terça-feira, 27 de maio de 2008

Não bem-vindos

Vários brasileiros sonham em conhecer um outro país, adquirir mais cultura, conhecer lugares novos e aprender outras línguas. Passam meses planejando uma viagem, organizam tudo e quando chegam aos seus destinos, são deportados. Foi o que aconteceu com 30 brasileiros deportados da Espanha no último dia 5 de março.

Este país possui uma política extremamente rigorosa, lançada há pouco tempo, e que visa controlar o fluxo de imigrantes ilegais. Por conta disso, somente na hora do desembarque é que os turistas brasileiros ficam sabendo se podem ou não permanecer em solo espanhol. Se fosse uma simples deportação, seria menos mal. Entretanto, vários turistas são maltratados e passam por situações constrangedoras. Segundo uma reportagem da TV Record, cerca de 425 pessoas foram barradas, somente no mês de fevereiro.

Essas pessoas chegam a passar horas e horas detidas, esperando um vôo que as levem de volta à sua terra natal, ou seja, o Brasil. Ao contrário de muitos países, o Brasil é o único que acolhe vários estrangeiros de diversos países, de “braços abertos”. Não por muito tempo. Pois, o governo brasileiro deixou de ser totalmente liberal e pouco burocrático, resolvendo intensificar a fiscalização na entrada de estrangeiros. No dia 6 de março, 8 espanhóis foram deportados de Salvador direto pra Madri. Essa seria uma resposta ao governo espanhol por ter retido cerca de 30 brasileiros no aeroporto de Madri? Provavelmente sim. Mas, isso não é o que a Polícia Federal informa. Claro, não emitem nenhuma informação apenas para “abafar” o caso e deixar que o governo espanhol entenda como quiser. Os brasileiros podem até não ser bem-vindos à Espanha; entretanto, o Brasil pode muito bem, adotar as mesmas atitudes. Mostrar que aqui não é “terra de ninguém” e que os brasileiros merecem respeito.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Violência em alta

É constante a presença de matérias referentes à violência na cidade de Salvador na mídia local e, até mesmo, na nacional. Em época de festas, mais precisamente no período de pré e pós-carnaval, a cidade fica lotada de pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo. São os turistas, atraídos pela cultura baiana. Quem são atraídos por eles também, são os bandidos, que nessa época, resolvem aumentar o nível de atrocidades. “Trabalhando” dobrado, para assim, garantir grandes assaltos. Pois eles sabem que turistas têm dinheiro no bolso e muitos objetos de valor. E se for estrangeiro, melhor ainda. A mercadoria é mais valorizada.

Os veículos de comunicação exploram bem essa temática da violência. Seja qual for o tipo de crime ou ato violento, estará estampado nas capas dos jornais, com manchetes e chamadas alarmantes. A violência vende, e muito. Matérias com temáticas envolvendo bandido contra mocinho, bandido contra bandido e, até mesmo, mocinho contra bandido (quando este reage e raramente sai ileso). Assim a Imprensa vai “vendendo o seu peixe”. A violência se amplia em Salvador, e os jornais preparados para cobrir e lançar suas reportagens em primeira mão. Muitas, altamente sensacionalistas. É muito difícil abrir um jornal ou ligar a TV em um telejornal e não ver uma reportagem sobre o tema. Todo santo dia ela é mostrada, narrada e reportada.

O que não faltam são acontecimentos como assaltos, estupros, agressões, assassinatos, suicídios, seqüestros e outras barbaridades. O que de fato acontece é que a violência na capital baiana aumentou e, decorrente disso, cresceu também a divulgação sobre o assunto. Um dos motivos do aumento da violência na cidade é o descaso de órgãos públicos, por não desenvolverem medidas de segurança pertinentes. Segundo a 16ª D.P, mais de 2000 ocorrências foram registradas apenas em um bairro de Salvador, a Pituba. Isso é uma prova de que a Prefeitura não trabalha com políticas públicas. Apenas se preocupa em “maquiar” a cidade, para deixá-la esteticamente apresentável. Do que adianta ter uma cidade bonita e sem garantia de segurança? É comum ver praças bem iluminadas, com pouco ou nenhum visitante no período da noite. Um dos motivos do aumento da violência na cidade é o descaso dos órgãos públicos.

