quinta-feira, 29 de maio de 2008

Bombas, flores e política

Antônio Almeida

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) praticam crimes, seqüestram pessoas, matam e traficam drogas. É necessário que o exército Colombiano atue firmemente no combate a esta guerrilha e que estes criminosos sejam punidos nos rigores da lei.

Porém em tal situação, o que você faria se o seu filho estivesse sob o poder de seqüestradores e o Estado resolvesse jogar uma bomba para intimidá-los? Quando a Venezuela e o Equador negociavam a libertação da fraco-colombiana Ingrind Betancourt o governo da Colômbia fez exatamente isso ao matar um dos líderes das Farc Raul Reyes

Atualmente, o estado de saúde da refém Ingrid Betacourt é grave. Ela está com malária e hepatitbe, do tipo b e corre risco de morte. Ao invés de facilitar as negociações, o presidente Álvaro Uribe cortou o presidente da venezuela Hugo Chavez das negociações. Hugo Chavez já havia conseguido libertar as reféns Clara Rojas e Consuelo González.

Com a morte de Raul Reyes, o governo da Colômbia não só destruiu possibilidades de libertação de Ingrid Betancourt e dos outros reféns como acabou com qualquer chance de uma possível trégua das Farc.

Com sua ação, ele pode até mesmo ter desencorajado os membros de facções pequenas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) até a rede terrorista Al-Quaeda a acreditar na trégua, na esperança, na libertação e na paz.

A CPI DOS CARTÕES CORPORATIVOS NA TV SENADO

Antônio Almeida

Os brasileiros que possuem antena UHF e conseguem sintonizar na TV Senado podem acompanhar diariamente o show de líderes partidários, eleitos legalmente com grande margem de voto. Atualmente, o assunto é a CPI dos cartões corporativos. Um tal de um dossiê que uns dizem 'que foi criado' para prejudicar o governo de Fernando Henrique. Outros políticos da oposição afirmam que pretendem investigar o se o documento vazou ou não.

Na emissora, não faltam troca de acusações, xingamentos e ameaças. É comum ver um dos líderes da oposição, Arthur Virgílio ameaçar a base aliada do PT de trancar a pauta. Na semana passada, foi a vez da senadora Ideli Salvatti protagonizar um bate-boca intenso com o senador Alvaro Dias, sobre o suposto dossiê contra o ex-presidente FHC. Ambos chegaram a discutir se os papéis do dossiê entraram no senado voando. Enquanto os políticos passam horas duelando ao invés de votarem os projetos importantes, não há derrotados e nem vitoriosos nesse jogo. Talvez o único derrotado seja o povo brasileiro, que há cada ano que passa, desacreditam mais nos políticos que elegeu.

BOAS MANEIRAS

BOAS MANEIRAS: COLUNA

Para que evitemos cometer gafes nos locais sociais por onde circulamos, é necessário que criemos hábitos, mesmo estando em nossa casa.Pois, a repetição continua de certa manias dentro de casa pode ocasionar uma tremenda sai justa no âmbito social.

Sendo assim, é necessário que os costumes de boas maneiras sejam notados e ajustados em casa. É no ambiente familiar que os pais devem passar as noções de boas maneiras e convívio social aos filhos.

É na hora das alimentações que corrigimos pequenos erros de como utilizar os talheres, onde colocar o guardanapo, a não mastigar de boca aberta e como comer determinados alimentos, levantar da mesa antes do anfitrião, utilizar palitos de dente.

E é nessa hora também, que os pais devem ensinar aos filhos que à mesa alguns assuntos desagradáveis: morte, doença, devem ser evitados. E comentados em outro momento oportuno.

É importante que os filhos participem da vida e dos problemas familiares. Expressões como “não se intrometa” ou “não dê sua opinião” na conversas dos adultos, é um erro gravíssimo dos pais. Fundamental é desenvolver um raciocínio, entendimento e criação do pensamento critico do jovem.



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VIOLÊNCIA EM SALVADOR

FSBA
DATA:19/03/08
NOME: ROBERTA SANCHES
MATÉRIA: REDAÇÃO IV
PROFESSORA: BÁRBARA SOUZA
RECORREÇÃO DO EDITORIAL: VIOLÊNCIA



Violência em Salvador

A sociedade soteropolitana parece mais atenta aos debates sobre a violência. Tal discussão tem progredido em objetividade graças a estudos estatísticos – do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi informado que, desde 1980, as mortes eram associadas à violência e que, particularmente, 80% dos homicídios eram voltados para adultos jovens do sexo masculino. E que até hoje, essa estatística vêm se mantendo.

A polícia trabalha com a perspectiva, de que as maiorias desses crimes estejam ligados ao tráfico de drogas. Pois, ultimamente a mídia tem focalizado muito esse tema. Já que houve aumento de 38%, na taxa de mortalidade entre jovens.


De acordo com o jornal A Tarde, em 18 horas deste fim de semana foram executadas a tiros oito pessoas em Salvador e na Região Metropolitana. Neste mesmo período houve também assaltos, seqüestros e furtos de veículos.

As localidades mais atingidas com a violência são os bairros periféricos, como: Pero Vaz, Liberdade, Iapi, São Cristovão, Bairro da Paz e Baixa da Égua. Foram constatados pela Secretária de Segurança Pública- todos esses locais possuem ligação com tráfico de drogas.

