” disputam cada telespectador e os “tais” pontos de audiência. Diariamente lares são invadidos por esses apresentadores que disparam notícias envolvendo o sofrimento humano, em níveis variados. As produções dos programas aproveitam o momento de fragilidade dessas pessoas para fazer o “show”. Imagens de corpos estendido no chão, pessoas com ferimentos, moradores de rua, entrevistas com presos que cometerem atos ilícitos são alguns dos quadros exibidos por esses espetaculosos jornalistas, que se apropria do sofrimento alheio em beneficio próprio.
Isso é conseqüência da ausência do poder público. Se o governo trabalhasse de forma organizada buscando atender os seres das classes menos favorecidas, não daria espaço para que tais “prugramas jornalísticos” fossem procurados e tivesse credibilidade. A sociedade baiana com o sentimento de abandono aguçado, dar força para o assistencialismo televisivo ganhar espaço, e mostrar os apresentadores como “salvadores da pátria amada”. Como é o caso de Zé Eduardo do programa “Se Liga Bocão” que tem um jingle próprio e diariamente são exibidas imagens de um homem sorridente no meio do povo como um verdadeiro “ídolo”. Raimundo Varela, conhecido como a metralhadora social, é idolatrado e venerado como um DEUS e faz parte do grupo de Zé.
O assistencialismo é claro, as críticas feitas a esses apresentadores são intensas e agressivas. No jornal Atarde chegaram a publicar que Varela havia morrido, enquanto fazia tratamento de saúde em São Paulo. Mas apesar das críticas alguém precisa exercer o papel de “salvador”, dando esperanças a essas pessoas, fazendo algo para tentar abrandar o sofrimento e a impunidade e claro tirar proveito disso também. Afinal em uma sociedade capitalista que para “ser” tem que “ter”, resta ao povo pobre pagar os favores expondo suas histórias, com esperança naqueles apresentadores de ter suas histórias exibidas e quem sabem, resolvidas.

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