
O Brasil discute o comportamento politicamente correto há algum tempo. Gerador de polêmica, o comportamento politicamente correto nada mais é do que o preconceito disfarçado em palavras mais suaves. Além do mais, a patrulha dos grupos que defendem essa posição é também uma forma de cercear a opinião, de impedir a sua expressão de forma direta.
Mas se falamos de cerceamento, temos que apontar de onde vem a censura, a repressão. Ela vem dos mais variados campos, mas normalmente parte de figuras religiosas, do Estado e de pessoas que se fundamentam em tradicionalismos. Nesses setores, o que se apregoa é que temos que ser politicamente corretos, ou seja, não discriminar o outro com palavras, para não constranger. O que é mais contraditório nesse discurso é que não se diz que devemos combater o preconceito, mas apenas mudar as palavras.
Chamar um negro de afro-descendente não muda em nada o preconceito contra ele. Ademais, identificar alguém pela cor da pele não é uma ofensa. A raiz do preconceito não está nas palavras usadas, mas na atitude de quem as usa. Selecionar para uma vaga de trabalho um indivíduo de pele branca no lugar de um de pele negra é racismo. Chamar um branco de branco, um negro de negro, ou um gay de gay não é.
Em prol de incentivar o comportamento politicamente correto, em 2005 o governo Lula editou a “Cartilha do Politicamente Correto”, através da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. O documento condenava o uso de palavras como comunista, bêbado, peão, branquelo, funcionário público, preto e anão, dentre outras. Simples assim: troca-se estas por outras e está tudo resolvido. Podemos dormir em paz. A cartilha foi tão eficiente que meses após seu lançamento, até o governo a considerou desnecessária, suspendendo sua circulação.
Diante disso, há de se admitir que não basta enfeitarmos o discurso. Dizer “interrupção de gravidez” no lugar de “aborto” ou “homossexuais” ao invés de “gays” não muda nada. Há que se combater o problema na sua raiz: abrindo discussões para combater o preconceito. E para isso, cartilhas que proíbam o uso de determinadas palavras e expressões não bastam.
*Alice Coelho
Mas se falamos de cerceamento, temos que apontar de onde vem a censura, a repressão. Ela vem dos mais variados campos, mas normalmente parte de figuras religiosas, do Estado e de pessoas que se fundamentam em tradicionalismos. Nesses setores, o que se apregoa é que temos que ser politicamente corretos, ou seja, não discriminar o outro com palavras, para não constranger. O que é mais contraditório nesse discurso é que não se diz que devemos combater o preconceito, mas apenas mudar as palavras.
Chamar um negro de afro-descendente não muda em nada o preconceito contra ele. Ademais, identificar alguém pela cor da pele não é uma ofensa. A raiz do preconceito não está nas palavras usadas, mas na atitude de quem as usa. Selecionar para uma vaga de trabalho um indivíduo de pele branca no lugar de um de pele negra é racismo. Chamar um branco de branco, um negro de negro, ou um gay de gay não é.
Em prol de incentivar o comportamento politicamente correto, em 2005 o governo Lula editou a “Cartilha do Politicamente Correto”, através da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. O documento condenava o uso de palavras como comunista, bêbado, peão, branquelo, funcionário público, preto e anão, dentre outras. Simples assim: troca-se estas por outras e está tudo resolvido. Podemos dormir em paz. A cartilha foi tão eficiente que meses após seu lançamento, até o governo a considerou desnecessária, suspendendo sua circulação.
Diante disso, há de se admitir que não basta enfeitarmos o discurso. Dizer “interrupção de gravidez” no lugar de “aborto” ou “homossexuais” ao invés de “gays” não muda nada. Há que se combater o problema na sua raiz: abrindo discussões para combater o preconceito. E para isso, cartilhas que proíbam o uso de determinadas palavras e expressões não bastam.
*Alice Coelho
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