O governador Jacques Wagner, falou que, o motivo do crescente índice de violência, em Salvador, está ligado a aposentadoria dos policiais e a falta de concursos públicos. Sem os concursos não tem como haver substituição dos cargos. Sendo assim, a demanda de policiais aposentados e maior que a de policiais efetivados.

E para insegurança da população e para os policiais civis e militares, de 150 postos de polícia 12 foram desativados. Com isso, há uma resistência dos policiais em trabalhar em determinados bairros considerados perigosos, de Salvador. E as unidades que ainda funcionam sofrem com a precariedade das estruturas: falta gasolina nas viaturas, instalações antigas, celas super lotadas.

Pior, com os postos policiais presentes, os meliantes estão matando. Sem eles a população fica refém dos bandidos. A ineficiência dos órgãos públicos de segurança está causando revolta na comunidade Bahiana.

Este quadro doloroso, vexatório, parece fadado a complicar-se. A desorientação de todos os órgãos públicos de segurança deixa transparecer, que a cidade esta entregue a marginalidade.

COLUNA

Nem sempre é uma questão de comportamento


Carlos José e Gabriela


No cinema pode-se notar os mais diversificados tipos de comportamento. Dos teens à velha-guarda, todos adoram freqüentá-lo. Mas, existiria um comportamento ideal para o público pagante? De pipocas à big sanduíches, com direitos a idas e voltas no banheiro, seria possível estabelecer um comportamento específico para essas salas? Dependeria do público ou do gênero do filme? Quem é que deve ditar como se comportar?

É comum e até comprovado pelos movimentos em shoppings que a faixa etária que ocupa a maior parte das cadeiras de um UCI, por exemplo, são os jovens de 13 a 21 anos. A fase turbulenta que caracteriza a maioria dos jovens dessas idades, traduz a falta de compostura que acaba irritando muitas pessoas de idades diferentes que também vão ao cinema.

Por ser um espaço “socializado”, as pessoas deveriam absorver a idéia de que existem normas que exigem uma adequação ao local. Afinal, o que leva as pessoas a irem ao cinema dentre muitas razões é o fato de assistir o filme em um telão, para muitos a sensação do glamour de ver tal filme no dia do lançamento, ou seja, lá os efeitos farão sentir sensações que em casa certamente não sentiria.

O gênero do filme é o fator principal que vai definir o(s) estímulo(s) do público espectador. Já pensou uma comédia onde os espectadores estivessem mudos? Muitas vezes as pessoas riem sem nem saber do que se trata, somente porque ouviu a outra. E um terror ou suspense sem aqueles gritinhos e sustos?

Porém atender o celular, ou simplesmente deixá-lo tocar, sujar o local, falar alto, são gestos inadmissíveis em lugares públicos quando exigem acima de tudo o silêncio. As pessoas devem se adequar às normas ditas éticas de uma sociedade porque senão viraria uma eterna baderna. Agora se você sentar em uma poltrona e à sua frente tiver um cara com as costas bem largas e aquele cabeção, não vai reclamar do comportamento não!

Será que vai dá praia?

Roberta Sanches

O relógio despertou 8h, em pleno domingo.Acordei, tenho que levantar e estou decidida: vou a praia. Olhei da janela do meu quarto e vi o sol brilhando, céu de brigadeiro. Coloquei meu biquíni, liguei para Rogério meu namorado, marcamos então para ir à praia de Stella Maris. Ficamos na barraca do Gaúcho .Queria aproveitar aquele dia, tomar um banho, relaxar, beber uma água de coco, uma cerveja bem gelada e comer um peixe assado, como de costume.

Cheguei por volta das12h20, mas tal foi minha surpresa. Andava e corria na areia quente, olhava para um lado e para outro, o sol escaldante e a praia lotada. Entretanto, em seu lugar, deparei com uma visão desoladora. Parecia que tinha passado um furacão por ali, ou coisa parecida. Havia pedaços de madeiras, tijolos, entulhos por toda parte, não sei se foi devido á forte chuva da sexta-feira ou se realmente a maré trazia todo aquele lixo.

Gritei “Rogério, cuidado para não pisar no xixi do cachorro”. Rogério, um rapaz de estatura mediana, cabelos castanhos, barba por fazer, olhos cor de mel. Ele se aproximou de mim e ficou horrorizado, pois muitas pessoas levam cães para a praia- justamente no fim de semana que crianças costumam brincar na areia.

Meu irmão Roberto,que chegava naquele momento de dentro da água, também ficou preocupado com aquela cena e a situação. Sentamos na areia e começamos a conversar. Eu falei: “ se não bastasse o problema de algumas barracas estarem á espera da prefeitura, os animais ainda contribuem para o caos - comentou Rogério: - E um projeto novo da prefeitura e do Ibama querem acabar com as antigas barracas de praia, feitas de madeira e palha. Eles pretendem tirar 50% das barracas que estão instaladas entre as praias de Amaralina e Ipitanga.Só podia ser no governo de João Henrique, ele não está fazendo nada de bom, aliás ele troca o banho de mar por banho de asfalto, e a luz solar por luz de poste.

