quinta-feira, 1 de maio de 2008

Guerra Santa

Na semana passada, a novela Duas Caras da Rede Globo, de Aguinaldo Silva, exibiu cenas em que uma evangélica fanática chamada Edvânia (interpretada pela atriz Susana Ribeiro), reuniu um grupo de fiéis da religião para espancarem um homossexual, uma ex-prostituta grávida, e o companheiro deles, que é garçom.

A forma como a novela usou o “modelo religioso”, não agradou nem um pouco aos seus representantes. Na emissora Record, conhecida por ter cunho evangélico, exibiu no programa Domingo Espetacular uma matéria abordando a forma como a Emissora Globo havia se referido de forma “preconceituosa”.

Obviamente a novela trata-se de ficção, porém a forma como foi abordada afetou de fato a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), que se sentiram afrontados pela dramaturgia global.

De fato, a encenação feriu os valores religiosos de alguns, porém para a Globo, o que se passou na novela foi apenas ficção, e se a IURD se sentiu ofendida, foi graças a se reconhecerem como “fanáticos”.

Porém, religião se discute? Não querendo cair no tom acusador, mas a própria Record já utilizou opiniões agressivas sobre outras religiões, principalmente o candomblé e o espiritismo. O próprio bispo Edir Macedo, dono da Rede Record, já cometeu intolerância religiosa ao escrever o livro "Orixás, Caboclos e Guias - Deuses ou Demônios?". Publicação extremamente preconceituosa, que chegou a ser retirada de circulação.

A Globo, exagerou na dramaturgia e na satisfação da evangélica fanática, pois não foi colocada apenas como uma fanática, de forma individual, e sim como um grupo de ideólogos insanos, “influenciando” a percepção do espectador sobre a religião.

Já a Record, esqueceu do passado, não distante em 2005, quando eles foram intolerantes. Após tantas discussões e propostas de pautas relacionadas ao assunto, fica nítido o despreparo televisivo, para a abordagem do tema religião.

*Midiã Santana

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