A violência sempre estará em alta na cobertura dos meios de comunicação. Vale ressaltar que notícia ruim vende. E vende mais ainda, quando a violência é praticada por “filhinhos de papai” ou quando estes são as vítimas. Neste caso, o destaque é bem maior, com direito a uma matéria central de capa. Os jornais estão errados por massificarem tanto essa temática diariamente? É evidente que não. Essa é uma de suas funções. De fato, a mais importante. Reportar o que acontece na cidade e no mundo. Mesmo que as notícias não sejam das melhores.

A moda das residências

Por Ísis Santana e Thaís Bittencourt

O troca-troca de móveis e eletros-domésticos nas residências brasileiras estimula o comércio e fabricação de produtos. Isso acontece, ao passo quê, esse novo hábito é inserido na sociedade brasileira pelos próprios empresários do setor, que ditam a moda de dentro das casas.

Com a proximidade das festas comemorativas, principalmente dia das mães (segundo domingo de maio) e Natal (25 de dezembro) é notório a disputa pelos clientes através das propagandas e, também, nas ruas de maior comércio. Só que os presentes deixaram de ser flores e meias, agora, os mais procurados são os eletros-domésticos e eletrônicos.

A geladeira do casamento da mãe, mesmo ainda funcionando perfeitamente está fora de moda, perdeu o valor e precisa ser trocada simplesmente porque não tem água na porta. O celular é trocado a cada lançamento.

Mas para impreguinar esse comportamento de descarte dos produtos que, a pouco tempo, eram considerados duráveis foi através da conduta: produzir produtos cada vez mais frágeis. E assim os são agora. Os atuais armários, por exemplo, depois de armados, se desarmados, não montam mais.

O que está por trás dos lançamentos, da moda e das compras é obter cada vez mais lucro. No entanto, na sociedade capitalista que usa o cabresto de lucrar não se preocupa com o elevado consumo de materiais do Planeta, muito menos com os resíduos descartados nesse desfile.

Crônica

Inferno Particular

Por Midiã Santana

Uma doença séria, porém restringida aos frutos de um ato incestuoso, se tornou o ponto fraco da mentira quase perfeita de Fritzl, na cidade de Amstetten, na Áustria. Ele não contava com a lei da natureza.
Dia 28 de agosto de 1984, Elizabeth segue o pai que a chama para o porão. De repente, braços algemados e o corpo sedado. Era apenas o início do sofrimento de Elizabeth, uma garota de 18 anos, que sumiu subitamente nesta data.
Após um mês, uma carta aparece em sua casa, informando aos pais que parassem de procurá-la. Mas para a surpresa de todos, após duas décadas e meia de desaparecimento, Elizabeth foi “encontrada”, e verdade veio a tona.

Uma porta de concreto a prova de som separava o grito de Elizabeth, da liberdade, e da mãe Rosemeire, que desconhecia o cárcere da filha. Estreitas passagens, alturas de no máximo 1,70, e espaços que simulavam uma casa de um quarto, cozinha e banheiro, compunham o pesadelo da garota que ficou presa no porão da própria casa e foi feita escrava sexual do pai durante 24 anos.

Um porão, e uma vida perdida na mais completa escuridão. Ela era cega, mesmo com todos seus sentidos em “perfeito estado físico”, resultante da falta de janelas que permitiriam a luz e o calor do sol, elementos essenciais no dia-a-dia da planta mais simples ao animal mais exótico.

Presa na sombra, refém de um ser assombroso, a única companhia de Elizabeth era o desespero, e o mais completo transtorno emocional. Aos 11 anos, ao invés de brincar de boneca, ela foi sujeita ao primeiro trauma sexual.

Humano? O que poderia ser equiparado a Josef Fritzl se o tivermos como referência? Um ser de sobrancelhas triangulares, ao belo estilo estereotipado do demônio.

Sete filhos foram gerados no inferno particular de Elizabeth. Um dos bebês, que nasceu supostamente morto, virou cinzas nas mãos de Fritzl. A única forma de não deixar rastros.

Século XXI, 26 de abril de 2008, uma garota de 19 anos, sente fortes dores na cabeça e é levada em estado grave para um hospital. Lá, os médicos precisam entrar em contato com a mãe da adolescente que sofre de uma doença rara, que acomete pessoas geradas do incesto.

A chance de liberdade é colocada para Elizabeth, e seus três filhos que ainda vivem com ela. Os outros três foram adotados por Fritzl, que simulou o abandono dos bebês em sua porta.

A dor e o sofrimento de viver num cativeiro se converteu para a angústia de uma mãe, que vê a filha entre a vida e a morte na UTI de um hospital. Porém o sono profundo em que a jovem se encontra, e a possibilidade de sua morte, tragicamente foi a saída encontrada para Elizabeth se libertar de seu mausoléu, e “ressuscitar do inferno”.