Ouvindo as lamentações de Rogério fiquei pensando: quantas pessoas trabalham nessas barracas e têm como única fonte de renda para sustentar toda família. As manobras políticas, ao que parece não levaram em conta, essas pessoas que esperam o ano todo pelo Verão para ganhar uma renda maior segurar a onda na baixa estação.Além disso, as barracas são um atrativo turístico e local a mais nas praias de

Salvador.Principalmente, aquele hotel enorme de frente para praia em Stella Maris.Será que o prefeito é tão burro que não vê que trata-se de um hotel cinco estrelas, e que a nossa cidade é um estado turístico?É , vamos esperar para as próximas eleições.

MAM apresenta

Alice Coelho

Karina Oliveira

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), que de moderno só parece ter o nome, em função da semana dos museus, apresentará sua nova/velha programação, de 12 a 18 de maio.

Todavia essas mudanças tornam-se pouco expressivas, pois o que ocorrerá na realidade é a apresentação de um pequeno diferencial nos eventos permanentes e duas novas exposições.

Prova disso é o Jam no MAM, que costuma ocorrer aos sábados e devido a essa tão entusiasmante programação, contará com a participação do Grupo de Interferência Ambiental (Gia). E o pinte no MAM, evento de pintura livre, que acontecia todos os domingos. Mas com a programação especial será realizado todos os dias, das 15 as 18h. Sendo que todos os trabalhos produzidos pelas crianças ficarão expostos no pátio externo do museu até o dia 18 de maio.

Com essa programação a instituição demonstra não ter interesse em atrair o público para prestigiar seu acervo.

Entretanto o evento poderá ser salvo, em uma atitude quase que desesperada, um último suspiro com as apresentações da fotógrafa italiana Patrízia Giacontt "A alma da Bahia", no dia 12, as 19h, que contará com a exposição de elementos, sons, imagens, folhas e literatura (homenagem ao escritor Jorge Amado) para expressar a alma da Bahia.

Outro meio para conseguir proporcionar algo atrativo será a apresentação do renomado (Gia) dia 14 de maio,as 19h.

A tentativa de fomentar alternativas, na Bahia, em prol da cultura, promovido pela instituição, esbarra na falta de divulgação de qualidade, porque poucas pessoas têm acesso ao que é promovido no local, perdendo desse modo o sentido de existir.

Afinal, para que serve a cultura propiciada pelos museus, se não for apreciada pelo público

O mistério que envolve um corpo

Karina Oliveira da Silva

Em decorrência da fatídica morte de Isabela Oliveira Nardoni, cinco anos, no último dia 29 de março, em São Paulo, uma força tarefa da perícia foi designada para encontrar provas que levem ao criminoso. Mais uma vez o Brasil está diante de uma barbárie.

A versão apresentada pelos únicos suspeitos, o pai da criança, Alexandre Nardoni e a madrasta Ana Jatobá é questionada pela polícia e contradizem provas coletadas no apartamento de onde a menina foi jogada.

No depoimento, Alexandre Nardoni contou à polícia que chegou com sua esposa ao Edifício London, onde mora, entre 23h10 e 23h20. Como as crianças dormiam, ele subiu primeiro com Isabella e depois desceu para buscar o resto da família. Ao chegar novamente ao apartamento viu que sua filha não estava na cama, onde a deixou, e a tela de um dos quartos tinha sido cortada. Logo depois percebeu que a menina havia sido jogada. Nardoni afirma que o apartamento foi invadido.

Segundo a perícia, é impossível a presença de uma terceira pessoa no apartamento, tendo em vista que, conforme testemunho dos suspeitos, tal pessoa teria apenas quatro minutos para bater na menina, esganá-la, cortar a tela, jogar a vítima pela janela, limpar o sangue, guardar o material usado para cortar a tela e sair trancando a porta. Também segundo a perícia, há indícios na blusa de Alexandre e no sapato de Ana Jatobá que ligam o casal ao crime.

Situações como esta se tornam uma infeliz realidade, não só do país, mas do mundo. Um crime que mexe na célula da sociedade: a família. No dia 29 de março, apenas Deus pode contar o que aconteceu no apartamento do sexto andar do Edifício London. Ou a perícia.

Prevenção é a palavra chave

Karina Oliveira da Silva

Na brecha deixada pelos poderes públicos, os mosquitos da dengue fizeram sua moradia e ressaltaram a falta de estrutura nos hospitais públicos do estado. Agora o governo une forças contra a disseminação da doença que já vitimou 64 pessoas apenas no município do Rio de Janeiro.

Todos conhecem ou já ouviram falar dos cuidados para evitar a doença, porém, os índices confirmam o que era sabido; o aumento de pessoas picadas pelo Aedes Aegypti. Medidas preventivas são constantemente divulgadas em todos os verões, mas um país tropical como o Brasil favorece o surgimento e a proliferação dessa praga.

Para conter o alastramento da doença e acalmar a situação de medo que se instaurou no município, o governo convocou médicos de outros estados e montou tendas de hidratação em todo o Rio de Janeiro. Até o exército foi necessário para evitar que mais pessoas venham a óbito.

O quadro poderia ser evitado se o governo do Rio de Janeiro e a população se conscientizassem de seus papéis. O primeiro deveria investir devidamente os recursos destinados á saúde para o combate a doença. Já as pessoas têm por obrigação cuidar de suas residências, para que essas não virem hospedeiro da praga.

