quarta-feira, 9 de abril de 2008

Fantástica fábrica de Ilusões

Sensacionalismo é o nome dado a um tipo de postura editorial adotada, regular ou esporadicamente, por alguns meios de comunicação, onde o exagero, o apelo emotivo e o uso de imagens fortes na cobertura de um fato jornalístico são peças chave.

O apelo ao "sensacional" utilizado pelos três principais programas jornalísticos do gênero, na Bahia, tem sua gênese na violência, nas desgraças e situações que retratam o infortúnio alheio. São eles, o Balanço Geral e Se liga Bocão (TV Itapoan) e Que venha o povo (TV Aratu) apresentados, respectivamente, por Raimundo Varela, Zé Eduardo e Casemiro Neto. Um show da vida, do cotidiano particular/ alheio, com intuito de gerar entretenimento. É a era do espetacularismo, onde tudo é apimentado para agradar ao público e elevar a audiência.

No Brasil, a principal medição de audiência é feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), e todas as emissoras têm acesso aos números. Na corda bamba da guerra de audiência, o jornalismo “sensacional” apela para métodos esdrúxulos de chamar a atenção do telespectador, colocando em voga temas polêmicos e escandalosos do tão aclamado, por eles, ‘povo’. Escandaliza-se, assim, aquilo que nem sempre é sensacional, nem sempre é fantástico.

Com a desculpa de que “é isso que o povo gosta, é isso que o povo quer”, sobram na programação dos canais abertos – mais suscetíveis ao sobe e desce da audiência - telejornais que especulam, ironizam e dramatizam a vida do indivíduo, sem, na maioria das vezes, buscar a veracidade da notícia. Hoje, um bom programa jornalístico, instrutivo ou de entretenimento é raro de se ver nos canais abertos a população. Isso demonstra o pouco interesse destas emissoras em seguir os fins primários da comunicação jornalística, entre eles, a imparcialidade, a verdade e o compromisso com o telespectador. Só interessa o lucro.

O telejornalismo fantástico e superficial, cada dia mais, está presente na vida das pessoas, induzindo um baixo nível de reflexão crítica e uma idiotização da notícia, supervalorizando imagens e manchetes que ridicularizam ou ascendem indivíduos ao seu bel prazer. É uma ‘Fantástica Fábrica de Ilusões’, capaz de explorar e manipular de maneira irresponsável as notícias, a fim de mexer com as emoções do telespectador e os prender frente a um aparelho de televisão.

Cria-se um espetáculo onde os atores são pessoas reais, em geral, com pouca ou nenhuma instrução, que buscam nestes programas ‘santos’(os apresentadores) capazes de realizar milagres, que muitas vezes parecem incorporar, realmente, as figuras divinas. Caminhões de cestas básicas, presentes, tapas, gritos e cartões vermelhos, transformam a figura do apresentador de telejornal em advogado, juiz, anjo e até um Deus.

O público desta trama ardil e inescrupulosa somos nós. Uns obrigados a ver, mesmo que de relance, quando busca-se um canal para assistir, ‘tem que se engolir a seco’. Outros, que é a maioria, mantêm estes programas no ar. São, um a um, números no Ibope tão almejado. Buscam diversão e ‘iguais’, não sabendo que assim, fornecem os pincéis para que o ‘marrom e rosa’ componham esta parcela de imprensa televisiva vil e medíocre.

* Dinnie Ribeiro

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