Não havia mais nenhuma desculpa para Fritzl, nem dizer que tinha encontrado “a ‘neta’ inconsciente em frente a um edifício da cidade”. Era necessária a presença da mãe para desvendar o caso.

Feitas as investigações, a falta de rastros de Elizabeth, desde 1984, deu ponto final à desconfiança dos policias sobre essa história de terror. O “monstro” austríaco tenta encontrar desculpas na insanidade, mas as evidências o denunciam.


E pela primeira vez, seus filhos puderam apreciar as pequenas coisas da vida, como sentir o vento nos cabelos, enquanto andam de carro, ou observar as luzes amarelas dos postes noturnos.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

POSSO FALAR?

Personalidade não é mais a opinião formada em relação a alguma coisa, e sim, o que se deve pensar a respeito dela.

Helane Carine Aragão

Preto, não! Afro-descendente. Há quem diga que ser chamado de preto é pejorativo, e quem chama está sendo politicamente incorreto. Ou seria deselegante? Afinal, o que é ser politicamente correto? Pergunta-se a QUATRO indivíduos, da mesma classe social, grau de instrução e negros. Ou pretos? De qualquer forma pergunta-se: Como você gosta de ser chamado? Preto, negro ou afro-descendente? Dois logo respondem: Sou preto! Um diz que não gosta de ser chamado de preto e sim, afro. Preto para ele é pejorativo. O quarto diz que tanto faz.

Essa história de afro-descendente nasceu nos Estados Unidos e como tudo que acontece por lá, foi precariamente copiado aqui. A intenção era diminuir a adversidade e diferença racial entre a população. Ao contrário do que acontece lá, o que deveria ser politicamente correto, ou seja, acabar com as diferenças e preconceitos de cor, aqui, tornou-se algo gritante aos olhos e aos ouvidos. Ser chamados de preto é racismo, quando na verdade, o racismo e o preconceito são mais latentes no próprio negro, ou preto, ou afro-descendente. O mesmo vale para o cego - Ops! - deficiente visual. Xingamento pejorativo entra na lista. Homossexual! Homossexual! Viado, não pode. Bichinha afetada, cruzes, é preconceito.

Agora, antes de dizer o que pensa, é preciso pensar mais de uma vez no que vai falar. Qualquer deslize ou descuido pode tornar o cidadão no ser mais bugre da humanidade - ou seria da nossa sociedade? Não há uma regra sobre o que é politicamente correto ou incorreto, se é moral ou amoral, ético ou antiético. Regras de etiqueta - Urgente! - para não ser deselegante. De repente, ter personalidade e falar o que pensa, não é mais ter convicções e opiniões formadas sobre algo, alguma coisa ou alguém. Principalmente se o assunto for tabu ou um conceito preestabelecido e enraizado e4m relação à de quem pensou, ou falou. Ser contra as cotas é imoral. Nem pensar, quanto mais, falar.

Talvez estejamos entrando numa era onde o pensamento deverá ser condicionado em relação ao que a maioria acha, ou pensa, ou acha que pensa que tem a razão absoluta. A cartilha de termos criada por desocupados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos – Opa! Classificá-los assim é politicamente incorreto – já foi divulgada. Mas torná-la usual vai de encontro às crenças e tradições de um povo secular. Por enquanto a população vai podando certos vícios de linguagem.

“Berimbau sim, berimbau não, berimba, berimba, berimbau...”

Helane Carine Aragão

Acabo de me redescobrir, depois de quase 30 anos vividos, uma parva, uma bronca, uma tapada estúpida redundamente assumida.

Sou fã de esportes. Comecei na natação aos cinco anos. Nadei durante nove. Aos 14, por falta de patrocínio - talvez não fosse tão boa quanto achava que eu era - resolvi largar o esporte. Ser atleta me impedia de participar, dentre outras coisas, das festinhas de 15 anos da turma do colégio ou dos lanches na Mc Donalds aos sábados à tarde no shopping.

Vida de atleta é de fato cheia de privações. Minhas primeiras desilusões amorosas também vieram junto com a natação. Larguei de mão sem pestanejar.

Em meio à prática nas piscinas da capital, e do interior baiano, veio o tênis, esporte no qual eu superava muito pouca gente por competição. Apenas uma. Fiz algumas aulas, mas também larguei. O que eu mais gostava era a roupa alva, branquinha, e a mini-saia.

