quarta-feira, 21 de maio de 2008

Baianos, QI e falta de educação

Pedro Levindo

Criou-se uma celeuma enorme em torno de umas poucas frases idiotas, proferidas por um professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Ao invés de se debater o que levou o (agora ex) coordenador de curso a dizer as asneiras que disse, decidiu-se crucificar o pobre coitado. Mais uma vez, nos preocupamos em tapar o sol com a peneira. Discutiu-se muito se é ou não fácil tocar berimbau. Outras questões, contudo, se fazem um pouco mais urgentes. Digo pouco porque, aqui na Bahia, pouca coisa é mais urgente do que ir a festa de axé e pagode, ou falar besteira, ou... enfim, não fazer nada de muito produtivo.

O que poderia ser mais urgente do que cair em cima do professor abobalhado? Falar da raiz do problema, que era, em suma, ao que o próprio se referia. O problema tem um nome que muita gente sabe, mas pouca gente se importa em resolver: educação.

Ocorre que, ao contrário do que todos (inclusive o professor) pensam, o problema não é só da educação formal. Começa muito antes disso. Começa dentro de casa. E no quesito educação, o povo baiano é de admirar. Neste fim de semana estava eu a fazer compras num grande hipermercado da cidade. É uma experiência que não me traz grande prazer, devo ressaltar. Procurando um presente para uma amiga, fui até a seção de utensílios domésticos. Achei o que queria, mas não havia a etiqueta de preço (obrigatório por lei, não custa nada frisar). Fui até o sensor da seção para passar o código de barras e descobrir quanto o item custava. Quando estava prestes a passar o código, um garoto de cerca de seis, sete anos, veio correndo, pulou em minha frente e passou o item dele no sensor antes de mim. Não era apenas um, eram dois itens. Eu gelei, estupefato. Olhei para trás e vi minha noiva, com a mesma cara de surpresa com a falta de educação do menino.

Não sei nem como ainda nos assustamos com atitudes como essas, pois acontecem todo dia, a toda hora. Ma se eu achava que aquela demonstração de bons modos era o pior que poderia acontecer aquele dia, eu estava enganado, muito enganado. O melhor veio a seguir. Fomos, eu e minha noiva, até a fila de pequenas compras, afinal, eram menos de dez itens. Chegando lá, uma senhora resolveu que não precisava mais do carrinho. Tirou suas compras e largou o carrinho onde estava. Este, detalhe bobo, encontrava-se tapando a entrada do corredor que dá acesso à fila. Como a senhora já estava lá dentro, não se importou muito com tal fato e seguiu em frente. Seu marido, um lorde no quesito bons modos, estava já bem mais à frente, com as mão livres. Eram, surpresa!, os pais do garotinho que havia pulado em minha frente.

Às vezes dá vontade de falar, de gritar, de esmurrar uma pessoa que age da forma como o garoto, a mãe e o pais do mesmo agiram. Ou de fazer o mesmo com alguém que te dá um fechada no trânsito, ou que não abre a porta para você passar, ou até que não agradece quando você abre a porta para ele(a) passar. Você no entanto, se controla, pois sua mãe lhe ensinou que gritar e bater nos outros não se faz, é falta de educação.

Coisas pequenas como os exemplos supracitados acontecem todos os dias em nossa cidade. Isso me leva a pensar que baiano pode até ter o QI alto (discutível), mas não tem educação. Nem formal e nem doméstica. E no dia que quiser passar a almejar a algo mais do que dançar pagode ou pular atrás de trio elétrico, vai ter que estudar um pouco mais. Antes disso, porém, terá de aprender boas maneiras, o que vem a se chamar de educação doméstica. Pode parecer pouco, mas não é. Pedir “por favor”, “com licença”, dar passagem, dizer “obrigado” e “por nada” é o mínimo. Como podemos exigir o máximo de quem não tem o mínimo? Não podemos.

Chameis os baianos (embora não pareça, eu sou baiano) de mal-educados. É uma generalização. Podem dizer que toda generalização é burra. Pode até ser. Se for o caso, eu sou burro. Aliás, devo ser burro mesmo, pois não sei nem tocar berimbau. E olhe que só tem uma corda...

Shopping não!

Paloma Batista

Ir ao shopping escolher roupa com minha mãe. Esse não é um dos meus programas prediletos, acredito que deve ser o último na minha lista de preferências mas, dessa vez, não tinha como dizer não. Era 8 de setembro, dia que antecedia o aniversário dela e, como qualquer “jovem” senhora, ela gosta de estar bem arrumada nessa data. Na verdade, não só nessa, em todas. Minha mãe tem 44 anos, na verdade tinha, porque fez 45 no domingo, dia 9. Com seus cabelos sempre pintados (ela pinta o cabelo de 15 em 15 dias para esconder os fios brancos) e escovados, unhas e sobrancelhas sempre bem feitas, Dona Rita, a senhora minha mãe, acordou no dia 8, disposta a me convencer a ir ao shopping com ela. Acho que quando ela fez essa escolha, não se lembrou do desastre que foram as outras vezes.

