Hora do almoço, uma família reúne-se à mesa da sala. Boa hora para assistir ao telejornal, certo? Errado. Na hora do almoço, muita cautela ao ligar a televisão. Pode-se sofrer uma indigestão. O que deveria ser prazeroso e/ou informativo está longe de ser um programa jornalístico, quiçá de entretenimento. Na rede Aratu, canal quatro, tem-se Casemiro Neto e Zé Bim, no programa "Que Venha o Povo". Na Tv Itapoan encontra-se Raimundo Varela com o Balanço Geral e Zé Eduardo com o inusitado Se liga Bocão, um na seqüência do outro.Os assuntos abordados são a miséria de vida da população. A produção se esmera para transmitir, através de seus apresentadores, a imagem de um programa de justiceiros e protetores da população abandonada. Contudo, só ficam na tentativa mesmo. Qualquer pessoa, com pelo menos com um pouco de esclarecimento, sabe que o que ocorre é a transformação do sofrimento do povo em audiência.
Presos são humilhados pelos repórteres, pessoas histéricas gritam pelo nome dos apresentadores, doentes imploram por medicamentos, mães choram pelos filhos mortos, corpos ensangüentados no chão. Esses programas não existiriam sem tudo isso. Não teriam a força e a popularidade que tem se não explorassem o sofrimento do povo. A luta pela audiência chega a ser cruel.
A grande vítima desses programas sensacionalistas é a população carente, o "povão", que tem a dor transformada em um grande espetáculo. O pior é que em sua grande maioria, essas pessoas vêem nesses programas, uma possibilidade de mudança. Tudo não passa de uma ilusão. Uma grande ilusão televisiva.
* Paloma Batista
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