Ah, qual é? Eu estava na adolescência, puberdade, hormônios frívolos, estas coisas.

Então, nessa época, estudava à tarde e nadava pela manhã, bem cedo. Sete da manhã já estava na água executando braçadas e pernadas. As nove, o treino terminava e eu vestia a minha sainha branca e corria para a quadra com a raquete em mãos. Ao terminar a aula, tomava banho no próprio clube. Às 11h30min eu já estava pronta, pois o transporte que me levava até a escola me buscava primeiro, por eu morar muito longe.

Na volta para casa, eu era sempre a última – aqui cabe um adendo: muito feliz aquele ditado que diz que “os últimos serão os primeiros”, no meu caso, no dia seguinte. Depois do colégio, voltava para a piscina. Que vidinha desgraçada eu levava. Além de controlar a alimentação, estudava e praticava esportes. Ah, e surfava aos domingos pela manhã, antes do treino de natação que acontecia todos os dias da semana. Sim, já fiz de tudo um pouco. E nunca repeti sequer um ano no colégio. Nem nunca fui para a recuperação, até começar a namorar aos 13. Mas nunca perdi um ano, mesmo com as novas atividades coronárias.

E assim fui. Cursei uma faculdade de economia, dei aulas de matemática em uma escola de primeiro grau, estudei inglês, dei aulas particulares da língua, trabalhei em uma seguradora, em uma loja de sapatos, em duas construtoras, em uma empresa de capital misto. Dividi minha vida em três turnos: pela manhã trabalhava em um lugar. Pela tarde em outro e a noite ia à faculdade. Voltei a estudar para fazer outro curso de graduação, até me deparar com as últimas edições do jornal A Tarde.

Primeiro fiquei estupefata com o baixo índice no exame que avalia os cursos superiores no Brasil. A faculdade de Medicina da Bahia está entre as 17 piores. Para completar, um “merdinha” me chama de burra! Como assim?

Então resgato a minha vida de atleta e me lembro que tentei fazer capoeira, quando conheci o boxe e o jiu jitsu, aos 24 anos. Quem diz que o berimbau é um instrumento para pessoas de poucos neurônios, nunca tentou tocá-lo. Muito menos lutar ao som dele. Se bem que, dizem que o swing é aparente na cor da pele, ausente no coordenador do curso que fez declarações infelizes.
Mas onde eu estava? Ah, sim, falando da batida do berimbau e porque não falar do ritmo percussivo do Olodum, Timbalada, Ilê Ayê, Malê de balê ou do afoxé Filhos de Gandhy, que para mim, não tem nada de barulhento!

Aposto que o infeliz não faz “sambinha” em caixa de fósforos. Ou é tão imbecil que, ele próprio não percebeu que, como baiano, se encaixa no próprio julgamento que faz da nossa inteligência. Mas então, estou muito depressiva hoje. Toda a minha capacidade e intelecto foram resumidos ao manejo dos meus músculos motores superiores.

E olhe que ele nem me viu nas aulas de capoeira...

Risoto de canabis, governo "doidão"

Helane Carine Aragão

Ironia do destino? Talvez. Mas muita coincidência a polícia do Rio de Janeiro encontrar nesta tarde de quarta-feira um caminhão com toneladas de maconha camufladas - mas vejam só! – debaixo de montanhas de sacas de arroz.

Ainda na semana passada, os gaúchos se preocupavam com o destino do arroz estocado. Enfim, os defensores do separativismo lucrariam com a colheita do cereal mais consumido pelo objeto da comemoração deste centenário, a imigração japonesa.

O governo então interveio na crise do arroz e resolveu leiloar os estoques para, então, controlar uma súbita elevação inflacionária. Já se sabe que quanto menor a oferta, maior a procura, e maior são os preços, e exorbitantes são os lucros. Jean Baptiste Say, autor da Lei de Say – “para toda oferta existe uma procura” – nem precisaria desenvolver novas teorias para as rotinas e crises econômicas no mercado agropecuário. Muda o produto, mas não muda-se o cenário.

Mas então, a novidade vem a galope, ou em um caminhão. E cobre ervas alucinógenas, no Rio de Janeiro que sofre com a Dengue. Haja informação! O mais curioso, e penso, que o carregamento é apenas para abastecer a festa, então suspensa prioritariamente na Bahia, a famigerada Marcha da Maconha.

Assim como é natural, uma frota de caminhões de cerveja e por que não citar água e refrigerante, chegar às cidades para abastecer os comerciantes às vésperas de um evento pelas ruas, por que não trocar as bebidas, pelo motivo da Marcha?