Com seus 1,70m e seus 78 kg, minha Mamili (é assim que carinhosamente eu a chamo) chama atenção por onde passa. Desde que ela se separou de meu pai, há quase quatro anos, começou a comprar roupa jovem e a se cuidar bastante. Lá no fundo sei que nossas brigas são ciúmes de filha, mas não deixo de ficar chateada quando vejo algum pretendente ligando pra ela.

Voltando à nossa saída, chegamos ao Shopping Barra por volta das 12h e fomos a uma loja de sapatos que fica no térreo. Como em toda loja, logo um vendedor se aproximou:- O que as senhoras desejam?

Sem nem pensar, minha mãe respondeu:

- Estou procurando um sapato na cor café, não quero nada muito comum. De preferência com salto alto.

Olhei pra ela com aquela cara de que já sabia que tão cedo não voltaríamos pra casa. Dona Rita é bastante indecisa, apesar de que na hora me surpreendeu por saber que queria um sapato na cor café, já era uma evolução. O vendedor trouxe uns sete pares. Logo de cara ela dispensou dois, eram brancos e não café como ela havia pedido. Outros dois modelos não lhe agradaram. Lembro-me que um era trançado e o outro tinha um salto bem pequenino. Depois de calçar os restantes, ela decidiu que não levaria nenhum e agradeceu ao vendedor.

Saímos procurando o sapato café e uma roupa legal. Entramos em algumas lojas, mas ela não viu nada que lhe agradasse muito. Resolvemos então esquecer um pouquinho o que íamos comprar e ficamos passeando pelo shopping. Estava vazio, a maioria das pessoas certamente estava viajando. Estava bom pra andar, sem aquela agitação comum desses lugares. Depois resolvemos ir logo ao 3° piso, onde fica uma loja na qual ela está acostumada a comprar roupa. Entramos e começamos a olhar algumas roupas. Resolvi ajudar, pra ver se andava mais rápido, finalmente achei uma que certamente a agradaria e falei:

- Mãe, vem cá! Acho que você vai gostar dessa.

A vendedora olhou para a gente e perguntou à minha mãe:

- Ela é sua filha? Nem parece! Pensei que fossem irmãs.

Minha mãe, sempre gentil, respondeu que eu era sim filha dela. A vendedora ficou olhando com uma cara meio descrente, mas não falou nada, só ficou nos olhando. Eu nem me importo mais, já cansei de escutar esses comentários. Fabiana, a vendedora, resolveu ajudá-la a procurar algumas roupas. Com duas calças, um legging e uma camisa que parecia mais um vestido, minha mãe entrou no provador. Eu sabia que agora começaria tudo de novo.

- Pê (é assim que ela me chama), vem cá, olha se você gostou.

Acredito que ela já sabia qual era a minha resposta, mas, mesmo assim, fez questão que eu fosse olhar. Pela primeira vez, gostei. Ela tinha vestido uma calça jeans clara, que tinha uns detalhes na perna e uma camisa lilás com um decote lindo nas costas. Minha mãe fica bonita com cores fortes.

- Gostei dessa mãe, mas experimenta o restante pra gente ver como fica.

Não era pra eu ter dito isso. Ela resolveu vestir a legging com um vestido por cima, desses que estão na moda. E resolveu me perguntar:

- Filha, ficou legal?

Fiz logo uma expressão que não e a vendedora logo veio atrás pra dizer que havia ficado linda, vendedores sempre fazem isso. A legging era preta e a camisa que parece vestido era branca, com umas listras azuis e um desenho de coração com brilho nas costas. Não combina com minha mãe.

- A senhora está linda com essa roupa.

A vendedora repetia essa frase de dois em dois segundos e pedia pra ela dar uma rodada.
- Não está! Prefiro a outra. Ela ficou parecendo um balão nesse vestido.

Juro que não havia ficado bom. Aquela roupa havia engordado ela. Acho que já por me conhecer e perceber que estava perdendo a paciência com a vendedora, ela resolveu não experimentar o resto das roupas e levar a que eu havia aprovado. No caixa, a Fabiana ainda comentava que ela deveria levar a outra.

- Já que ela gostou dessa e a senhora gostou da outra, leva as duas.

Antes que dona Rita pudesse pensar no que a vendedora havia dito, logo falei:

- Não foi ela que gostou, foi você! Vamos levar só isso mesmo.

Fomos ao caixa, pagamos e saímos em busca de alguma bijuteria que combinasse com a sua roupa e o bendito sapato na cor café. Passamos em frente a uma loja de sapato no 2° piso e logo na vitrine ela avistou o sapato que queria, nem quis calçar, falou com um vendedor e foi ao caixa enquanto ele ia buscar o sapato. Não demoramos nem cinco minutos naquela loja.

