quinta-feira, 1 de maio de 2008

Salvador beira o caos no trânsito

Quando se trata das questões urbanísticas de Salvador, os problemas podem ser resumidos em uma palavra: acessibilidade. A cidade sofre hoje as conseqüências de uma falta de planejamento de crescimento. No último ‘dilúvio’ que aconteceu no dia 27 de fevereiro, foi um sinal de que salvador precisa pensar em seu desenvolvimento. A chuva que atingiu níveis pluviométricos de 130.8 milímetros em 24 horas, o que equivale a chuva de um mês inteiro de fevereiro, sendo o maior índice de todo o país, provocou mais de 5 horas de congestionamento em toda a cidade.

A situação se explica pelo aumento do número de carros em circulação na cidade nos últimos anos. Em média, a frota soteropolitana cresce 6% ao ano e chegou, em dezembro de 2006, a 550 mil veículos em circulação, segundo dados do Detran. Hoje, a frota cresceu cerca de 9%, chegando a 594 mil veículos, segundo dados do departamento de estatística da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET).

E esse número só tende a crescer. Uma semana após o incidente que a imprensa chamou de ‘dilúvio”, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgou em uma emissora de rádio local que as vendas de veículos novos no varejo cresceu 33,7% só no mês de fevereiro. Segundo a entidade, os resultados acumulados do ano são os melhores da série histórica do setor.

A Bahia chega a vender hoje, cerca de 5 mil carros ao mês e a tendência , segundo Luís Pimenta, presidente da Fenabrave, é só aumentar e a conseqüência disso serão problemas no tráfego baiano. Mas para o chefe de Departamento do Setor de Estatística da SET, Ivo Almeida , o caso de Salvador não é igual a São Paulo. Segundo ele o órgão não tem como mensurar o tamanho dos congestionamentos na cidade, porque não existem equipamentos. Não há se quer um departamento que estude o assunto. Quem percebe mesmo o caos que o trânsito de Salvador está se tornando são os motoristas. Antes, os engarrafamentos restritos aos horários de rush, principalmente nas regiões do Iguatemi e Avenida Paralela, hoje podem ser vistos em qualquer lugar , a qualquer hora do dia. Muitos podem achar que a solução para este problema é a abertura de novas avenidas e vias de acesso, mas já está comprovado que isso não adianta. Os veículos rapidamente vão ocupar essas novas vias.

A solução pode estar na valorização do transporte público e a utilização de veículos alternativos, como as bicicletas, em lugar dos veículos particulares. O problema são as limitações do transporte urbano, que não oferece o conforto e a conveniência suficientes para convencer as pessoas a abrirem mão do veículo próprio para utilizar o coletivo. Associado a isso está a cultura de valorização do automóvel e as dificuldades de deslocamento a pé pela cidade. Outra grande e boa alternativa seria se o metrô de uma vez por todas saísse do papel e das varias promessas de inauguração.

*Camila França

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