Pelo menos é assim que os organizadores da festa esperavam que o manifesto fosse aceito: com naturalidade. A desembargadora baiana de nome engraçado – Rosemunda! Que nome desgraçado... – embargou a festa e disse mais: Disse que qualquer manifestante que aparecer às ruas, portanto faixas, cartazes ou qualquer objeto que faça alusão à passeata, estará cometendo crime de desobediência e poderá ser preso. Nada mais junto!

De fato, uma passeata desta natureza incita o uso e a legalização de uma droga ilícita. Assim como o estado baiano, outros estados seguiram a iniciativa da mandante da ordem e suspenderam a marcha. Só fico me perguntando o fim do arroz. Será que risoto de canabis relaxaria a economia e controlaria a inflação?

Vai saber...

Quando faltam as palavras

Helane Carine Aragão

Que Fausto Silva, apresentador da Rede Globo, fala demais, é fato. Chega a ser irritante a maneira com que o senhor dos domingos globais monopoliza o microfone – e o assunto. Contudo, vê-lo em uma saia justa perante seus convidados é deveras gratificante.

O ocorrido aconteceu este domingo, 6 de abril, no quadro Dança dos Famosos. Ao conversar com um dos jurados, Faustão esqueceu o nome de uma delas, Adriane Grott, apresentadora do evento de moda Dream Fashion Tour, que acontece no dia 16 de abril em Salvador.

O mais patético foi o apresentador enrolar cerca de 30 segundos, ao vivo, ao microfone, enquanto procurava o nome da convidada nos papéis que tinha na mão. Os câmeras não contribuíram para amenizar o “mico” e mantiveram o foco no apresentador, intercalando com a imagem de desconcerto da modelo.

Encontrado o nome de Adriane - que mais parece a Jaqueline, participante do Big Brother Brasil 8 - o apresentador passou a palavra para Arnaldo Cesar Coelho, participante do programa esportivo Bem Amigos do apresentador Galvão Bueno, transmitido pela SportTv.

Desta vez foi o ex-arbitro que esqueceu o nome do técnico do grêmio, Celso Roth, que seria entrevistado logo mais a noite. Talvez o esquecimento e a falta de atenção, e cuidado, com os entrevistados possam ser explicados pelo estrelismo. O mais importante é falar o que se pensa - ou o que se acha - que com quem se fala, nem o que este teria a dizer.

Parece sina de apresentador. Muitos comentários a respeito de Jô Soares e a mesma patologia, a do monopólio do microfone e do assunto tratado, já eram discutidos entre quem assistia ao programa. O fenômeno parece ser global, pelo menos na rede Globo – trocadilhos em merecidas proporções. Há quem desligue o áudio da TV quando o jogo é irradiado por Galvão Bueno.

O que se vê é uma inversão de papéis. Os apresentadores, ao que parece, gostariam de ser as únicas atrações e as únicas especiais. O estrelismo talvez suba à cabeça. Talvez o uso de um ponto auditivo ajudasse Faustão, pois alguém sopraria o nome da modelo no ouvido e o salvaria do constrangimento. Talvez, a intenção seja mostrar que sabe-se sobre o assunto que está sendo abordado. Quem sabe até, saber mais que os próprios entrevistados.
Mas que ficou feio a embromação ao vivo, isso ficou! Ah, se ficou...

Deu a louca no Olimpo

Helane Carine Aragão

Os deuses estão zangados com os paulistas. Com os paulistanos adotados também. A constatação ocorreu depois dos tremores sentidos ontem, 22 de abril, nas terras de lá de baixo. Segundo o G1, site de notícias da Rede Globo – alguém sabe por que deixou de ser globo.com e passou a ser G1? – 32 cidades sentiram o tremor. E não se pode atribuir o tremelique ao show particular dos vizinhos do andar de cima.

Talvez algum exu nordestino “baixou” lá por cima, para mostrar que tudo que sobe, desce. Ou cai. Os tremores foram mais sentidos pelos moradores dos andares mais altos. Coincidência ou não, até porque não acredito em coincidências, os abalos aconteceram no dia que se comemora o Descobrimento do Brasil.

Soube da possibilidade de Hades- Deus do mundo subterrâneo – optar por uma festa no núcleo da terra com a presença de trios elétricos baianos para comemorar a data. Talvez, Junior – ex-Sandy e Junior – tenha comparecido à ocasião para dar “uma palhinha” e entre solos de guitarra e bateria tenha convocado os deuses presentes a pular e sair do chão. Talvez.