Já eram quase 15h e comecei a ficar com fome. No próprio 2° piso encontramos uma loja que vendia bijuterias, com os modelos que ela estava procurando. Resolvi nem opinar, quando estou com fome fico de mal-humor. Fiquei esperando ela escolher. Quando ela decidiu, perguntou a minha opinião, sem nem prestar atenção disse que era lindo. Finalmente tinha acabado aquele martírio. Saímos às 15h30 do shopping e fomos comer.

O ÚLTIMO ATAQUE

Paloma Batista e
Pedro Levindo

Num país como o Brasil, em que quase nada funciona da forma como deveria, por interesses escusos, desinteresse, preguiça ou pura e simplesmente incompetência, não deveria ser surpresa o teor do último ataque que alguns membros do Congresso fizeram às instituições.

O ataque, um devaneio ditatorial, foi capitaneado pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). A idéia de Devanir é possibilitar que o presidente concorra ao terceiro mandato. Considerando que o atual ocupante do cargo possui níveis altíssimos de popularidade (não chegam a ser

estratosféricos, pois, na Colômbia, Álvaro Uribe beira os 85% de aprovação popular), que montam a quase 65%, não seria surpresa se conseguisse aprovar tal projeto com relativa facilidade (mesmo se não tivesse maioria no Congresso, os esquemas tipo “mensalão” estão aí pra isso).

O presidente nega que apóie tal idéia. Pode até ser verdade. Mas, segundo fontes ligadas ao presidente Lula, ele não rejeita a idéia de se mudar mais uma vez a Constituição, aumentando o mandato para cinco anos e suprimindo a reeleição. Segundo o deputado Devanir, essa era. Na verdade, sua intenção desde o início (então ta).

A primeira idéia é péssima. Brincar com a democracia é o mínimo que se pode dizer do terceiro mandato. A partir do momento que se sentem fortes, governantes podem achar que têm pleno poder para fazer o que bem entenderem. Lula já acha. Antes dele, Fidel Castro, Pinochet, Hitler e Mussolini, sem falar nos camaradas Stalin e Mao, tiveram a mesmíssima sensação.

O atual vice-presidente, ao defender a idéia, chegou a citar o caso de Franklin D. Roosevelt, presidente americano que foi reeleito duas vezes. Não poderia ter feito uma comparação pior. Primeiramente pelo fato de que os contextos históricos são completamente diferentes. Os Estados Unidos de Roosevelt eram (e são) um país que não muda suas regras conforme a vontade dos governantes. Eram, ainda, um país que saía de um período de forte recessão e, pior, entrava num em guerra. Uma liderança forte era necessária. O segundo ponto é justamente essa liderança. Lula não é Roosevelt. Roosevelt é um dos grandes homens da história mundial, a quem páginas e páginas foram, são e serão dedicadas nos livros de história. Se Lula conseguir citação em algum, será no máximo uma nota de rodapé (e mesmo assim, operários chegando ao poder na história do mundo não são mais grande novidade – vide o caso de Lech Walesa – aliás, alguém lembra dele?). Para completar o quadro, por melhor presidente que Roosevelt tenha sido, os Estados Unidos mudaram sua lei, proibindo o terceiro mandato, logo depois dele.

A reeleição não é uma idéia ruim. Quatro anos realmente parecem pouco para um governante mostrar a que veio. Se for bem, fica mais quatro (oito é suficiente, nem muito nem pouco). Se não for, em menos tempo terá ido embora. Ademais, a reeleição ainda não foi suficientemente testada para se chegar à conclusão se é boa ou ruim.

A outra idéia, a do mandato menor e extinção da reeleição, também não é grande coisa. Cinco anos não são assim tão diferentes de quatro. Os benefícios de um governo mais longo não seriam tão óbvios. Os malefícios, contudo, podem demorar mais de passar. Uma vantagem, contudo, pode existir: o mandato único ao menos traria o alento de não deixar a máquina na mão de uma pessoa que deseja continuar com ela. É claro que se pode usar sempre a máquina para fazer o sucessor, mas já é provado que nem os mais populares governantes fazem o sucessor ao seu bel prazer.

A Lula interessa essa última mudança. Ele poderia ficar mais um ano no poder, o que daria mais chances de fazer seu sucessor. Melhor ainda, em cinco anos ele não teria de concorrer com um presidente que estará tentando a reeleição, como ele bem sabe, de uma posição de força. Entretanto, ficar mais um ano é antiético. É assim pois muda-se as regras no meio do jogo. Pior, muda-se para benefício próprio. Contudo, dadas todas as demonstrações do governo Lula no campo da ética nos últimos anos, esse parece ser o menor de seus problemas. O problema é unicamente do país.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CPI dos Cartões Corporativos na TV Senado




Os brasileiros que possuem antena UHF e conseguem sintonizar na TV Senado podem acompanhar diariamente o show de líderes partidários, eleitos legalmente com grande margem de voto. Atualmente, o assunto é a CPI dos cartões corporativos. É um tal de dossiê, que uns dizem que foi criado para prejudicar o governo de Fernando Henrique. Outros políticos afirmam que pretendem investigar se o documento vazou ou não.