Destarte é possível perceber que se faz necessária uma ação mais firme do governo brasileiro, para evitar que um mosquito dissemine um clima de terror na população

CRIMINALIDADE TOMA CONTA DA CIDADE

A atual conjuntura sócio-econômica de Salvador culminou com a explosão da violência na capital baiana, constantemente divulgada pelos veículos de comunicação. Essa realidade não pertence a este governo ou ao passado. É apenas reflexo do que a falta de medidas eficazes pode causar a uma cidade.

As estatísticas comprovam o que era sabido pelos cidadãos: o aumento da violência nos grandes centros. Entre esses se encontra Salvador, que é considerada a quarta capital, entre 200 municípios pesquisados, com maior número de homicídios. Em 2006 foram registrados 678 assassinatos, enquanto 2007 registrou 975. O aumento de quase 40% é bastante significativo e desperta nas pessoas sentimentos díspares.

A sensação de insegurança é agravada pela excessiva vinculação, de informações sobre a violência, pelos veículos de comunicação. Tornando-se uma rotina, desagradável, fazer as refeições e acompanhar as estatísticas das mortes do final de semana. A impressão é de estar vivendo em uma guerra civil.

Em relatório divulgado em 2008 pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana.(Ritla), o crescimento da violência ocorre em todo o Brasil. Entre 1996 e 2006 o número de assassinatos no país foi maior do que o crescimento da população. Ao passo que a criminalidade aumentou 20%, a população brasileira cresceu apenas 16,3%.

Quem pode pagar, protege-se com o que há disponível no mercado de segurança particular; vidros blindados, cerca elétrica, alarmes, entre outros. Para quem não tem condições da arcar com a conta, resta resguardar-se em suas casas cercadas por muros e grades e, torcer para não virar mais um número. Esta sensação de insegurança é agravada pela excessiva vinculação dos veículos de comunicação.

Por ora o misto de impotência e revolta toma posse da população baiana, que assiste perplexa, nos telejornais, a linchamentos cometidos por populares revoltados, violência contra idosos (caso do diácono José Sérgio Barbosa Fontes agredido por um perito da Polícia Civil), grupos de extermínio encabeçados por militares- responsáveis por zelar pela ordem e segurança entre outras barbáries.

A incerteza do amanhã torna-se uma constante entre os soteropolitanos, que não sabem se irão retornar para seus lares após a jornada de trabalho ou até ir a esquina comprar pão. Contudo a temática parece não despertar tanta atenção dos "responsáveis" por governar a cidade, pois até o momento nenhuma atitude coerente foi tomada.

Percebe-se que não adianta promover pequenas ações isoladas como algumas câmeras em ônibus espalhados pela cidade, banho de luz e guarda municipal. É preciso despertar e investir em projetos eficientes, a curto prazo, que visem proporcionar aos cidadãos baianos uma condição digna para viver, pois os altos impostos pagos deveriam servir para algo.

*Karina Oliveira da Silva
Programas Sociais
Por Márcia Barreto

A televisão brasileira desde a década de 50 tornou-se uma sensação. Com a Internet muito acreditavam que haveria crise no setor. Mas ela continua sendo um dos principais meios de informação, entretenimento e “prestadora de serviços sociais”.
Programas como “Se Liga Bocão”, que “Venha o Povo”, “Balanço Geral” disputam cada telespectador e os “tais” pontos de audiência. Diariamente lares são invadidos por esses apresentadores que disparam notícias envolvendo o sofrimento humano, em níveis variados. As produções dos programas aproveitam o momento de fragilidade dessas pessoas para fazer o “show”. Imagens de corpos estendido no chão, pessoas com ferimentos, moradores de rua, entrevistas com presos que cometerem atos ilícitos são alguns dos quadros exibidos por esses espetaculosos jornalistas, que se apropria do sofrimento alheio em beneficio próprio.
Isso é conseqüência da ausência do poder público. Se o governo trabalhasse de forma organizada buscando atender os seres das classes menos favorecidas, não daria espaço para que tais “prugramas jornalísticos” fossem procurados e tivesse credibilidade. A sociedade baiana com o sentimento de abandono aguçado, dar força para o assistencialismo televisivo ganhar espaço, e mostrar os apresentadores como “salvadores da pátria amada”. Como é o caso de Zé Eduardo do programa “Se Liga Bocão” que tem um jingle próprio e diariamente são exibidas imagens de um homem sorridente no meio do povo como um verdadeiro “ídolo”. Raimundo Varela, conhecido como a metralhadora social, é idolatrado e venerado como um DEUS e faz parte do grupo de Zé.
O assistencialismo é claro, as críticas feitas a esses apresentadores são intensas e agressivas. No jornal Atarde chegaram a publicar que Varela havia morrido, enquanto fazia tratamento de saúde em São Paulo. Mas apesar das críticas alguém precisa exercer o papel de “salvador”, dando esperanças a essas pessoas, fazendo algo para tentar abrandar o sofrimento e a impunidade e claro tirar proveito disso também. Afinal em uma sociedade capitalista que para “ser” tem que “ter”, resta ao povo pobre pagar os favores expondo suas histórias, com esperança naqueles apresentadores de ter suas histórias exibidas e quem sabem, resolvidas.
Ressurgindo das cinzas
Por Márcia Barreto

