quarta-feira, 21 de maio de 2008

Baianos, QI e falta de educação

Pedro Levindo

Criou-se uma celeuma enorme em torno de umas poucas frases idiotas, proferidas por um professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Ao invés de se debater o que levou o (agora ex) coordenador de curso a dizer as asneiras que disse, decidiu-se crucificar o pobre coitado. Mais uma vez, nos preocupamos em tapar o sol com a peneira. Discutiu-se muito se é ou não fácil tocar berimbau. Outras questões, contudo, se fazem um pouco mais urgentes. Digo pouco porque, aqui na Bahia, pouca coisa é mais urgente do que ir a festa de axé e pagode, ou falar besteira, ou... enfim, não fazer nada de muito produtivo.

O que poderia ser mais urgente do que cair em cima do professor abobalhado? Falar da raiz do problema, que era, em suma, ao que o próprio se referia. O problema tem um nome que muita gente sabe, mas pouca gente se importa em resolver: educação.

Ocorre que, ao contrário do que todos (inclusive o professor) pensam, o problema não é só da educação formal. Começa muito antes disso. Começa dentro de casa. E no quesito educação, o povo baiano é de admirar. Neste fim de semana estava eu a fazer compras num grande hipermercado da cidade. É uma experiência que não me traz grande prazer, devo ressaltar. Procurando um presente para uma amiga, fui até a seção de utensílios domésticos. Achei o que queria, mas não havia a etiqueta de preço (obrigatório por lei, não custa nada frisar). Fui até o sensor da seção para passar o código de barras e descobrir quanto o item custava. Quando estava prestes a passar o código, um garoto de cerca de seis, sete anos, veio correndo, pulou em minha frente e passou o item dele no sensor antes de mim. Não era apenas um, eram dois itens. Eu gelei, estupefato. Olhei para trás e vi minha noiva, com a mesma cara de surpresa com a falta de educação do menino.

Não sei nem como ainda nos assustamos com atitudes como essas, pois acontecem todo dia, a toda hora. Ma se eu achava que aquela demonstração de bons modos era o pior que poderia acontecer aquele dia, eu estava enganado, muito enganado. O melhor veio a seguir. Fomos, eu e minha noiva, até a fila de pequenas compras, afinal, eram menos de dez itens. Chegando lá, uma senhora resolveu que não precisava mais do carrinho. Tirou suas compras e largou o carrinho onde estava. Este, detalhe bobo, encontrava-se tapando a entrada do corredor que dá acesso à fila. Como a senhora já estava lá dentro, não se importou muito com tal fato e seguiu em frente. Seu marido, um lorde no quesito bons modos, estava já bem mais à frente, com as mão livres. Eram, surpresa!, os pais do garotinho que havia pulado em minha frente.

Às vezes dá vontade de falar, de gritar, de esmurrar uma pessoa que age da forma como o garoto, a mãe e o pais do mesmo agiram. Ou de fazer o mesmo com alguém que te dá um fechada no trânsito, ou que não abre a porta para você passar, ou até que não agradece quando você abre a porta para ele(a) passar. Você no entanto, se controla, pois sua mãe lhe ensinou que gritar e bater nos outros não se faz, é falta de educação.

Coisas pequenas como os exemplos supracitados acontecem todos os dias em nossa cidade. Isso me leva a pensar que baiano pode até ter o QI alto (discutível), mas não tem educação. Nem formal e nem doméstica. E no dia que quiser passar a almejar a algo mais do que dançar pagode ou pular atrás de trio elétrico, vai ter que estudar um pouco mais. Antes disso, porém, terá de aprender boas maneiras, o que vem a se chamar de educação doméstica. Pode parecer pouco, mas não é. Pedir “por favor”, “com licença”, dar passagem, dizer “obrigado” e “por nada” é o mínimo. Como podemos exigir o máximo de quem não tem o mínimo? Não podemos.

Chameis os baianos (embora não pareça, eu sou baiano) de mal-educados. É uma generalização. Podem dizer que toda generalização é burra. Pode até ser. Se for o caso, eu sou burro. Aliás, devo ser burro mesmo, pois não sei nem tocar berimbau. E olhe que só tem uma corda...

3 comentários:

Anônimo disse...

"Às vezes dá vontade de falar, de gritar, de esmurrar uma pessoa..."

Foi Pedro que escreveu isso?
Tô passada!

O.o

Flor Comunica disse...

A idéia de desabafar a falta de educação alheia, é justa! Mas, a sua hipocrisia, o seu pré-conceito... gera o mesmo asno que o garotinho te fez sentir!

Anônimo disse...

Sorria vc está na Bahia!