Ao assistir a TV Senado, não faltam trocas de acusações, xingamentos e ameaças. É comum ver um dos líderes da oposição, como Arthur Virgílio, ameaçar a base aliada do PT de trancar a pauta, impedindo a votação. Semana passada foi a vez da senadora Ideli Salvatti protagonizar um bate-boca intenso com o senador Álvaro Dias. O assunto: um suposto dossiê contra o governo FHC.

Ambos discutiram se os papéis entraram no senado "voando"! Enquanto os políticos passam horas duelando sobre assuntos que pouco dizem respeito à vida da população brasileira, projetos importantes deixam de ser discutidos, votados e aprovados. Não há derrotado e nem vitoriosos nesse jogo. Talvez o único nocauteado seja o povo brasileiro, que a cada ano que passa, desacredita mais nos políticos que elegeu.


* Por Antônio Almeida

Violência alta, solução baixa


Os altos índices de assassinatos em Salvador marcam a vida dos baianos. Nos finais de semana a média é de 28 mortos, a maioria vitimas de arma de fogo e envolvidas com o tráfico de drogas. No passado diziam que tudo era resolvido com uma boa conversa, atualmente a frase é: “vou cortar no aço”, o que significa matar com tiro ou vários tiros e a promessa é cumprida.

Algumas medidas com a finalidade de conter a violência vêm sendo adotadas pelo Governo do Estado, que recentemente substituiu o secretário de Segurança Pública da Capital, na esperança de conter a brutalidade urbana, mas o resultado ainda não foi alcançado. Enquanto isso, a população indefesa aguarda desesperada sem saber quantos ainda morrerão para que a situação seja controlada.

No último final de semana foram 30 mortos e com um agravante: a polícia civil estava em greve e a militar ameaçando parar as atividades. E mais uma vez os soteropolitanos pagaram o preço. Os boatos de arrastões em diferentes pontos da cidade, assaltos a ônibus iam tomando conta da cidade e o pânico ia se alastrando como uma “peste”. Ninguém sabia o certo o que estava acontecendo.

Por volta das 22 horas, no dia 31 de março, no percurso entre Pituba e Ondina nenhuma viatura da Polícia Militar foi vista, e no sentido inverso também, o que foi causando mais insegurança nas pessoas, que fechavam os vidros dos carros, andavam em alta velocidade, rezando para chegar logo em casa e em paz. A cidade começou a ficar deserta, o comércio fechando as portas, alunos abandonando as salas de aula na tentativa de chegar em casa com segurança. As informações eram desencontradas, a cada momento surgia um fato novo, e diante de tanta violência em Salvador as pessoas não duvidavam que tudo aquilo fosse realmente verdade.

Nesse momento o direito garantido pela Constituição Federal, de ir e vir foi arrancado da população de forma agressiva e dolorosa, a lei maior não foi respeitada. E após o drama vivido, não houve nenhuma explicação por parte das autoridades. Enquanto isso a sociedade permanece entregue à marginalidade que invade as casas, domina os bairros, deixando marcas de sangue por onde passa, causando muito desespero e dor. Ficam algumas perguntas aos detentores do poder: Até quando vamos conviver com essa insegurança, impunidade, falta de respeito às leis e omissão das autoridades? É preciso ter pressa, enquanto ainda há tempo para mudar o rumo da sociedade baiana, caso contrário Salvador será mais uma capital assustada e subordinada ao tráfico de drogas.

* Por Márcia Barreto

A FORÇA DA TV


A televisão vem sendo objeto de pesquisa de vários estudiosos. Inúmeras questões já foram abordadas, mas não se tem conclusão nenhuma acerca do que é esse aparelhinho aparentemente inofensivo capaz de fazer maravilhas e barbárie. Essa coisa chamada TV chegou no Brasil na década de 50, sem nenhuma cerimônia, foi fincando raízes, entrando sem pedir licença nos lares e conseguindo transformar as pessoas e toda a sociedade. O poder é tão grande que induz o país de norte a sul.


Tem uma produção eclética. Qualquer um consegue identificar-se com os programas de auditório, novelas, esportes, notícias, enfim, o cardápio é variado. Basta colocar o dedo no controle e está ali o desejado, é a gosto do cliente. Com características próprias, a TV possui grande poder junto à sociedade. Tudo que é mostrado provoca discussões, debates, indignação e revolta na população. Por isso é preciso cautela na hora de noticiar um fato.

Nas últimas semanas a televisão tem dado espaço diário a um crime que aconteceu em São Paulo, onde a vítima foi uma garota de cinco anos morta misteriosamente. As autoridades não conseguiram ainda saber quem são os verdadeiros culpados. Mas, noticiaram a prisão de dois suspeitos, deixando a entender nos comentários que os acusados são os verdadeiros assassinos, antes mesmo de sair o resultado do inquérito policial. A notícia da morte da criança causou indignação entre os brasileiros, mas isso não dá o direito à TV de colocar a opinião pública contra os dois principais suspeitos. Já que a lei é clara: todos são inocentes aos olhos da lei até que se prove o contrário.

