quinta-feira, 29 de maio de 2008

A força da TV
Por Márcia Barreto

A televisão vem sendo objeto de pesquisa de vários estudiosos. Inúmeras questões já foram abordadas, mas não se tem conclusão nenhuma acerca do que é esse aparelhinho aparentemente inofensivo capaz de fazer maravilhas e barbárie. Essa coisa chamada TV chegou no Brasil na década de 50, sem nenhuma cerimônia, foi fincando raízes, entrando sem pedir licença nos lares e conseguindo transformar as pessoas e toda a sociedade. O poder é tão grande que induz o país de norte a sul.
Tem uma produção eclética. Qualquer um consegue identificar-se com os programas de auditório, novelas, esportes, notícias, enfim o cardápio é variado. Basta colocar o dedo no controle e está ali o desejado, é a gosto do cliente. Com características próprias, a TV possui grande poder junto à sociedade. Tudo que é mostrado provoca discussões, debates, indignação e revolta na população. Por isso é preciso cautela na hora de noticiar um fato.
Nas últimas semanas a televisão tem dado espaço diário a um crime que aconteceu em São Paulo, onde a vítima foi uma garota de cinco anos morta misteriosamente. As autoridades não conseguiram ainda saber quem são os verdadeiros culpados. Mas noticiam a prisão de dois suspeitos, deixando a entender nos comentários que os acusados são os verdadeiros assassinos, antes mesmo de sair o resultado do inquérito policial. A notícia da morte da criança causou indignação entre os brasileiros, mas isso não dá o direito à TV de colocar a opinião pública contra os dois principais suspeitos. Já que a lei é clara: todos são inocentes aos olhos da lei até que se prove o contrário.
A relação entre televisão e sociedade é complexa. E se faz necessária muita precaução na hora de usar a autoridade desse pequeno aparelho que tem o poder, para não prejudicar pessoas inocentes como já foi feito no passado. O caso da Escola Base é um deles e tornou-se um assunto muito discutido pelos estudantes de comunicação, que aprendem desde o início que uma informação dada como verdade, sem que tenha ocorrido o esclarecimento dos fatos, pode comprometer eternamente a vida de pessoas inocentes.
Mas esquecimento ou não, muitos ex-alunos estão atuando no mercado de trabalho e esquecerem tudo o que viram na academia. As imposições dos proprietários dos grandes veículos, que é a audiência a qualquer custo, são absorvidas abruptamente, e chega a ser louvável a tamanha dedicação desses profissionais, pena que por motivos obscuros. A fama e o dinheiro são grandes vilões dessa história de sofrimento e dores incuráveis de pessoas inocentes. A forma de fazer telejornalismo deve ser reavaliada, antes que seja tarde de mais. Devemos todos nos preocupar, e muito, com isso. Hoje são eles, amanhã poderá ser você.

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