Por Isis Santana
Os brasileiros acompanham, comovidos, o caso da menina Isabella Nardoni, de apenas cinco anos, que caiu, ou foi jogada, do sexto andar do prédio em que seu pai mora. A notícia é chocante, mas quantas crianças morrem vítimas de crime ou acidente no Brasil? Inúmeras. Porém, nesse caso há um diferencial.
O Instituto Médico Legal (IML), que demora em torno de trinta dias para emitir o laudo, em menos de uma semana divulgou os resultados de exames que comprovam que a menina foi espancada e asfixiada antes de morrer. Os principais suspeitos, o pai e a madrasta da garota, tiveram quebra de sigilo telefônico e a prisão preventiva decretada. Diferentemente de outros casos, que demoram anos para serem concluídos, o caso Isabella parece que terá desfecho bastante rápido.
Um dos processos que se arrasta há anos é o caso de Lucas Terra, que foi queimado vivo em 21 de março de 2001. Somente sete meses depois de iniciadas as investigações foi divulgado o autor do homicídio: o pastor Silvio Galiza. Porém, até hoje o acusado está em liberdade. E somente em 28 de outubro de 2007 os pais foram indenizados. No entanto, nesses casos, o que menos importa é a indenização. O que os pais querem ver é a justiça agindo e prendendo os culpados.
O difícil é entender porque em alguns casos a justiça se mostra ágil e eficaz e noutros lenta e burocrática. Isabella e Lucas tiveram mortes inusitadas. Será que a classe socioeconômica elevada da vítima e a divulgação do fato pela mídia são o combustível que move a justiça?
Não há uma crítica contra a investigação acelerada no caso da menina Isabella Nardoni, Muito pelo contrário. O que se deseja é que esta celeridade seja aplicada à todos os casos como o dela, e não haja mais demora na busca das vítimas por um desfecho justo. Também precisamos entender por que essa demora acontece, para que a justiça reveja seus conceitos e atitudes. E para que o símbolo da mulher de olhos vendados e com a balança realmente represente a objetividade e o equilíbrio em todos os casos.
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