Parece comentário de filme. Mas não é. O que está voltando com força total é o movimento estudantil. Em São Paulo, eles fizeram o reitor da Unifesp Ulysses Fagundes devolver o dinheiro, que ele usou no pagamento de despesas pessoais, com o cartão coorporativo. Em Brasília promoveram a derrocada do reitor Timothy Mulholland por ele ter usado o dinheiro público, na compra de lixeiras automáticas, para colocar em seu apartamento. O movimento estudantil brasileiro começou na década de sessenta com os jovens lutando contra a ditadura. Muitos estudantes eram envolvidos com partidos e hoje participam ativamente no cenário político. Mas atualmente o alvo é outro. A briga é pela melhoria das universidades públicas, e para baixar os preços das mensalidades nas particulares. Sem preocupação política e partidária eles querem apenas justiça e que o uso das verbas públicas seja para melhoria do Estado. A quem, conteste a nova postura dos jovens, de não ter envolvimento político, e digam, que o problema vai ser resolvido, mas as causas permanecerão. O futuro desses jovens é incerto, mas que eles estão conseguindo o que querem, isto é inquestionável.


Esperança para terceira idade
Por Márcia Barreto

Quem disse que lugar de velho é dentro de casa, está enganado. As pessoas da terceira idade voltam às salas de aula e estão concluíndo o ensino superior. Alguns fazem questão do diploma, outros estão interessados apenas em aprender o que não tiveram oportunidade, ou já esqueceram. Com isso eles melhoram a auto-estima e diminuem as entradas nos hospitais. Atualmente são 20 mil idosos matriculados, em universidades abertas para terceira idade, que oferecem várias opções de cursos e eles ainda podem escolher as matérias que desejam estudar. Sem falar da oportunidade de conhecer novas pessoas e assim renovar as amizades e os pensamentos.



De novo! Caso Isabella Nardoni
Por Márcia Barreto

A imprensa brasileira não fala de outra coisa, só do assassinato da criança paulista desde o dia 29 de março. Também o caso é responsável por um aumento de 46% nas audiências dos telejornais. Algumas emissoras deixam nas entre linhas que os assassinos são: pai e a madrasta, antes mesmo do resultado das investigações policiais. A indignação é saber que os protagonistas desta história fazem parte da dita classe média/alta de São Paulo, enquanto a garota de Goiás que foi espancada, teve a língua cortada com um alicate, os dedos machucados com um martelo, não teve o mesmo espaço na grande mídia. Será que é por ela pertencer a uma gama da sociedade que não merece respeito? Ou por seu pai estar desempregado e morar em uma comunidade pobre. E a mãe ter abandonado os filhos? Não desmerecendo do caso Nardoni que é uma brutalidade contra a vida, mas os espaços deveriam ser divididos. São tantas crianças espancadas e mortas em todo o Brasil. Por que só um tem destaque e merece atenção?
Os profissionais de mercado
Por Márcia Barreto


Parece brincadeira de criança, mas não é. No último domingo foi veiculada em uma emissora de TV, uma matéria na qual crianças de 10 anos foram aprovadas em um vestibular. Deixando os estudantes universitários revoltados e também a ministra da Educação, que na segunda-feira logo cedo tirou toda a sua equipe da cama, para uma reunião. O resultado foi a criação da nova norma que passa a vigorar em janeiro de 2009, onde os estudantes após a conclusão do curso, farão uma prova e um estágio durante seis meses, e serão observados durante todo o processo. Conseguindo um resultado acima da média terão o diploma, caso contrário, repetirão todo esse percurso.
Louvável! Por que será que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco? A ministra no discurso muito “revoltadinho” determina a forma de fiscalizar os alunos, mas quem vai fiscalizar os grandes empresários da educação? O ensino há muito tempo deixou de ser uma instituição que trabalha com objetivo de transmitir conhecimento, criação, inspiração, visão de mundo e aprimoramento pessoal. O que os grandes empresadores(empresários mais educadores) desejam é apenas o lucro.
Se os responsáveis não têm compromisso com a educação, por que será que o Ministério autoriza a abertura destes estabelecimentos de “ensino”? As ditas faculdades são verdadeiros shopping centeres, com praça de alimentação e passarela de moda, onde as patrícinhas e os playboyzinhos brasileiros desfilam os modelitos, das mais caras grifes do país. Como é que, em um cenário desses, a ministra busca por profissionais capacitados e comprometidos? A futilidade, falta de compromisso não é privilégio apenas dos alunos, existem professores que fazem de conta que ensinam e os estudantes fazem de conta que aprendem.
De nada adianta repreender um lado. Todos os envolvidos deveriam dar a sua contribuição para mudar o rumo desta história. Mas se Bárbara Souza for mexer com os protagonistas principais da história, corre o risco de ter a cabeça cortada do espetáculo. Já que a maior parte destes “empresadores” são os grandes patrocinadores do show. Viva os “empresadores” que mandam no país! O presidente é apenas mais um figurante.
Lei e educação
Por Márcia Barreto


