O sistema de cotas para negros nas Universidades é politicamente correto? Ao invés da questão racial, não se estaria deixando de abordar questões mais relevantes, como a social e o sucateamento do ensino público?Atualmente, as cotas nas universidades públicas estão distribuídas em 20% das vagas para alunos da rede pública, 20% para negros e 5% para portadores de deficiência ou integrantes de minorias étnicas. Na Universidade de Brasília (UNB), 20% das vagas são reservadas para afros brasileiros e 15% para índios e na Universidade do Estado da Bahia, que oferece 40% de suas vagas para os afros brasileiros.
Mas será que a exclusão do negro se resume a uma questão somente racial? O negro figura como maioria nas estatísticas da linha da pobreza e abaixo dela, e quem é pobre no Brasil tem acesso apenas ao ensino público, portanto estão menos preparados para concorrer a uma vaga nas universidades estaduais e federais. Isso se deve ao baixo nível do ensino médio gratuito, que há muito vem sendo sucateado; faltam livros, professores, merenda, atividades culturais, entre outras coisas. Não há como competir em pé de igualdade com o ensino particular, onde a realidade é bem diferente. Portanto, a questão é social. Nem todo negro é pobre, tampouco todo pobre é negro. Estudando em colégio particular, o negro é tão capaz de ingressar na Universidade quanto os brancos e orientais.
Politicamente correto, seria adotar o sistema de cotas para pobres, dentro desta faixa os negros estariam contemplados por serem maioria. Ninguém deixa de chegar a Universidade pela cor da pele e sim pela falta de capacitação no ensino médio. É fundamental que se invista no ensino público e em cursos que coloquem pessoas das classes menos favorecidas em igualdade com o resto da sociedade.
Dessa forma, havendo um combate efetivo a desigualdade social, aliado a recuperação do ensino público, os negros poderão ter sua inclusão garantida na universidade, sem lançar mão de privilégios legais, afirmando sua capacidade.
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