A relação entre televisão e sociedade é complexa e se faz necessária muita precaução na hora de usar a autoridade desse pequeno aparelho que tem o poder, para não prejudicar pessoas inocentes como já foi feito no passado. O caso da Escola Base é um deles e tornou-se um assunto muito discutido pelos estudantes de comunicação, que aprendem desde o início que uma informação dada como verdade, sem que tenha ocorrido o esclarecimento dos fatos, pode comprometer eternamente a vida de pessoas inocentes.

Mas, esquecimento ou não, muitos ex-alunos estão atuando no mercado de trabalho e parecem esquecer tudo o que viram na academia. As imposições dos proprietários dos grandes veículos, que é a audiência a qualquer custo, são absorvidas abruptamente, e chega a ser louvável a tamanha dedicação desses profissionais, pena que por motivos obscuros. A fama e o dinheiro são grandes vilões dessa história de sofrimento e dores incuráveis de pessoas inocentes. A forma de fazer telejornalismo deve ser reavaliada, antes que seja tarde demais. Devemos todos nos preocupar, e muito, com isso. Hoje são eles, amanhã poderá ser você.


* Por Márcia Barreto

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Os mortos vivos

Pedro Levindo

Há alguns anos não passa mês sem que se encontre, em algum veículo de comunicação americano, um artigo ou matéria que, entre outras coisas, decreta a morte dos jornais impressos. Jornalistas, especialistas (em quê, mesmo?), analistas e investidores resolveram voltar suas baterias com força total contra diários e agora também contra as revistas semanais. E tome-lhe bombardeio. Ninguém estipulou uma data exata ainda, mas há quem diga que de 2050 não passa. Passa. Assim como em 2050 não viveremos em estruturas de vidro e metal que ficam acima das nuvens, nem andaremos em carros voadores, nem usaremos ridículas roupas prateadas, os jornais e revistas ainda existirão.

É óbvio que a situação dos meios de comunicação impressos, como jornais e revistas, não é das mais confortáveis. Ambos estão perdendo receita publicitária para a Internet, e os jornais têm perdido leitores, em alguns casos, num ritmo acelerado. Como toda teoria, novo formato e novidade, os números e previsões catastróficas vêm dos Estados Unidos. Alguns dados para o leitor se assustar: desde 1990, 25% das vagas na imprensa americana foram extintas; nos últimos três anos as redes de jornais americanas com ações na bolsa perderam 42% de seu valor de mercado; apenas 20% dos jovens americanos (18-34 anos) lêem jornal, entre outras considerações. Isso se alia aos fatos de que os jovens têm preferido buscar na Internet suas fontes de informação, o leitor médio de jornal (que tem 55 anos) está envelhecendo e lendo cada vez menos (30 minutos por dia) e o público confia cada vez menos na imprensa (cerca de 20%). O cenário ruim acaba de piorar.

Alguns desses dados estão presentes em artigo do repórter Eric Alterman, da prestigiada revista americana The New Yorker. Outros são de conhecimento público. O que importa realmente, no entanto, é que o fim não está próximo para os jornais, até porque não haverá fim. As razões para isso são inúmeras. Algumas delas foram expostas pelo próprio Alterman em seu artigo (ele não fez qualquer previsão ali).

Aos que acham que a Internet é grande produtora de conteúdo informativo, é bom que pensem de novo. As maiorias dos blogs, considerados revolucionários por muitos, simplesmente ecoam o que a chamada grande imprensa diz. Como muitos editores e jornalistas apontam, garimpar informações e redigi-las de modo adequado, ouvindo diferentes fontes, é caro. Juntar um monte de conteúdo que alguns veículos já produziram e jogar tudo isso na Internet, opinando em cima, é bem barato. Ou seja, fica difícil imaginar um mundo com blogs quando o maior facilitador de sua existência, os jornais impressos, não existem mais.

Alguns jornais investem pesadamente na Internet. O projeto considerado mais avançado, por enquanto, é o do New York Times. Prestigiado diário americano, o jornal nova-iorquino é considerado pro muitos o melhor do planeta. Ainda vende bastante e tem atraído leitores para seu site. Nada disso, contudo, impediu que perdesse metade de seu valor de bolsa no ano passado. Se o New York Times está desse jeito, calcule o resto.

Mas o NYT não vai sumir. Apesar de alguns erros recentes, ainda é um grande jornal. E todos os países precisam de jornais, principalmente grandes jornais. Por menos que as pessoas se informem, ao menos uma parcela delas precisa se informar. E são os jornais os responsáveis por levar, diariamente, as notícias mais importantes ao público. São eles também, ainda, os veículos a agendar a pauta de outros meios. E, principalmente, são eles que trazem a maior quantidade de informação ao leitor. É claro que você acha arquivos enormes e quantidades também gigantescas de informação na Internet. Acha, em geral, nos sites dos jornais impressos.