Segundo determinação da ministra da Educação Bárbara Souza, a partir de janeiro de 2009, todos os formandos, provenientes das faculdades particulares, após concluírem o curso, serão obrigados a responder uma prova e passar por um estágio probatório, só depois de conseguirem uma pontuação satisfatória nas duas avaliações é que receberão o diploma. Isso no período de 6 meses. Esta medida foi tomada após divulgação de uma matéria, na qual crianças de apenas 10 anos foram aprovadas nas provas de vestibular de uma faculdade particular do Rio de Janeiro.
Bárbara disse em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, na capital baiana onde esteve para inaugurar uma escola do ensino fundamental, que esta medida visa aprimorar o nível dos profissionais, que estão sendo colocados no mercado de trabalho. “Após a exibição da matéria, convoquei uma reunião de emergência na segunda-feira pela manhã. E me vi na obrigação de adotar uma medida para resgatar a credibilidade do ensino superior no país” esclarece a ministra.
Essa nova lei só é válida para as faculdades privadas. Souza explicou ainda que o objetivo desta nova norma é avaliar o profissional e a instituição de ensino. “Os estudantes que chegam ao mercado egressos das faculdades privadas merecem credibilidade e respeito. Uma pessoa que passa em média cinco anos em uma faculdade, pagando mensalidades altas, deixando de fazer outras coisas e levando os estudos a sério, deve ser respeitado. E as instituições de ensino, também, merecem cuidados. Vou lutar até o fim! para que isto realmente aconteça”, desabafa a ministra.
Imprensa e violência
Por Márcia Barreto


Vivendo sob pressão. Medo, pânico é comum entre os soteropolitanos. Nos últimos dois anos os meios de comunicação vêm abordando a violência como uma coisa nova, mas estudos de 1991 e 2001 demonstram que o problema não é recente e já comemorou aniversário. No ano de 1991, por exemplo, as taxas de mortalidade por homicídios foram de 32,2 por 100 000 habitantes. (Fonte: Rev Panam Salud Publica, 1999). Os dados são de mais de uma década atrás, mas confirmam que a sensação de temor não é privilégio da década atual e que a violência está fora de controle, o tráfico de drogas vem tomando conta das comunidades. Esse crescimento não ocorreu em um único momento, vem sendo em doses homeopáticas, sem que os poderes públicos tomem paternidade. Durante esse crescimento, os noticiários baianos raramente mostravam a violência. Mas agora parecem tratar de outra cidade, onde a violência toma conta da capital baiana e de seus habitantes.
Quem vive em Salvador sabe que sempre ocorreram mortes por agressão e nos finais de semana o Hospital Geral do Estado - HGE a super lotação é um problema antigo. Em 2006, mais precisamente no dia 07/10, domingo, no HGE as cenas eram de um filme de terror. Não parava de chegar pacientes, na maioria vítimas de armas de fogo. Um caso que chamou a atenção foi um fusca andando na contramão, buzinando e as pessoas que estavam dentro do carro gritando desesperadamente. Ao pararem o veículo na portaria do hospital tiraram um embrulho de plástico, que parecia um animal enrolado após o abate, mas para surpresa de todos era um homem de aproximadamente 40 anos, que estava com o corpo crivado de balas, e sem sinais vitais. Após atendimento médico, no período de cinco minutos chegou a notícia de que o rapaz não resistira aos ferimentos e morrera.
Isso não foi divulgado na ocasião em nenhum veículo de comunicação da cidade, somente os que estavam no local souberam do fato. Mas atualmente os meios de comunicação noticiam finais de semana violentíssimos, fazem a contabilidade dos mortos, como a duas semanas atrás noticiaram 24 assassinatos na capital baiana. E nos dias seguintes a contagem continuou. Mas não é esclarecido para a população que isto é um fato antigo que vem ganhado cada vez mais proporção e que o governo atual não sabe o que fazer para conter a violência. Providências estão sendo tomadas para impedir o alastramento da violência, mas para infelicidade do governo e da sociedade não surtiram o efeito desejado. Com isso, a banalização da vida continua e as pessoas acreditam que podem resolver tudo na base da violência. As emissoras de TV e os jornais impressos chegam a mostrar os corpos estendidos no chão cheios de bala, deixando a população cada vez mais apavorada, trancafiada em seus lares. Sem o direito que é garantido pela constituição: o de ir e vir.
O assunto é complexo demais e não pode ser resolvido apenas com medidas de repressão. Se faz necessária a intervenção do governo com medidas de política pública, igualdade social, reestruturação das polícias Civil e Militar. E informar aos meios de comunicação que a obrigação que eles têm é informar, alertar, orientar e não causar pânico na sociedade ou julgar este ou aquele governo.
Violência alta, solução baixa
Por Márcia Barreto

