
O aumento da repressão não diminui a criminalidade. Pelo contrário, o que ocorre na capital baiana é uma distorção dos papéis: a polícia se tornou uma grande ameaça, baseada no racismo.
Nas últimas décadas, a polícia baiana se tornou conhecida pela forma truculenta de agir. O quadro parece ter piorado com o governo Jaques Wagner, no qual cresceu o número de homicídios e foi mantido o coronel Jorge Santana, que comandava as tropas da Polícia Militar no governo anterior.
Apenas nos primeiros 20 dias de janeiro de 2008, segundo a revista Carta Capital, foram 12 mortos pela PM de Salvador. Quase sempre rapazes negros de periferia e alguns, como os quatro casos relatados pela reportagem, sem antecedentes criminais ou porte de armas. No dia 7 de março, sexta-feira, foram mais dois assassinatos cometidos pela polícia, no Ferry Boat. O motivo alegado foi a suspeita de serem assaltantes de bancos, o que levou os oficiais a atirarem nos homens que compravam os bilhetes antes de lhes abordarem, como relata uma testemunha em matéria de A Tarde.
O comportamento social mostra que o racismo está arraigado na cultura baiana. Há pouco mais de 30 anos a capital se modernizou, no entanto, sua política continuou com características de província coronelista. O preconceito é tão introjetado na sociedade que, por paradoxo, os policiais foram educados a perseguir um perfil semelhante ao seu: negro de origem humilde, a exemplo dos toques de recolher em comunidades periféricas.
Nos protestos à Comissão de Direitos Humanos ou imprensa para reivindicar os crimes cometidos contra um familiar, o delator não tem amparo garantido pelo Estado. A divulgação torna-se vã, pois inúmeros são os casos em que a Secretaria de Segurança Pública diz estar investigando os agentes de segurança envolvidos no crime. Esses, não descobertos pela instituição, saem impunes.
A melhoria nas condições de trabalho não é garantia para uma atuação mais digna da polícia. Essa, por sua vez, poderá valer-se ainda de mais força para mostrar seu desempenho. O histórico problema da arbitrariedade ilegal apenas pode ser resolvido com um novo perfil policial, através de uma educação mais humanística.
Com uma política de extermínio não é preciso mais shows em comemoração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. Num lugar sem prisões e julgamentos, basta valer-se da Lei do Talião (“Olho por olho, dente por dente”), legado baiano baseado no Código de Hamurabi, que justifica qualquer ação da polícia como direito de defesa, e esquecer a palavra Democracia.
Nas últimas décadas, a polícia baiana se tornou conhecida pela forma truculenta de agir. O quadro parece ter piorado com o governo Jaques Wagner, no qual cresceu o número de homicídios e foi mantido o coronel Jorge Santana, que comandava as tropas da Polícia Militar no governo anterior.
Apenas nos primeiros 20 dias de janeiro de 2008, segundo a revista Carta Capital, foram 12 mortos pela PM de Salvador. Quase sempre rapazes negros de periferia e alguns, como os quatro casos relatados pela reportagem, sem antecedentes criminais ou porte de armas. No dia 7 de março, sexta-feira, foram mais dois assassinatos cometidos pela polícia, no Ferry Boat. O motivo alegado foi a suspeita de serem assaltantes de bancos, o que levou os oficiais a atirarem nos homens que compravam os bilhetes antes de lhes abordarem, como relata uma testemunha em matéria de A Tarde.
O comportamento social mostra que o racismo está arraigado na cultura baiana. Há pouco mais de 30 anos a capital se modernizou, no entanto, sua política continuou com características de província coronelista. O preconceito é tão introjetado na sociedade que, por paradoxo, os policiais foram educados a perseguir um perfil semelhante ao seu: negro de origem humilde, a exemplo dos toques de recolher em comunidades periféricas.
Nos protestos à Comissão de Direitos Humanos ou imprensa para reivindicar os crimes cometidos contra um familiar, o delator não tem amparo garantido pelo Estado. A divulgação torna-se vã, pois inúmeros são os casos em que a Secretaria de Segurança Pública diz estar investigando os agentes de segurança envolvidos no crime. Esses, não descobertos pela instituição, saem impunes.
A melhoria nas condições de trabalho não é garantia para uma atuação mais digna da polícia. Essa, por sua vez, poderá valer-se ainda de mais força para mostrar seu desempenho. O histórico problema da arbitrariedade ilegal apenas pode ser resolvido com um novo perfil policial, através de uma educação mais humanística.
Com uma política de extermínio não é preciso mais shows em comemoração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. Num lugar sem prisões e julgamentos, basta valer-se da Lei do Talião (“Olho por olho, dente por dente”), legado baiano baseado no Código de Hamurabi, que justifica qualquer ação da polícia como direito de defesa, e esquecer a palavra Democracia.
* Luciana Zacarias
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