Além da quantidade de informações, há ainda a qualidade dos textos. Quem lê algo na Internet não lê, passa o olho. Poucos têm paciência para ficar horas à frente de um computador lendo o que quer que seja. E quem é um pouco mais exigente tem menos paciência ainda para ler textos telegráficos e pouco contextualizados.

Há, contudo, a questão da rapidez. O jornal realmente é mais lento. Leva 24 horas para se atualizar ou corrigir erros. Os sites levam segundos. Entretanto, é fato que a probabilidade de se cometer erros quando se faz algo com pressa também é maior.

Quanto ao público, ele de fato está mudando. Muitos não se interessam mais por notícias. Muitos, inclusive jornalistas, não têm a menor idéia do que se passa a seu redor. Neste caso, quem está perdido não são os jornais. É o público. Para alento da indústria de jornais e revistas, no entanto, quem lê em geral é fiel. E caso receba informação, análise, opinião, e vá lá, entretenimento de qualidade, o leitor se mantém fiel.

Outro ponto para os jornais é que quem gosta de ler gosta mesmo é de papel. O leitor pode ir aonde bem entender com seu jornal, revista ou livro. A maneira menos incômoda de ler num computador é no notebook. No entanto, apesar de pesarem cada vez menos, pesam bem mais que papel. Além do mais, custam muito mais caro. O notebook também não lhe dá o prazer de virar a página, voltar à página anterior, sentir o papel, leva-lo a inúmeros lugares, marcar o lugar onde parou a leitura, etc. Esse prazer só o papel, no jornal, na revista e no livro, proporciona.

Além do mais, quem estiver interessado em algo específico muitas vezes tem de buscar o que quer na Internet. No jornal o assunto se apresenta a você, de forma fácil, acessível e palatável. Você não que ir à cozinha de um restaurante para ver o que vai comer, você pede o cardápio, certo?

Por essas e outras o jornal e a revista - nem eles nem seu formato de papel – vão morrer. Apesar do que dizem alguns “analistas”, “especialistas”, investidores e, claro, jornalistas. Estes devem ir bem antes do centenário jornal.

Os mortos vivos

Pedro Levindo

Há alguns anos não passa mês sem que se encontre, em algum veículo de comunicação americano, um artigo ou matéria que, entre outras coisas, decreta a morte dos jornais impressos. Jornalistas, especialistas (em quê, mesmo?), analistas e investidores resolveram voltar suas baterias com força total contra diários e agora também contra as revistas semanais. E tome-lhe bombardeio. Ninguém estipulou uma data exata ainda, mas há quem diga que de 2050 não passa. Passa. Assim como em 2050 não viveremos em estruturas de vidro e metal que ficam acima das nuvens, nem andaremos em carros voadores, nem usaremos ridículas roupas prateadas, os jornais e revistas ainda existirão.

É óbvio que a situação dos meios de comunicação impressos, como jornais e revistas, não é das mais confortáveis. Ambos estão perdendo receita publicitária para a Internet, e os jornais têm perdido leitores, em alguns casos, num ritmo acelerado. Como toda teoria, novo formato e novidade, os números e previsões catastróficas vêm dos Estados Unidos. Alguns dados para o leitor se assustar: desde 1990, 25% das vagas na imprensa americana foram extintas; nos últimos três anos as redes de jornais americanas com ações na bolsa perderam 42% de seu valor de mercado; apenas 20% dos jovens americanos (18-34 anos) lêem jornal, entre outras considerações. Isso se alia aos fatos de que os jovens têm preferido buscar na Internet suas fontes de informação, o leitor médio de jornal (que tem 55 anos) está envelhecendo e lendo cada vez menos (30 minutos por dia) e o público confia cada vez menos na imprensa (cerca de 20%). O cenário ruim acaba de piorar.

Alguns desses dados estão presentes em artigo do repórter Eric Alterman, da prestigiada revista americana The New Yorker. Outros são de conhecimento público. O que importa realmente, no entanto, é que o fim não está próximo para os jornais, até porque não haverá fim. As razões para isso são inúmeras. Algumas delas foram expostas pelo próprio Alterman em seu artigo (ele não fez qualquer previsão ali).

Aos que acham que a Internet é grande produtora de conteúdo informativo, é bom que pensem de novo. As maiorias dos blogs, considerados revolucionários por muitos, simplesmente ecoam o que a chamada grande imprensa diz. Como muitos editores e jornalistas apontam, garimpar informações e redigi-las de modo adequado, ouvindo diferentes fontes, é caro. Juntar um monte de conteúdo que alguns veículos já produziram e jogar tudo isso na Internet, opinando em cima, é bem barato. Ou seja, fica difícil imaginar um mundo com blogs quando o maior facilitador de sua existência, os jornais impressos, não existem mais.

Alguns jornais investem pesadamente na Internet. O projeto considerado mais avançado, por enquanto, é o do New York Times. Prestigiado diário americano, o jornal nova-iorquino é considerado pro muitos o melhor do planeta. Ainda vende bastante e tem atraído leitores para seu site. Nada disso, contudo, impediu que perdesse metade de seu valor de bolsa no ano passado. Se o New York Times está desse jeito, calcule o resto.

