quarta-feira, 30 de abril de 2008

Um programa de auditório chamado “Jornalismo”

Algumas vezes me questiono sobre a profissão que escolhi. Não é uma dúvida de vestibulando às vésperas de fazer um processo seletivo para ingressar na faculdade, é uma dúvida que me ocorreu depois de ver o famoso caso Isabella. Desde o primeiro semestre aprendi que devo buscar a imparcialidade, ouvir os dois lados e colocá-los na notícia sem “puxar a sardinha” para nenhum dos dois. Aprendi que não se deve fazer sensacionalismo de um fato, e muito menos dos problemas alheios. Somos formadores de opinião, exercemos uma influência natural sobre aqueles que nos assistem e nos lêem. Quem nunca ouviu alguém usar como argumento “Eu vi no jornal!” e derrubar todos os outros?

Agora, quem somos nós? Quem são essas pessoas que estudam, passam quatro anos se preparando, pegam o diploma e ferem o Código de Ética do Jornalista Brasileiro? O artigo 6º afirma que é um dever do jornalista “respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão”. Qual foi o respeito dado à imagem do pai de Isabella, Alexandre Nardoni, antes mesmo da polícia decretar a prisão preventiva?A imprensa o acusou desde o princípio sem que a polícia assim o fizesse. O artigo 9º lembra que “a presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística”, ou seja, todos são inocentes até que se prove o contrário.

Não quero de maneira nenhuma defender o pai de Isabella, até porque sou estudante de jornalismo e não fui contratada como advogada de defesa, o que acho é que não estamos na posição de juízes de ninguém. Nossa função é a de informar e não induzir.

Como li em um artigo do Observatório da Imprensa, “se o pai for de fato culpado, será punido ao fim da investigação. Se for inocente, já está punido”. Daqui a pouco iremos nos formar para trabalhar no programa do João Kleber com direito a choros ao vivo e testes de fidelidade.

*Driely Lago

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