Os altos índices de assassinatos em Salvador marcam a vida dos baianos. Nos finais de semana a média é de 28 mortos, na maioria vitimas de arma de fogo e envolvidas com o tráfico de drogas. No passado diziam que tudo era resolvido com uma boa conversa, atualmente a frase é: “vou cortar no aço”, o que significa matar com tiro ou vários tiros e a promessa é cumprida.
Algumas medidas com a finalidade de conter a violência vem sendo adotadas pelo Governo do Estado, que recentemente substituiu o secretário de Segurança Pública da Capital, na esperança de conter a brutalidade urbana, mas o resultado ainda não foi alcançado. Enquanto isso a população indefesa aguarda desesperada sem saber quantos ainda morrerão para que a situação seja controlada.
No último final de semana foram 30 mortos e com um agravante a polícia civil estava em greve e a militar ameaçando parar as atividades. E mais uma vez os soteropolitanos pagaram o preço. Os boatos de arrastões em diferentes pontos da cidade, assaltos a ônibus iam tomando conta da cidade, e o pânico ia se alastrando como uma “peste”. Ninguém sabia o certo o que estava acontecendo.
Por volta das 22 horas, do dia 31 de março, no percurso entre Pituba e Ondina nenhuma viatura da Polícia Militar foi vista, e no sentido inverso também, o que foi causando mais insegurança nas pessoas, que fechavam os vidros dos carros, andavam em alta velocidade, rezando para chegar logo em casa e em paz. A cidade começou a ficar deserta, o comércio fechando as portas, alunos abandonando as salas de aula na tentativa de chegar em casa com segurança. As informações eram desencontradas, a cada momento surgia um fato novo, e diante de tanta violência em Salvador as pessoas não duvidavam que tudo aquilo fosse realmente verdade.
Nesse momento o direito garantido pela Constituição Federal, de ir e vir foi arrancado da população de forma agressiva e dolorosa, a lei maior não foi respeitada. E após o drama vivido, não houve nenhuma explicação por parte das autoridades. Enquanto isso a sociedade permanece entregue à marginalidade que invade as casas, domina os bairros, deixando marcas de sangue por onde passa, causando muito desespero e dor. Ficam algumas perguntas aos detentores do poder: Até quando vamos conviver com essa insegurança? Impunidade? Falta de respeito às leis? Omissão das autoridades? É preciso ter pressa, enquanto ainda há tempo para mudar o rumo da sociedade baiana, caso contrário Salvador será mais uma capital assustada e subordinada ao tráfico de drogas.
A força da TV
Por Márcia Barreto

A televisão vem sendo objeto de pesquisa de vários estudiosos. Inúmeras questões já foram abordadas, mas não se tem conclusão nenhuma acerca do que é esse aparelhinho aparentemente inofensivo capaz de fazer maravilhas e barbárie. Essa coisa chamada TV chegou no Brasil na década de 50, sem nenhuma cerimônia, foi fincando raízes, entrando sem pedir licença nos lares e conseguindo transformar as pessoas e toda a sociedade. O poder é tão grande que induz o país de norte a sul.
Tem uma produção eclética. Qualquer um consegue identificar-se com os programas de auditório, novelas, esportes, notícias, enfim o cardápio é variado. Basta colocar o dedo no controle e está ali o desejado, é a gosto do cliente. Com características próprias, a TV possui grande poder junto à sociedade. Tudo que é mostrado provoca discussões, debates, indignação e revolta na população. Por isso é preciso cautela na hora de noticiar um fato.
Nas últimas semanas a televisão tem dado espaço diário a um crime que aconteceu em São Paulo, onde a vítima foi uma garota de cinco anos morta misteriosamente. As autoridades não conseguiram ainda saber quem são os verdadeiros culpados. Mas noticiam a prisão de dois suspeitos, deixando a entender nos comentários que os acusados são os verdadeiros assassinos, antes mesmo de sair o resultado do inquérito policial. A notícia da morte da criança causou indignação entre os brasileiros, mas isso não dá o direito à TV de colocar a opinião pública contra os dois principais suspeitos. Já que a lei é clara: todos são inocentes aos olhos da lei até que se prove o contrário.
A relação entre televisão e sociedade é complexa. E se faz necessária muita precaução na hora de usar a autoridade desse pequeno aparelho que tem o poder, para não prejudicar pessoas inocentes como já foi feito no passado. O caso da Escola Base é um deles e tornou-se um assunto muito discutido pelos estudantes de comunicação, que aprendem desde o início que uma informação dada como verdade, sem que tenha ocorrido o esclarecimento dos fatos, pode comprometer eternamente a vida de pessoas inocentes.
Mas esquecimento ou não, muitos ex-alunos estão atuando no mercado de trabalho e esquecerem tudo o que viram na academia. As imposições dos proprietários dos grandes veículos, que é a audiência a qualquer custo, são absorvidas abruptamente, e chega a ser louvável a tamanha dedicação desses profissionais, pena que por motivos obscuros. A fama e o dinheiro são grandes vilões dessa história de sofrimento e dores incuráveis de pessoas inocentes. A forma de fazer telejornalismo deve ser reavaliada, antes que seja tarde de mais. Devemos todos nos preocupar, e muito, com isso. Hoje são eles, amanhã poderá ser você.

LABORATÓRIOS DE BOA VONTADE

Alice Coelho
Com a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu prestar atenção na publicidade dos analgésicos. “Doeu a cabeça, a febre chegou, tome remédio x”. É assim que são as propagandas dos medicamentos que podem estar agravando casos de pacientes com dengue. Foi nesse contexto que a Anvisa pediu, na última sexta-feira, 4, para que os laboratórios deixassem de veicular propagandas dos analgésicos, não se restringindo aos que contenham ácido acetilsalisílico, comprovadamente prejudiciais nesses casos. Isso inclui o paracetamol, suspeito de causar insuficiência hepática.

Para início de conversa, deveríamos discutir se a publicidade de remédios não teria que ser definitivamente proibida, o que hoje, pela lei, não é possível. Há uma relação de medicamentos que são isentos de prescrição médica, e dentro dela estão os analgésicos. Por isso, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, espera, diante do pedido, que os laboratórios deixem de veicular as propagandas e aproveitem voluntariamente esse espaço na TV, no rádio ou mesmo nos impressos, para conscientizar a população a respeito do risco do uso de analgésicos sem prescrição médica.