Mas o NYT não vai sumir. Apesar de alguns erros recentes, ainda é um grande jornal. E todos os países precisam de jornais, principalmente grandes jornais. Por menos que as pessoas se informem, ao menos uma parcela delas precisa se informar. E são os jornais os responsáveis por levar, diariamente, as notícias mais importantes ao público. São eles também, ainda, os veículos a agendar a pauta de outros meios. E, principalmente, são eles que trazem a maior quantidade de informação ao leitor. É claro que você acha arquivos enormes e quantidades também gigantescas de informação na Internet. Acha, em geral, nos sites dos jornais impressos.

Além da quantidade de informações, há ainda a qualidade dos textos. Quem lê algo na Internet não lê, passa o olho. Poucos têm paciência para ficar horas à frente de um computador lendo o que quer que seja. E quem é um pouco mais exigente tem menos paciência ainda para ler textos telegráficos e pouco contextualizados.

Há, contudo, a questão da rapidez. O jornal realmente é mais lento. Leva 24 horas para se atualizar ou corrigir erros. Os sites levam segundos. Entretanto, é fato que a probabilidade de se cometer erros quando se faz algo com pressa também é maior.

Quanto ao público, ele de fato está mudando. Muitos não se interessam mais por notícias. Muitos, inclusive jornalistas, não têm a menor idéia do que se passa a seu redor. Neste caso, quem está perdido não são os jornais. É o público. Para alento da indústria de jornais e revistas, no entanto, quem lê em geral é fiel. E caso receba informação, análise, opinião, e vá lá, entretenimento de qualidade, o leitor se mantém fiel.

Outro ponto para os jornais é que quem gosta de ler gosta mesmo é de papel. O leitor pode ir aonde bem entender com seu jornal, revista ou livro. A maneira menos incômoda de ler num computador é no notebook. No entanto, apesar de pesarem cada vez menos, pesam bem mais que papel. Além do mais, custam muito mais caro. O notebook também não lhe dá o prazer de virar a página, voltar à página anterior, sentir o papel, leva-lo a inúmeros lugares, marcar o lugar onde parou a leitura, etc. Esse prazer só o papel, no jornal, na revista e no livro, proporciona.

Além do mais, quem estiver interessado em algo específico muitas vezes tem de buscar o que quer na Internet. No jornal o assunto se apresenta a você, de forma fácil, acessível e palatável. Você não que ir à cozinha de um restaurante para ver o que vai comer, você pede o cardápio, certo?

Por essas e outras o jornal e a revista - nem eles nem seu formato de papel – vão morrer. Apesar do que dizem alguns “analistas”, “especialistas”, investidores e, claro, jornalistas. Estes devem ir bem antes do centenário jornal.

Céu e inferno num pedaço de plástico

Pedro Levindo

Quem tem cartão de crédito conhece o céu e o inferno. O céu, em geral é quando se ganha ou se adquire o cartão. Sair e fazer a primeira compra é uma delícia. Você vai feliz, à procura de qualquer coisa que possa comprar com seu novo brinquedinho. Compra algo. Depois compra outra coisa. É tão fácil! Olha, gosta, pega, leva ao vendedor, e sem nem precisar de dinheiro, entrega o cartão, assina, e vai embora, feliz, feliz. Depois da primeira compra seguem outras. Uma maravilha. Agora tem crédito, tem status, tem um pedaço de plástico com seu nome que faz coisas que você nunca sonhou. Você está nas nuvens. Ocorre que, ao final de um mês, a nuvem se dissipa e você cai. É hora de pagar a conta. Muitos, sem perceber que ao final da farra sempre chega a fatura com o total a pagar, não tem condições de arcar com os gastos. Daí vem os juros, as dívidas, os sacrifícios, etc. Este é o inferno.

O que ocorre, então, quando você não tem de pagar a conta? Paraíso o tempo todo! Quando alguém paga a conta por você, você não se preocupa com o quê e com quanto vai gastar. Você simplesmente gasta. Se o cartão foi dado por mamão e papai, de vez em quando o caldo entorna. Aí eles tiram o cartão por um tempo, você entra na linha, eles devolvem. E volta tudo ao normal.

Quando o cartão é dado pelo povo brasileiro, isso não acontece. Ninguém pede sua prestação de contas. Seus 180 milhões de papais e mamães tem coisas mais urgentes com que se preocupar, como botar comida na mesa, pagar o colégio dos filhos, arcar com a carga tributária, tentar não contrair dengue ou qualquer outra doença de país subdesenvolvido, enfim, sobreviver.

O recente escândalo dos gastos dos cartões de crédito corporativo da presidência e seu sigilo vem, mais uma vez, nos mostrar que há uma classe de privilegiados no país que está acima do bem e do mal. Enquanto o resto trabalha, esses poucos privilegiados, que ganham bem, e às suas custas, saem por aí fazendo compras pessoais com o seu dinheiro.

