quarta-feira, 21 de maio de 2008

Shopping não!

Paloma Batista

Ir ao shopping escolher roupa com minha mãe. Esse não é um dos meus programas prediletos, acredito que deve ser o último na minha lista de preferências mas, dessa vez, não tinha como dizer não. Era 8 de setembro, dia que antecedia o aniversário dela e, como qualquer “jovem” senhora, ela gosta de estar bem arrumada nessa data. Na verdade, não só nessa, em todas. Minha mãe tem 44 anos, na verdade tinha, porque fez 45 no domingo, dia 9. Com seus cabelos sempre pintados (ela pinta o cabelo de 15 em 15 dias para esconder os fios brancos) e escovados, unhas e sobrancelhas sempre bem feitas, Dona Rita, a senhora minha mãe, acordou no dia 8, disposta a me convencer a ir ao shopping com ela. Acho que quando ela fez essa escolha, não se lembrou do desastre que foram as outras vezes.

Com seus 1,70m e seus 78 kg, minha Mamili (é assim que carinhosamente eu a chamo) chama atenção por onde passa. Desde que ela se separou de meu pai, há quase quatro anos, começou a comprar roupa jovem e a se cuidar bastante. Lá no fundo sei que nossas brigas são ciúmes de filha, mas não deixo de ficar chateada quando vejo algum pretendente ligando pra ela.

Voltando à nossa saída, chegamos ao Shopping Barra por volta das 12h e fomos a uma loja de sapatos que fica no térreo. Como em toda loja, logo um vendedor se aproximou:- O que as senhoras desejam?

Sem nem pensar, minha mãe respondeu:

- Estou procurando um sapato na cor café, não quero nada muito comum. De preferência com salto alto.

Olhei pra ela com aquela cara de que já sabia que tão cedo não voltaríamos pra casa. Dona Rita é bastante indecisa, apesar de que na hora me surpreendeu por saber que queria um sapato na cor café, já era uma evolução. O vendedor trouxe uns sete pares. Logo de cara ela dispensou dois, eram brancos e não café como ela havia pedido. Outros dois modelos não lhe agradaram. Lembro-me que um era trançado e o outro tinha um salto bem pequenino. Depois de calçar os restantes, ela decidiu que não levaria nenhum e agradeceu ao vendedor.

Saímos procurando o sapato café e uma roupa legal. Entramos em algumas lojas, mas ela não viu nada que lhe agradasse muito. Resolvemos então esquecer um pouquinho o que íamos comprar e ficamos passeando pelo shopping. Estava vazio, a maioria das pessoas certamente estava viajando. Estava bom pra andar, sem aquela agitação comum desses lugares. Depois resolvemos ir logo ao 3° piso, onde fica uma loja na qual ela está acostumada a comprar roupa. Entramos e começamos a olhar algumas roupas. Resolvi ajudar, pra ver se andava mais rápido, finalmente achei uma que certamente a agradaria e falei:

- Mãe, vem cá! Acho que você vai gostar dessa.

A vendedora olhou para a gente e perguntou à minha mãe:

- Ela é sua filha? Nem parece! Pensei que fossem irmãs.

Minha mãe, sempre gentil, respondeu que eu era sim filha dela. A vendedora ficou olhando com uma cara meio descrente, mas não falou nada, só ficou nos olhando. Eu nem me importo mais, já cansei de escutar esses comentários. Fabiana, a vendedora, resolveu ajudá-la a procurar algumas roupas. Com duas calças, um legging e uma camisa que parecia mais um vestido, minha mãe entrou no provador. Eu sabia que agora começaria tudo de novo.

- Pê (é assim que ela me chama), vem cá, olha se você gostou.

Acredito que ela já sabia qual era a minha resposta, mas, mesmo assim, fez questão que eu fosse olhar. Pela primeira vez, gostei. Ela tinha vestido uma calça jeans clara, que tinha uns detalhes na perna e uma camisa lilás com um decote lindo nas costas. Minha mãe fica bonita com cores fortes.

- Gostei dessa mãe, mas experimenta o restante pra gente ver como fica.

Não era pra eu ter dito isso. Ela resolveu vestir a legging com um vestido por cima, desses que estão na moda. E resolveu me perguntar:

- Filha, ficou legal?

Fiz logo uma expressão que não e a vendedora logo veio atrás pra dizer que havia ficado linda, vendedores sempre fazem isso. A legging era preta e a camisa que parece vestido era branca, com umas listras azuis e um desenho de coração com brilho nas costas. Não combina com minha mãe.

- A senhora está linda com essa roupa.

A vendedora repetia essa frase de dois em dois segundos e pedia pra ela dar uma rodada.
- Não está! Prefiro a outra. Ela ficou parecendo um balão nesse vestido.

Juro que não havia ficado bom. Aquela roupa havia engordado ela. Acho que já por me conhecer e perceber que estava perdendo a paciência com a vendedora, ela resolveu não experimentar o resto das roupas e levar a que eu havia aprovado. No caixa, a Fabiana ainda comentava que ela deveria levar a outra.

- Já que ela gostou dessa e a senhora gostou da outra, leva as duas.

Antes que dona Rita pudesse pensar no que a vendedora havia dito, logo falei:

- Não foi ela que gostou, foi você! Vamos levar só isso mesmo.

Fomos ao caixa, pagamos e saímos em busca de alguma bijuteria que combinasse com a sua roupa e o bendito sapato na cor café. Passamos em frente a uma loja de sapato no 2° piso e logo na vitrine ela avistou o sapato que queria, nem quis calçar, falou com um vendedor e foi ao caixa enquanto ele ia buscar o sapato. Não demoramos nem cinco minutos naquela loja.

Já eram quase 15h e comecei a ficar com fome. No próprio 2° piso encontramos uma loja que vendia bijuterias, com os modelos que ela estava procurando. Resolvi nem opinar, quando estou com fome fico de mal-humor. Fiquei esperando ela escolher. Quando ela decidiu, perguntou a minha opinião, sem nem prestar atenção disse que era lindo. Finalmente tinha acabado aquele martírio. Saímos às 15h30 do shopping e fomos comer.

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