Um dos princípios básicos que nos faz pensar que a lei precisa ser revista é a velha história de quem sabe que remédio devemos tomar é o médico. Ele estuda para saber diagnosticar nossos males, avaliar o caso e prescrever os remédios adequados. Mas a maioria da população, insiste na auto-medicação, principalmente quando se depara com dificuldades de atendimento médico.

Diante desse quadro, em uma situação grave como a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a situação fica ainda mais crítica. Os casos aumentam e mesmo com o reforço dos hospitais militares, ainda há casos de pessoas que não conseguem atendimento. É nessa hora que a auto-medicação, como medida de emergência, pode ser prejudicial e às vezes, fatal.

ÍNDICES DA VIOLÊNCIA

A capital baiana tem assistido, nos últimos dias, seja pela televisão ou pelos jornais, aos capítulos de uma novela que aflige a população: o aumento da violência. Quando a manchete dos jornais não estampa os abalos provocados pela natureza, nela aparecem mortes de policiais, assaltos a ônibus, homicídios, tráfico e outros. As ocorrências têm tido aumento significativo principalmente nos fins de semana. Em decorrência disso, tem sido freqüente assistir a este tipo de notícia nas segundas-feiras nos principais veículos de comunicação. A violência aumenta e conseqüentemente, as notícias sobre ela.

O cenário é preocupante. A Bahia, em particular, assistiu no último mês, à exoneração do secretário de Segurança Pública do Estado. O próprio, antes de renunciar, admitiu estar diante de um quadro no qual a violência aumentava, enquanto o setor carecia de estrutura.

Há uma especulação de que, no caso baiano, o quadro agravou-se a partir do governo de Jacques Wagner (PT). Números da Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicam que em 2007 houve 1.337 assassinatos contra 967 em 2006, quando o estado era governado por Paulo Souto (DEM). Dados da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Rifla) contradizem os dados de 2006 informados pela SSP. A Rifla aponta para 2006, 1.176 assassinatos. Parece que o governo anterior tentou varrer a sujeira para baixo do tapete do vizinho.

Um estudo feito pela entidade revela que no país, entre 1996 e 2006, o índice de homicídios subiu em 20%. Dentro deste contexto, Salvador está na 342ª posição no ranking dos 556 municípios mais violentos e que concentram 44% da população do país. Isso significa dizer que 73% dos homicídios ocorreram nessas 556 cidades.

A segurança pública não é um problema isolado da Bahia e muito menos de Salvador. É necessário desconsiderar as rixas e heranças políticas, arregaçando as mangas para o trabalho. Não bastaram os R$ 890 milhões aplicados com o lançamento, em 2007, do PAC de Segurança - o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o qual duplicou os investimentos no setor. Pelo jeito, não é suficiente aumentar as cifras, mas aplicar estratégias eficientes no combate a violência no país.
*Alice Coelho

RECÍPROCAS REPATRIAÇÕES

A relação entre Brasil e Espanha anda um pouco abalada. O motivo: brasileiros não aceitos na Espanha e espanhóis são repatriados do Brasil. O clima é de preocupação para aqueles que desejam transitar entre os dois países, mas muito mais pelos brasileiros, que têm tido o visto negado injustamente. Nosso país é conhecido pela diplomacia e pela política de boa vizinhança, mas precisa acordar para o desrespeito com os seus cidadãos que tentam entrar em outros países. E não precisamos ser tratados como exceção: é necessário apenas que se cumpram as leis de imigração.

A verdade é que o responsável pela boa relação entre os dois países é muito mais do Brasil do que da Espanha, por ser um país pacífico e que por vezes beira à passividade excessiva. Nos últimos tempos, enfrentamos uma série de restrições à entrada de brasileiros em território espanhol. Só em 2007, segundo informações do consulado geral brasileiro, mais de 3 mil pessoas foram barradas na Espanha e até o último dia 13, mais de mil tiveram sua entrada negada. Em contrapartida, entre 2005 e 2007, conforme dados indicados pela Polícia Federal, apenas quatro espanhóis foram deportados ao país de origem.

Mas esse número subiu. Desde janeiro desse ano até a segunda quinzena de março, mais de 20 turistas de origem espânica tiveram negada sua permanência em solo brasileiro. A Polícia Federal justifica que os deportados não tinham os documentos exigidos pela lei de imigração. Coincidência ou não, o número de turistas espanhóis repatriados cresce a partir do fato dos relatos de maus tratos e discriminação de brasileiros na Espanha. Os depoimentos são os mais diversos: eles não podem fazer ligações, ficam presos em aeroportos, sem alimentar-se e expostos a constrangimentos.

O clima de tensão aumenta quando o Ministério das Relações Exteriores no Brasil sugere “lei de reciprocidade” após 30 estudantes brasileiros serem impedidos de entrar em território espanhol no início desse mês. A lei de reciprocidade, que nada mais é do que usar do mesmo rigor que os espanhóis utilizam para aceitação de estrangeiros, está bem longe de corresponder aos abusos cometidos com os brasileiros. Não que não valha e também não significa o “pagar com a mesma moeda”, mas está mais do que na hora de o brasileiro resgatar o orgulho próprio e tomar ações mais incisivas. E a única coisa de que precisamos é respeito para com nossos cidadãos.
*Alice Coelho