Outra hipótese é que Nostradamus errou na previsão do fim do mundo. Fico imaginando os azulejos voando nos corredores do Hospital que fica na Zona Leste paulista, como em uma cena tridimensional de um filme de Spielberg. Luciano Huck diria: Loucura, loucura, loucura! Conjecturas a parte, a idéia de um Tsunami já foi descartada e nenhuma ocorrência de danos físicos, graves, foi registrada.

O planeta Terra está na menopausa. Virou uma mulher surtada, completamente descontrolada. Para deixar nordestinos felizes, fora as chuvas, só falta nevar no sertão. O último inverno que passei na Europa foi frustrante. Passei a ser uma exímia telespectadora da previsão do tempo. Cruzava os dedos para ver a neve em Madrid. O governo espanhol por duas vezes – em 90 dias – jogou sal nas ruas esperando os pequenos flocos gelados. Nova frustração. A mãe natureza não realizou o sonho de uma turista baiana. O mais frustrante foi sentir calor em pleno inverno europeu. Completamente frustrante.

Mas já que o mundo anda louco, fico na torcida em relação à neve. Não faço questão dos tremeliques e chacoalhadas como em terras paulistanas. Nem eu, nem a galera que quer o PDDU aprovado e o gabarito da orla de Salvador aumentado. Pelo menos, na ocorrência de um tsunami, economizaríamos nas lavagens que acontecem durante o ano. A cidade levaria um banho de sal grosso, ou fino. Quiçá, diluído...

É tudo culpa da camisinha!

Helane Carine Aragão

“A camisinha estourou”! Não é difícil escutar esta declaração quando o assunto é gravidez inesperada, sobretudo entre as adolescentes. Uma pesquisa publicada pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-família, demonstra que os índices causam distorções quando o assunto é utilização de preservativos.

Segundo a pesquisa, um dos grandes vilões da pratica do sexo desvairado é a propaganda sobre a proteção e uso da camisinha que acaba estimulando a iniciação prematura da atividade sexual. Na pesquisa, 80% dos adolescentes sexualmente ativos afirmam que foram “iniciados” muito cedo, 84% das meninas, até 16 anos para baixo, querem que as escolas lhes ensinem a dizer “não” à relação sexual, sem ferir os sentimentos da outra pessoa”. O fato é que quanto mais adolescentes praticam sexo, maior é quantidade daquelas que correm o risco de engravidar.

Segundo a mesma pesquisa, 83% dos adolescentes tiveram a primeira experiência sexual de maneira inesperada, logo sem uso de preservativo. Outros tantos afirmam que não usaram porque não quiseram. O velho discurso que só engravida quem quer é certo. Falta de informação, instrução e liberdade para se tratar o assunto nunca foram tão permitidas e acessíveis.

Se a publicidade incita a atividade sexual, por outro lado conscientiza a população dos perigos que se corre em não praticar sexo seguro. Ana Carolina Cunha de Oliveira pariu aos 17 anos. Ela é mãe da menina Isabella Nardoni, criança encontrada no jardim do edifício onde, ao que parece, foi arremessada pela janela do apartamento do sexto andar, onde mora o pai, Alexandre Nardoni, caso fortemente discutido nos últimos dias na impressa.

Durante entrevista ao Fantástico, a mãe conta o quão amiga e companheira de uma criança de cinco anos ela era. Na ocasião, como a própria Ana Carolina relata, ao dar a luz já estava solteira. Caso típico de gravidez na adolescência.

Uma mãe solteira aos 17 anos perde fases essenciais no amadurecimento e aprendizado necessários para a formação do estágio adulto. Nestes casos o processo é interrompido para cuidar-se de outra criança. Tudo indica que Ana Carolina é uma pessoa equilibrada, que contou com o apoio da família e talvez a imaturidade a tenha ajudado a superar de maneira tão fria a perda da filha.

Enquanto os holofotes estão virados para o pai Alexandre Nardoni e a esposa Anna Carolina Trota Jatobá, madrasta de Isabella, e mãe de dois filhos com Alexandre, o que não faz pensar e ponderar que a própria mãe da pequena falecida quisesse a própria vida de volta?

Uma gravidez prematura movimenta aspectos físicos e psicológicos que uma menina de 17 anos não tem estrutura psicoemocional de gerir. Casos e mais casos de abandono e maus-tratos são constantemente noticiados. Diante de tantos acontecimentos, quem pode ser responsabilizado por uma camisinha furada?