quarta-feira, 7 de maio de 2008

Violência alta, solução baixa


Os altos índices de assassinatos em Salvador marcam a vida dos baianos. Nos finais de semana a média é de 28 mortos, a maioria vitimas de arma de fogo e envolvidas com o tráfico de drogas. No passado diziam que tudo era resolvido com uma boa conversa, atualmente a frase é: “vou cortar no aço”, o que significa matar com tiro ou vários tiros e a promessa é cumprida.

Algumas medidas com a finalidade de conter a violência vêm sendo adotadas pelo Governo do Estado, que recentemente substituiu o secretário de Segurança Pública da Capital, na esperança de conter a brutalidade urbana, mas o resultado ainda não foi alcançado. Enquanto isso, a população indefesa aguarda desesperada sem saber quantos ainda morrerão para que a situação seja controlada.

No último final de semana foram 30 mortos e com um agravante: a polícia civil estava em greve e a militar ameaçando parar as atividades. E mais uma vez os soteropolitanos pagaram o preço. Os boatos de arrastões em diferentes pontos da cidade, assaltos a ônibus iam tomando conta da cidade e o pânico ia se alastrando como uma “peste”. Ninguém sabia o certo o que estava acontecendo.

Por volta das 22 horas, no dia 31 de março, no percurso entre Pituba e Ondina nenhuma viatura da Polícia Militar foi vista, e no sentido inverso também, o que foi causando mais insegurança nas pessoas, que fechavam os vidros dos carros, andavam em alta velocidade, rezando para chegar logo em casa e em paz. A cidade começou a ficar deserta, o comércio fechando as portas, alunos abandonando as salas de aula na tentativa de chegar em casa com segurança. As informações eram desencontradas, a cada momento surgia um fato novo, e diante de tanta violência em Salvador as pessoas não duvidavam que tudo aquilo fosse realmente verdade.

Nesse momento o direito garantido pela Constituição Federal, de ir e vir foi arrancado da população de forma agressiva e dolorosa, a lei maior não foi respeitada. E após o drama vivido, não houve nenhuma explicação por parte das autoridades. Enquanto isso a sociedade permanece entregue à marginalidade que invade as casas, domina os bairros, deixando marcas de sangue por onde passa, causando muito desespero e dor. Ficam algumas perguntas aos detentores do poder: Até quando vamos conviver com essa insegurança, impunidade, falta de respeito às leis e omissão das autoridades? É preciso ter pressa, enquanto ainda há tempo para mudar o rumo da sociedade baiana, caso contrário Salvador será mais uma capital assustada e subordinada ao tráfico de drogas.

* Por Márcia Barreto

Um comentário:

Felipe Pessoa disse...

Gostei Marcia da sua escrita. Uma linguagem fácil, interessante e gostosa de se ler.
O artigo está excelente. Vc relata de forma sucinta e objetiva, o que nós baianos estamos vivendo, na capital e no interior do estado, um caos com a segurança.
São homícidios, latrocínios, seqüestros e outros mais, que precisam ser combatidos pela polícia baiana e que está se omitindo pelo crime organizado.
O medo impera entre as pessoas nas ruas devido a falta de segurança e políticas públicas para reforçar o policiamento no estado.
um abraço,
Felipe (Ascom-Limpurb)