quarta-feira, 21 de maio de 2008

É tudo culpa da camisinha!

Helane Carine Aragão

“A camisinha estourou”! Não é difícil escutar esta declaração quando o assunto é gravidez inesperada, sobretudo entre as adolescentes. Uma pesquisa publicada pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-família, demonstra que os índices causam distorções quando o assunto é utilização de preservativos.

Segundo a pesquisa, um dos grandes vilões da pratica do sexo desvairado é a propaganda sobre a proteção e uso da camisinha que acaba estimulando a iniciação prematura da atividade sexual. Na pesquisa, 80% dos adolescentes sexualmente ativos afirmam que foram “iniciados” muito cedo, 84% das meninas, até 16 anos para baixo, querem que as escolas lhes ensinem a dizer “não” à relação sexual, sem ferir os sentimentos da outra pessoa”. O fato é que quanto mais adolescentes praticam sexo, maior é quantidade daquelas que correm o risco de engravidar.

Segundo a mesma pesquisa, 83% dos adolescentes tiveram a primeira experiência sexual de maneira inesperada, logo sem uso de preservativo. Outros tantos afirmam que não usaram porque não quiseram. O velho discurso que só engravida quem quer é certo. Falta de informação, instrução e liberdade para se tratar o assunto nunca foram tão permitidas e acessíveis.

Se a publicidade incita a atividade sexual, por outro lado conscientiza a população dos perigos que se corre em não praticar sexo seguro. Ana Carolina Cunha de Oliveira pariu aos 17 anos. Ela é mãe da menina Isabella Nardoni, criança encontrada no jardim do edifício onde, ao que parece, foi arremessada pela janela do apartamento do sexto andar, onde mora o pai, Alexandre Nardoni, caso fortemente discutido nos últimos dias na impressa.

Durante entrevista ao Fantástico, a mãe conta o quão amiga e companheira de uma criança de cinco anos ela era. Na ocasião, como a própria Ana Carolina relata, ao dar a luz já estava solteira. Caso típico de gravidez na adolescência.

Uma mãe solteira aos 17 anos perde fases essenciais no amadurecimento e aprendizado necessários para a formação do estágio adulto. Nestes casos o processo é interrompido para cuidar-se de outra criança. Tudo indica que Ana Carolina é uma pessoa equilibrada, que contou com o apoio da família e talvez a imaturidade a tenha ajudado a superar de maneira tão fria a perda da filha.

Enquanto os holofotes estão virados para o pai Alexandre Nardoni e a esposa Anna Carolina Trota Jatobá, madrasta de Isabella, e mãe de dois filhos com Alexandre, o que não faz pensar e ponderar que a própria mãe da pequena falecida quisesse a própria vida de volta?

Uma gravidez prematura movimenta aspectos físicos e psicológicos que uma menina de 17 anos não tem estrutura psicoemocional de gerir. Casos e mais casos de abandono e maus-tratos são constantemente noticiados. Diante de tantos acontecimentos, quem pode ser responsabilizado por uma camisinha furada?

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