Você lembra quanto pagou de imposto de renda na última declaração (isso para quem tem renda, coisa rara no país, e para quem declara, mais raro ainda)? Pois bem, pegue esse dinheiro, some com os impostos que incidem sobre os produtos e serviços que você compra e utiliza, bem como outros tributos, como IPVA, IPTU, etc., e chegue a um número. Agora imagine alguma autoridade entrando num badalado restaurante do circuito Brasília - São Paulo – Rio de Janeiro, pedindo um prato elaborado e um bom vinho. Mas espere aí? O que eu tenho a ver com o jantar da autoridade? Tudo, pois quem pagou a conta ao final foi você!

O pior disso tudo não são as somas envolvidos nos gastos feitos com os já famosos cartões corporativos do governo. Pouco importa se foram 10, 20, 50 ou até 100 milhões de reais. Num orçamento de bilhões e bilhões, isso é uma gota, um nada. O que importa é que estão gastando o seu, o meu, o nosso dinheiro em coisas fúteis, em gastos pessoais. O mais impressionante ainda é que, ao contrário do filho do pai rico que ganhou cartão de crédito, a presidência da república não presta contas do que gasta. E é você que paga a fatura.

Dizem que é questão de segurança nacional, como se estivesse no interesse nacional proteger a informação de quanto algum parente do presidente gastou numa padaria chique ou coisa que o valha. No interesse nacional está ver a educação funcionando, o povo saindo da miséria, a saúde melhorando, todos vivendo em segurança. E, claro, por questão de decência, ética, moral e por que não dizer, bons costumes, saber como o governo está gastando o seu dinheiro.

Os dois candidatos


As eleições municipais de 2008 se aproximam. Na capital baiana, o campo político, que já estava embaralhado desde o início, torna-se cada vez mais complexo. Aproveitando a fragilidade da atual administração do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB-BA), aparentemente todos com alguma chance de chegar ao palácio Tomé de Souza querem tomar o lugar dele. Desde o início fala-se nos nomes de Raimundo Varela (PRB/ Rede Record), ACM Neto (DEM) e do ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB). Do lado da esquerda, já deixou a barca furada do prefeito a deputada Lídice da Mata (PSB), dentre outros (o PDT, antigo partido do prefeito e que andou flertando com Imbassahy, foi obrigado a voltar pelo diretório nacional). Para completar o quadro, Nelson Pellegrino (PT), que como um bom brasileiro, não desiste nunca, também quer concorrer. Diante de tal confusão, sobressaem dois nomes que trazem algum alento: os antigos aliados Imbassahy e ACM Neto.

João Henrique não tem feito um bom trabalho. Por isso mesmo atinge apenas 16% das intenções de voto, segundo a última pesquisa séria, publicada pelo Datafolha em dezembro de 2007. É o segundo lugar, atrás apenas de Varela (19%). Para quem tenta se reeleger, ele deveria estar à frente, e bem à frente. O apresentador Varela, com seu populismo primário, seria uma reedição de Fernando José. A gestão de Lídice (9%) todos já conhecem. Pellegrino, com tantos possíveis aliados concorrendo, chega apenas a 3% das intenções, e não tem a menor chance.

O que nos deixa com os dois melhores candidatos, Imbassahy (12% nas pesquisas) e ACM Neto (15%). Os dois são muito bem preparados. ACM Neto, deputado federal baiano mais votado nas últimas eleições, vem de uma conhecida dinastia política. É considerado inteligente e arrogante. Seu trunfo é ter sido preparado pela família (e por si próprio) para chegar aonde o avô e o tio chegaram, e, quem sabe, além. Já Imbassahy foi prefeito durante oito anos. Conhece a cidade, e, apesar de algumas críticas aqui e ali, sua administração era eficiente. Bem avaliado pela população até o final do segundo mandato, foi eleito seguidas vezes melhor prefeito do país.

O que mais impulsiona os dois candidatos, porém, é a vontade. Para ambos é extremamente importante levar a prefeitura. ACM Neto, herdeiro de um grupo político em frangalhos, precisa fazer um bom trabalho à frente da prefeitura para reconstruir suas bases de poder. Só assim estaria mais qualificado para alçar vôos mais altos. Já para Imbassahy a prefeitura é uma questão de vida ou morte. Se ele se lançar candidato e perder, serão quatro anos sem mandato, sem uma base forte que o apoie. Além de serem duas eleições perdidas, sendo que numa delas ele se considerava o franco favorito. Se perder a prefeitura, sua carreira política pode estar seriamente ameaçada.


O melhor dos mundos seria uma chapa com os dois antigos aliados, provavelmente com ACM Neto encabeçando-a, tendo o ex-prefeito como vice. Não dividiram os votos, como tem feito, e naturalmente se beneficiariam da divisão de seus oponentes históricos. Após algum tempo, o deputado democrata estaria liberado para tentar cargo mais elevado na hierarquia política, e a cidade seria então administrada por Imbassahy. É uma hipótese improvável. Todavia, dado o fato de que estamos falando de política, tudo é possível.


*Pedro Levindo